08 de julho de 2026
Geral

Buena Vista Bauru Clube

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Grupo de choro formado por lendários músicos de Bauru, o Chorando Alto apresenta-se domingo no Sesc

Uma das melhores surpresas da música produzida em Bauru nos últimos anos é o grupo Chorando Alto. Formado por lendários músicos da noite bauruense, o grupo, que apresenta-se domingo (grátis) no Sesc Bauru, é uma espécie de versão local do Buena Vista Social Club, o incensado documentário de Wim Wenders que deu um empurrão na música cubana, que vem sendo redescoberta e valorizada em todo mundo.

A comparação não é ao acaso, da mesma forma que a música caribenha exerce influência na música do mundo, vide a experiência do be bop, o choro - em um paralelo com a música norte-americana - poderia ser tomado como um blues brasileiro.

Conhecedores da importância do choro e, sobretudo, apaixonados pelo gênero, um grupo de senhores instrumentistas (o sentido dúbio é intencional) passou a mostrar sua música em Bauru. Aos poucos, Tomáz (Bandolim), Manoel (Cavaquinho), Júlio (Clarinete), Pedro (violão de sete cordas) e Luna (percussão) vêm colhendo o mérito de semear boa música. Apresentaram-se em cidades do Interior, em São Paulo e abriram para o irresistível Época de Ouro, conjunto criado por ninguém menos que Jacob do Bandolim.

A trajetória de cada músico do Chorando Alto é um pouco da história musical de Bauru.

Os músicos

Vida e música se confundem na história de Manoel. De uma família de músicos, o responsável pelo cavaquinho no grupo começou em uma orquestra da qual a mãe e oito irmãos faziam parte. O ano? 1915, época do cinema mudo, quando os músicos tocavam nos cinemas.

A mãe também lecionava música e com cinco anos Manoel entrou em contato com seu primeiro instrumento - o violino. Logo, começou a aprender violão, tocando a partir daí nas rádios de Bauru, como a PRG 8, a primeira rádio da cidade. Tornou-se com o tempo músico profissional e durante vinte e três anos foi professor de música na Igreja Nossa Senhora Aparecida.

Em 63, foi músico da orquestra Brasília Ritmos, que tinha como integrantes, entre outros, Badê e Fernando Machado. Em 1964, gravaram seu primeiro disco. Acompanhou a trajetória de Badê desde que o pianista era criança.

Acompanhou também outra família musical, a clã Godoy. A mãe, Vitória, regia coral, e o pai, já falecido, Dorival Godoy, fazia arranjos. Os filhos são grandes músicos: Adílson, Amilson e Amilton, fazendo parte, esse último, do Zimbo Trio.

Por um tempo, Manoel parou de tocar profissionalmente, aposentado voltou à ativa com o Chorando Alto. Para ele, a música é como a escultura: tem que ser cuidadosamente modelada, tornando-se uma espécie de obra de arte para o público.

No grupo desde sua formação, o percussionista Luna nasceu em Pernambuco e está há muitos anos em Bauru. Já era músico profissional em 1958, mas parou de tocar profissionalmente pela dificuldade de se manter com música. Aposentado, hoje toca pelo prazer e pelo amor à música brasileira. Afirmando ser um saudosista, completa: O choro é coisa de saudosista.

Integrante, como quase todos do grupo, de um conjunto de 13 músicos de Bauru, que entre eles, participavam, os já falecidos, Lali, José Vieira e Mário Carvalho, o bandolinista Tomáz tem vinte anos de história na música. Completando o grupo, estão Pedro no violão de sete cordas, e Júlio, o mais novo do grupo, responsável pelos sopros: sax, clarinete e flauta.

Atualmente, o Chorando Alto trabalha em 15 músicas que devem ser lançadas em CD.

Serviço

Chorando Alto, domingo, às 16 horas, no Sesc Bauru, pelo projeto DescontraSom. Avenida Aureliano Cardia, 6-71. Grátis. Informações: 235-1750.