08 de julho de 2026
Geral

Automotivação combate insatisfação

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 7 min

Não é nada raro encontrar uma pessoa que esteja insatisfeita com o seu emprego, seja pela atividade que executa ou pelo salário que recebe. Também não é difícil constatar que a grande maioria das pessoas nessa situação vive reclamando da sua vida profissional, mas não faz nada para mudá-la. São pessoas que perderam a motivação no trabalho e não sabem, preferem culpar os colegas, os chefes, o salário ou até mesmo a situação econômica do País a imaginar que o problema pode estar nelas mesmas.

A solução para esse tipo de funcionário é a automotivação. Se o funcionário está insatisfeito com o seu trabalho é porque algo o está desmotivando e isso não precisa necessariamente ser algo de fora, pode ser um problema dele mesmo, diz a psicóloRecursos Humanos, Ana Claudia Comegno. Uma pessoa sem motivação desempenha sua atividade sem vontade, por obrigação, o que acaba interferindo na qualidade do seu trabalho. Quando está feliz e motivado, o funcionário trabalha com prazer e o resultado é um bom desempenho.

De acordo a psicóloga, é preciso buscar uma solução contra a desmotivação ao invés de ficar reclamando como faz a maioria. Existem várias maneiras de encontrar essa solução. Uma delas pode ser alterando o ambiente de trabalho. Muitas pessoas acabam perdendo a motivação no que fazem porque trabalham em condições que lhes são pouco satisfatórias. Personalizar o ambiente é uma boa opção. Externar o problema também evita que se fique com fama de chato perante os demais colegas de trabalho. Às vezes, a pessoa não está bem mas não fala para ninguém, se fecha e fica mal humorada, acaba sendo taxada de chata, diz Comegno. É importante conversar com os superiores para que juntos se possa pensar numa solução que, de repente pode ser até uma mudança de função.

Como se automotivar

Mas além de se conscientizar da necessidade de se automotivar e de comunicar isso aos superiores, é preciso colocar em prática o desejo de mudar a sua situação no trabalho. O neurolingüista Marco Natali sugere quatro maneiras práticas de se automotivar no dia-a-dia:

1) Nunca se deixar vencer pela preguiça e acreditar que a tarefa que você se impôs é grande demais. Se um problema parece enorme, a solução é quebrá-lo em diversos problemas menores, ou se uma tarefa for aborrecida demais, tente subdividí-las em tarefas menores, realizáveis. Tudo fica mais fácil porque parece mais fácil.

2) Fazer o que se considera pior, primeiro. Natali recomenda que se ordene as tarefas a serem realizadas durante o dia em ordem de repugnância. A primeira vai ser a que mais se odeia e a última a mais prazerosa, o prêmio do dia. O fato de se livrar da pior tarefa vai ser um alívio e, ao mesmo tempo, um estímulo para continuar.

3) Visualizar os resultados dos seus esforços. Não enxergar um final para a tarefa que se está realizando pode ser altamente desmotivador. Por isso, o ideal é sempre visualizar o resultado dos seus esforços dentro de dois dias, duas semanas, dois meses...

4) Comemorar cada pequena vitória. Se você considerar o sucesso como a última etapa do processo, a tendência a é desmotivar-se é muito maior. Natali cita a realização momentânea como o mais importante conceito do método japonês de Kaizen ( melhoramento contínuo). Se você quer subir uma escada precisa começar pelo primeiro degrau e cada passo precisa ser festejado com prazer, pois terá feito parte do processo de se atingir o resultado final.

Última hipótese

Se não conseguir vencer a desmotivação, nem se adaptar em outra atividade, a demissão se torna uma alternativa para o funcionário insatisfeito. Embora, hoje em dia, poucas pessoas tenham coragem de abandonar o emprego - mesmo estando insatisfeitas, por causa da situação financeira - essa alternativa pode ser positiva e servir como fator motivador para que a pessoa comece, a partir daquele momento, a buscar o sucesso em outra atividade. De preferência uma que lhe dê mais prazer em executar.

