09 de julho de 2026
Geral

Crítica e emoção marcam a posse de dirigente de Ensino

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

O novo dirigente regional de Ensino, Jair Sanches Vieira, 52 anos, que assumiu o cargo ontem, em substituição a Edinéa Sita Cucci, tem um desafio pela frente: administrar a Diretoria Regional de Ensino, responsável por 63 escolas estaduais em Bauru e região que atendem mais de 70 mil alunos, conciliando as reivindicações dos professores e a política da Secretaria Estadual de Educação.

Pelos discursos de representantes do Sindicato dos Professores da Rede Oficial de Ensino (Apeoesp) e do Sindicato de Especialistas de Educação do Magistério Oficial do Estado de São Paulo (Udemo) ontem, durante a posse de Vieira, que contou com a presença do coordenador de Educação do Interior, Élcio Selme, a tarefa não parece ser fácil. Duílio Duka de Souza, diretor da Apeoesp, criticou a política educacional do governo Mário Covas, cobrou que a escolha de dirigentes de Ensino seja feita por eleição (Vieira foi indicado para o cargo) e disse que se Vieira fechar as portas para negociações com os professores, Bauru vai ver um arrombamento de portas.

Em seu discurso de posse, Vieira, que é filiado ao PSDB, disse que estará aberto para conversações com os professores, diretores, supervisores e as entidades que os representam. Não venho para ser adversário das entidades, mas para somar. Sempre tenho tempo para receber os diretores e professores, disse. Ele adiantou que fará reunião mensal com as escolas e que, para maior transparência e até para que possa haver melhor troca de idéias, além do diretor, devem estar presentes à reunião o vice-diretor, o coordenador da escola ou um funcionário.

A presidente da Udemo, Maria José de Oliveira Faustini, também foi crítica no discurso durante a transferência de cargo. Ela afirmou que a Secretaria Estadual de Educação esqueceu de Bauru nos últimos cinco anos, referindo-se a reivindicações da Diretoria de Ensino que não foram atendidas. De nossa parte, cumprimos todos os projetos da educação, mas Bauru ficou esquecida esses cinco anos (durante a gestão de Edinéa), disse ela.

Edinéa, conforme informou o JC na edição de ontem, pediu exoneração do cargo porque disse que não tinha o apoio que esperava da secretária estadual de Educação, Rose Neubauer, e pouca autonomia para resolver as questões segundo sua linha de trabalho. A própria Edinéa disse que espera que Vieira, que teria bastante prestígio junto a Neubauer, consiga fazer mais do que ela por Bauru na área da educação.

Referindo-se ao suposto prestígio de Vieira junto à secretária estadual de Educação, Maria José disse que, agora, deverá ser fácil verba para pintar o prédio da Diretoria de Ensino e para reforma das escolas. Duka, em tom de aviso, disse ainda que se Vieira forçar a municipalização das escolas, vai enfrentar uma rocha de contrariedade. Ele também cobrou do novo dirigente de Ensino uma solução para o caso dos professores contratados, que foram dispensados no final do ano passado e não têm garantia de emprego neste ano.

A solenidade de transferência de cargo também teve momentos de emoção. Edinéa, que desenvolveu um trabalho técnico considerado muito bom frente à Diretoria de Ensino de Bauru nos últimos cinco anos, estava bastante emocionada. A maioria dos presentes no auditório da Diretoria de Ensino - diretores de escola, supervisores de ensino, professores, deputado estadual Pedro Tobias e pessoas ligadas à área de educação - aplaudiu Edinéa.

A presidente da Udemo, no seu discurso, elogiou Edinéa ao mesmo tempo que criticou a Secretaria Estadual de Educação. Você marcou a educação (referindo-se a Edinéa). Se não teve reconhecimento dos homens, tem dos amigos e tem de Deus, disse. Duílio Duka disse que, apesar das celeumas, Edinéa nunca deixou de abrir as portas para negociar com a Apeoesp.