O novo dirigente de Ensino de Bauru, Jair Sanches Vieira, minutos antes de tomar posse do cargo, ontem, disse que a municipalização das escolas de 1.ª a 4.ª série hoje administradas pelo Estado é irreversível. A criança tem que estar na escola. E isso é obrigação tanto do Estado quanto do Município. Do Município, de atender de 1.ª a 4.ª série, e do Estado, de atender de 5.ª a 8.ª série e ensino médio (antigo colegial), disse.
A Apeoesp é contra a municipalização do ensino. Duka disse, durante a solenidade de posse de Vieira, que haverá confronto se a municipalização for forçada. Vieira avisou que vai conversar com os prefeitos de Bauru e cidades da região sobre a municipalização.
Atualmente, a política de vários municípios é assumir as escolas de 1.ª a 4.ª série à medida que vão construindo novas escolas. Mas acho que os municípios precisam buscar as escolas de 1.ª a 4.ª série, até para poder obter o dinheiro do Fundef (Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental), disse.
O município que não tem aluno no ensino fundamental não pode retirar verba do Fundef. Mas a municipalização do ensino ainda é bastante polêmica. Alguns prefeitos afirmam que perderiam dinheiro com a municipalização, enquanto outros dizem que a municipalização é vantajosa.
O deputado estadual Pedro Tobias estima que Bauru perde, por ano, cerca de R$ 6 milhões por não ter municipalizado o ensino fundamental. A Prefeitura não assumiu nenhuma escola de 1.ª a 4.ª série administrada pelo Estado até agora, mas nos últimos anos vem construindo escolas e assumindo novos alunos. Atualmente, já são seis escolas de ensino fundamental sob responsabilidade do município.
Aos 52 anos, sendo 32 dedicados ao Magistério, Vieira está retornando a Bauru depois de pouco mais de 10 anos. Ele foi professor em Bauru por muitos anos. Em 1990, mudou-se para Macatuba, como diretor de escola. Em 1995, tornou-se delegado de Ensino e logo depois assumiu o cargo de dirigente regional de Ensino em Lençóis Paulista.
No ano passado, com a extinção da Diretoria de Ensino de Lençóis Paulista, foi transferido para São Paulo, onde assumiu a Diretoria de Ensino Leste 2, responsável por 77 escolas que atendem 139 mil alunos. Ele disse que, nos 19 meses que ficou no comando da Diretoria de Ensino Leste 2, conseguiu atingir a meta da Secretaria Estadual de Educação, que era acabar com todas as quatro escolas de madeirite - que foram transformadas em alvenaria.
Nesse período, segundo ele, foram ampliadas seis escolas e construídas outras cinco unidades na região. Ontem, quando assumiu o cargo de dirigente de Ensino de Bauru, Vieira disse que ainda não tinha informações sobre a situação da rede estadual local, mas ressaltou que vai iniciar as conversações com a Secretaria de Educação no sentido de atender as necessidades de Bauru e região.
Sobre o trabalho que fará na Diretoria de Ensino de Bauru, Vieira, tido como uma pessoa de prestígio junto à secretária estadual de Educação, Rose Neubauer, afirmou que vai estar buscando recursos. Nesses cinco anos a gente aprendeu muito a trabalhar com a professora Rose. Toda vez que se faz uma defesa fundamentada, tem se conseguido um resultado satisfatório. Depende de como você faz os pedidos, disse.
Na alegação de Edinéa para seu pedido de exoneração está o fato de não ter conseguido nenhuma nova classe de aula para a Diretoria de Ensino de Bauru. Além de escola para a região que tem maior demanda de vaga, a região do Núcleo Mary Dota, Edinéa solicitou à Secretaria Estadual de Educação classes modulares.
Vieira disse que vai rever as solicitações já feitas pela Diretoria de Ensino de Bauru e voltar a conversar com Rose Neubauer, mas garantiu que o Estado, se for preciso, vai construir mais escolas. Ele afirmou que, nos últimos cinco anos, tem sido repassadas verbas para as escolas, para compra de materiais e para a Associação de Pais e Mestres (APM).
Hoje, Vieira tem reunião com os supervisores de ensino e com a equipe técnica da Diretoria de Ensino de Bauru. Ele pretende, até o final de fevereiro, visitar todas as escolas de Bauru e região. Os programas hoje desenvolvidos nas escolas estaduais em parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Polícia Militar devem ser mantidos. Vieira afirmou que pretende buscar novas parcerias, inclusive com as universidades locais.