Antes de chegar nessa decisão, porém, é preciso fazer uma auto-avaliação, pesar todos os prós e contras, vantagens e desvantagens e, também, até que ponto o ambiente de trabalho está lhe fazendo bem ou não.

De acordo com a psicóloga Marta Alice Nelli Bahia, especialista na área de recursos humanos, em entrevista publicada pelo JC, é importante fazer uma reavaliação para saber se vale a pena ou não a pessoa continuar exercendo sua função.

Em primeiro lugar é preciso ver consigo mesmo o que pode estar causando essa desmotivação. Às vezes, pode até não ser uma questão de trabalho que esteja atrapalhando, pode ser um problema pessoal que a pessoa está transferindo para o trabalho. É na reavaliação que ela vai descobrir isso, explicou a psicóloga.

A importância da felicidade

Segundo o psicólogo e consultor organizacional Roberto Shinyashiki, autor dos livros A Revolução dos Campeões e O Sucesso é Ser Feliz, entre outros, a felicidade é imprescindível para quem quer ser bem sucedido na profissão e não viver reclamando de tudo. Ele define os perdedores como pessoas hábeis em reclamar, acusar culpados e dar desculpas, o que só faz aumentar os seus problemas, e os vencedores como pessoas felizes, que estão sempre olhando para cima e vislumbrando um futuro melhor. Para ser um campeão e não um derrotado ele estabeleceu o que classifica como os quatro pilares da felicidade:

1) Competência - Ela se baseia em três habilidades: treino, estudo e continuidade. Tudo em que somos competentes é resultado de muito treino. Ele conta que quando era menino assistia aos treinos do time do Santos e ficava espantado de ver Pelé treinando mais tempo que os outros. Eu pensava: para quê, se ele já é o melhor do mundo? Tempos depois, eu descobri que ele era o melhor do mundo porque treinava mais do que os outros, diz Shyniashiki

O estudo é o segundo pilar da competência. É fundamental para que a gente não gaste tempo inventando a roda ou repetindo os erros dos outros. O sucesso segundo o psicólogo, não é construído das 9h às 18h. Ele é construído à noite, quando a pessoa se permite estudar, pesquisar mais que os outros.

A competência também requer continuidade. Quem consegue ser bom todos os dias, depois de um tempo fica ótimo. As pessoas competentes concluem a trajetória que se propuseram a cumprir.

2) Reciprocidade - Os campeões criam vitórias para todos e não só para eles. Criam espaço para as pessoas crescerem, criam oportunidades. Se você tem um restaurante e não cria oportunidade para seu maître crescer, ele acaba abrindo um restaurante em frente ao seu, diz Shinyashiki. Os campeões conseguem ver além dos seus interesses pessoais, de sua vontade pessoal.

3) Realização - Fazer é poder. As pessoas de sucesso, felizes, são as que conseguem implantar o que desejam, ir até o final. São as que se propõem a um projeto e realizam, se propõem a pedir desculpas para alguém e pedem, se propõem a construir um novo relacionamento com os filhos e fazem isso. A maior parte das pessoas que não realiza o que quer, apenas sonha em realizar. Não consegue dar certo porque está fazendo uma coisa com a cabeça em outra, afirma o psicólogo.

4) Sentido - As grandes vitórias são criadas por quem vê significado em suas lutas. Os resultados aparecem como conseqüência natural de uma jornada que vem se cumprindo, não como pagamento por uma estratégia de carreira bem montada mas vazia de significado. Quem faz essa opção pode até fazer uma carreira aparentemente brilhante, mas não pode se perguntar muito para quê? Quando isso acontecer, provavelmente, ele não verá sentido naquilo que faz. Então, poderá desistir de tudo para recomeçar certo, promover grandes e radicais mudanças, ou conviver com o risco do estresse, da depressão e da infelicidade, explica.