Cada idade tem suas características próprias, seus encantos, seus desencantos, suas vantagens e desvantagens. As crianças são graciosas, espontâneas, criativas e sinceras, quando não se tornam malcriadas, inconvenientes e birrentas. É uma graça quando dão respostas inteligentes como a daquela menininha de 6 anos cujo tio pediu-lhe um beijo e ela respondeu que ele esperasse ela fazer mais, pois seu estoque de beijos havia acabado. A juventude, então, cantada em prosa e verso pelos mais brilhantes prosadores e poetas, faz-me lembrar Dante: Primavera juventude do ano; juventude primavera da vida. Mesmo quando os jovens fazem tudo para ficarem feios, vestindo-se como espantalhos ou mendigos ou cabides de roupas velhas e mal cortadas, ainda assim ficam bonitos, não conseguem ficar feios. É a idade da força e da beleza. Depois vem a idade da procriação, das paixões e das produções que serão tanto melhores quanto tenham se preparado para isso na juventude. Depois é um viver mais pela família e pela consolidação de valores mais altos. Quando a família começa a dispersar, com filhos tomando seus rumos e procurando viver sua própria vida, então começa aquela idade em que as pessoas que souberam aproveitar as lições da escola da vida e também das escolas que porventura tenham freqüentado, estão aptas a passar para os outros, mais jovens e se estiverem interessados, toda a sabedoria acumulada. A única desvantagem dessa idade que vai ad infinitum, isto é, não tem data para acabar, como a juventude, a adolescência e a infância, são os achaques da idade. Como até agora, com a graça de Deus, a única doença que me aflige é uma certa anorexia pós-prandial e essa não é letal, eu caminho, trabalho, pondero, pesquiso, procurando aprender mais e procuro, escrevendo, passar um pouco da experiência adquirida. (Isolina Bresolin Vianna)