Os indivíduos yin são gordos, calmos, dormem bastante, gostam de açúcar e têm muito apetite. Quem é yang é magro, vivo, dorme pouco, gosta de sal
Boa parte dos que apenas ouviram falar da macrobiótica associam-na a um regime alimentar especial, sem contudo o distinguir de outros regimes dietéticos (vegetarianos, ovo-lacto-vegetarianos, etc.). Na realidade, a macrobiótica, que se baseia em certos princípios filosóficos de origem oriental, é a procura, através da higiene alimentar, de uma verdadeira saúde física, mental e espiritual.
A palavra macrobiótica deriva do grego macros (grande) e bios (vida). Na sua história devem se destacar dois nomes que foram muito importantes: George Ohsawa, seu fundador, e Michio Kushi, que a desenvolveu nos EUA e a divulgou por todo o mundo, incluindo Portugal. Alguns dos atuais praticantes e divulgadores no Brasil aprenderam pessoalmente com o próprio Michio Kushi.
A filosofia em que se baseia afirma que o organismo humano, tal como o universo, é gerido por dois princípios opostos, complementares e que se alternam entre si: yin e yang. O primeiro representa o frio, o interior, o seco, o fraco, o escuro; o segundo representa as propriedades de calor, exterior, úmido, excesso, claro. Esta alternância de yin/yang exerce-se ao nível dos órgãos vitais e nos alimentos. Na prática, isto significa que cada ser humano tem características predominantemente yin ou yang.
Por exemplo e, de uma forma muito sumária, os indivíduos yin são de um modo geral gordos, calmos, com pés e mãos pequenos, dormem bastante, gostam de açúcar, têm bastante apetite, etc. Ao contrário, quem é predominantemente yang, é magro, vivo, tem mãos e pés grandes, dorme pouco, gosta de sal, etc. E, embora todas as pessoas tenham características mistas (yin e yang), há sempre uma prevalência de uma delas o que determinará, segundo a macrobiótica, a escolha alimentar mais adequada, de forma a atingir o equilíbrio pretendido.
Assim, há alimentos considerados yin e outros que são classificados yang.
Alimentos yin: milho, centeio, aveia, cevada, beringela, tomate, pimento, favas, pepino, aspargos, espinafre, alcachofra, abóboras, cogumelos, ervilhas, beterraba, alho, couve-roxa, couve-flor, lentilhas, polvo, pescada, truta, porco, vaca, iogurte, natas, manteiga e margarinas, frutos frescos, mel, açúcares, café, vinho, cerveja, chá verde, tília, hortelã-pimenta, camomila.
Alimentos yang: arroz, milho-miúdo, trigo, alface, repolho, alho-poró, grão-de-bico, rabanete, nabo, cebola, salsa, cenouras, agrião, linguado, atum, salmão, camarão, sardinhas, pato, peru, ovos, leite, queijos, amêndoa, azeitonas, óleos vegetais não refinados, alecrim, malte, chá mu, vinagre, mostarda, baunilha, açafrão, sal marinho não refinado.
Além das características yin ou yang dos alimentos, também é conveniente ter em atenção os cinco sabores básicos em que eles se dividem: ácido, amargo, doce, picante, salgado. As substâncias picantes podem ativar a energia e fazer circular o sangue; as substâncias amargas auxiliam na eliminação das toxinas; as doces melhoram a qualidade do sangue e os ácidos ativam a circulação. Por outro lado, os diferentes sabores aumentam a energia do órgão correspondente quando ingeridos em quantidades moderadas (em excesso tem o efeito inverso). Isto significa que o ácido estimula o fígado, o amargo o coração, o picante os pulmões e o salgado os rins.
Para a macrobiótica o equilíbrio entre todos estes fatores é fundamental e a organização da dieta deve ter em atenção a quantidade de alimentos yin e yang, que deve ser a mesma ou estar adaptada às características pessoais.
Para um melhor equilíbrio deve dar-se preferência aos alimentos de natureza pouco yin e pouco yang; quando se utilizam alimentos fortemente yin é mais difícil equilibrá-los com os fortemente yang. Além da natureza, os alimentos também devem ser escolhidos de modo a fornecerem ao longo do dia os cinco sabores.
A macrobiótica aconselha como prato principal uma associação de cereais integrais em grão, leguminosas e sementes, que devem constituir, no seu conjunto, pelo menos 50% da ração diária. O restante deve ser composta por legumes, vegetais e produtos animais (mais peixe que carne), sendo a proporção de sete partes de alimentos de origem vegetal para três de alimentos de origem animal.
Para lá disto, o método macrobiótico inclui ainda outros aspectos importantes: as refeições não devem ser demasiado abundantes e todos os alimentos devem ser mastigados e ensalivados cerca de 50 vezes.
Às refeições basta ingerir um copo de líquido e, de um modo geral, a ingestão de bebidas deve ser apenas necessária para saciar a sede.
Na preparação da comida devem evitar-se os utensílios de cozinha feitos de alumínio bem como os alimentos industrializados que contenham conservantes, aromatizantes ou tenham sido produzidos com o uso de fertilizantes, pesticidas, etc.
Alimentos provenientes da fauna e flora locais e tradicionais devem ser preferencialmente consumidos. Açúcares, alimentos de origem animal, café, especiarias, tabaco devem ser total ou parcialmente evitados.
Fazem parte importante deste regime, além dos alimentos acima indicados, as algas marinhas, o Miso o Tofu e o Tamari (extraídos da soja), Chá três anos e Chá Mu, Gomásio e Tahini (extraídos do gergelim), Feijão Azuki, entre outros.
Ao ser divulgada em Portugal na década de 70, a macrobiótica teve a virtude de alertar para as vantagens de uma alimentação mais integral, mais vegetal, em suma, mais natural. Contudo, salvo casos muito particulares, ela não deve ser de tal forma restritiva que provoque um emagrecimento exagerado ou até fraqueza física. No entanto, alguns dos princípios macrobióticos podem ser úteis, até porque convém não esquecer que muitos dos problemas fisiológicos se devem a incorreções e excessos alimentares.
Em Portugal, existem alguns restaurantes macrobióticos onde poderá ter um primeiro contato com este tipo de alimentação. Além disso, há alguns livros de fácil leitura e compreensão para quem quiser de ter uma idéia mais completa sobre a macrobiótica: Macrobiótica, de Craig Sams, da Editorial Presença, e O Regime Macrobiótico, de Monique Egé, da Pergaminho.