A demissão de 117 servidores municipais deve causar um impacto considerável na economia do pequeno município
Avaí - A dispensa de 117 dos 326 servidores municipais, anunciada ontem à noite pelo prefeito de Avaí Reinaldo Rocha (PDT), repercutiu negativamente, como já era de se esperar, entre vários setores da comunidade. Tanto os trabalhadores demitidos, e suas respectivas famílias, quanto os comerciantes lamentaram a forma como foram feitas as demissões.
Odair Aparecido Belizário, proprietário do Supermercado São Benedito, localizado na região central e um dos maiores da cidade, disse à reportagem do Jornal da Cidade que está preocupado com a situação criada em razão das dispensas.
Segundo ele, Avaí quase não tem opções de emprego. Por isso, a demissão dos 117 servidores deverá refletir no comércio local. A demissão em massa foi considerado, por Odair, o ponto mais preocupante do episódio. Eu acredito que a medida tinha realmente que ser tomada. Mas não da forma como foi. Eu, no lugar do prefeito, agiria medindo melhor as conseqüências, ou seja, faria a dispensa paulatinamente, observou.
No entanto, o comerciante acredita no poder de superação dos atuais administradores municipais. Na opinião de Odair, o prefeito sabe das conseqüências que essa atitude irá trazer para a cidade, e portanto irá tentar resolver a situação da melhor maneira possível.
Entre os 117 demitidos estão trabalhadores que exerciam funções em quase todos os setores do serviço público. A lista de dispensa inclui desde professores a trabalhadores braçais; todos contratados durante os últimos três anos. Os salários pagos mensalmente pelos serviços prestados variavam de R$ 100,00 (pagos a um instrutor esportivo) a R$ 601,86 (pagos aos professores). O único valor destoante desta variação eram os R$ 2.540,40 pagos a um médico.
Até mesmo o chefe do departamento pessoal da Prefeitura estava entre os funcionários contratados irregularmente. Ainda de acordo com a lista de dispensa, a maior parte dos contratos foram feitos verbalmente.
José Gláucio Nascimento, 38 anos, que trabalhava em serviços gerais acredita que as demissões foram motivadas por questões políticas. Segundo ele afirmou, muitos dos dispensados trabalharam na campanha à reeleição do ex-prefeito Sérgio Andrade (PSDB). Nascimento, juntamente com seus colegas, também demitidos, Ricardo Fernando Bernardo da Silva, 23 anos, e Eliseu Rodrigues Coelho, 44 anos, passaram a tarde de ontem reunidos na praça central de Avaí, onde tomaram refrigerantes e falaram sobre a situação em que se encontram e sobre os planos para conseguir receber um valor maior do que apenas o salário de dezembro, que está atrasado e só deverá ser pago no fim do mês, segundo o vice-prefeito Orlando Gimenes.
O corte no número de funcionários atingiu também Vilma Vieira Antunes da Rocha, 28 anos, e Edilaine Ramos, 26 anos. Vilma trabalhou durante dez meses exercendo a função de servente, e, segundo ela, a notícia da dispensa pegou-a de surpresa. Casada e com dois filhos pequenos, Vilma mostra-se ainda mais preocupada quando diz que o marido é o único que trabalha. Porém, por ser trabalhador rural não possui estabilidade.
Edilaine também é casada e tem três filhos. Seu marido, no entanto, não está empregado, o que acaba agravando a situação da família. Mas, por ter trabalhado como servente na escola municipal, Edilaine está entre os servidores que devem ser contratados em regime de urgência, até que seja realizado concurso público para preenchimento das vagas existentes na área da Educação.