08 de julho de 2026
Geral

Spíndola diz que preside 3 PSDBs

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 4 min

Segundo ele, um trabalha pela volta de Tobias, outro quer Tuga Angerami e o terceiro tenta resgatar o partido

O presidente do diretório municipal do PSDB, Rubens Spíndola, admitiu ontem que o partido está passando por problemas internos sérios. O tucano concorda com Edson Aparecido, presidente estadual da legenda, de que o diretório bauruense precisa passar por oxigenação, mas discorda da possibilidade de retorno de antigos filiados.

Em entrevista publicada ontem pelo JC, Edson Aparecido atribuiu o enfraquecimento do PSDB em Bauru às divisões internas do partido e à visão sectária de sua direção, que culminou com o afastamento de vários filiados. As declarações do presidente estadual foram uma resposta às críticas feitas por Rubens Spíndola sobre a destituição de Edinéa Sita Cucci como dirigente regional de ensino.

O PSDB de Bauru tem hoje três divisões: a que trabalha pelo retorno de Pedro Tobias, a outra que quer a vinda de Tuga Angerami e a terceira que luta pelo PSDB, da qual participo. Todos sabem disso, inclusive o Edson Aparecido, que tem conhecimento sobre quem trabalha contra o partido, mas não sei se tem interesse em solucionar esse problema, acusa Spíndola.

Para o presidente municipal, se a direção estadual tivesse real interesse em solucionar a crise interna tucana, teria agido antes para expulsar membros que conturbam os projetos partidários. Ainda de acordo com ele, a ação desses filiados é antiga e teve início na gestão anterior do diretório, presidida por Carlos Ladeira.

Esse presidente assistiu à debandada de vários filiados e nada fez para impedi-la, por isso, não posso ser acusado pela crise do PSDB, que é anterior à minha gestão. Da minha parte sempre trabalhei pelo bem do partido. Minhas atitudes na Câmara Municipal sempre foram em defesa do governador e do presidente, afirma.

Por essa razão, Spíndola se diz contra a oxigenação partidária feita com antigos filiados, proposta por duas facções internas. Precisamos valorizar os legítimos tucanos e gente que possa somar, caso de Nilson Costa, Dudu Ranieri e Carlos Braga. Dos dissidentes, a única exceção é Caio Coube, hoje no PTB, que se mostrou um defensor do governo, opina.

O tucano avalia que trazer Pedro Tobias (PDT) e Tuga Angerami (PSB) pode desprestigiar os quadros partidários, uma vez que os dois trabalham contra os governos estadual e o federal. E vai além: se os antigos filiados retornarem, será ele quem avaliará sua situação dentro do partido.

Em relação ao pedetista, as críticas são mais contundentes. Pedro nunca foi digno do apoio dado pelo PSDB de Bauru a sua candidatura. Aliás, ele atribuiu sua derrota à coligação com nosso partido, quando, na verdade, quem saiu perdendo foram os tucanos bauruenses, que sabiam da inviabilidade de sua candidatura, mas foram obrigados a aceitá-la por imposição da direção estadual do PSDB, afirma.

Com essa afirmação, Spíndola nega a declaração feita por Edson Aparecido de que a direção estadual sempre apoiou o lançamento de uma candidatura própria do PSDB à Prefeitura de Bauru. Nunca houve esse apoio, eles sempre trabalharam pela coligação do partido com o PDT, mas agora, com a derrota nas urnas, está difícil admitir o erro. Sem candidato em Bauru, perdemos várias prefeituras na região, avalia.

Para o presidente tucano, a única solução para resolver o impasse interno do PSDB local está no diálogo entre as direções estadual e municipal. Se tivéssemos conversado antes, o problema poderia começar a ser resolvido. Ele poderia, por exemplo, me telefonar, sugere Spíndola, que mantém a história de que Edson Aparecido não atende seus telefonemas desde o fim das eleições municipais.

Tobias e os tucanos

O presidente estadual do PSDB, Edson Aparecido, confirmou, em entrevista por telefone ao JC, que a direção estadual do partido mantém boas relações com o deputado estadual Pedro Tobias (PDT).

Na edição de anteontem, Rubens Spíndola, presidente do diretório municipal tucano, acusou a direção estadual de dar mais ouvidos ao deputado pedetista e a membros do PDT infiltrados no PSDB local do que à própria direção municipal.

O deputado Pedro Tobias é um aliado do governador Mário Covas aqui em São Paulo. Em todos os projetos do governador, o deputado vota favoravelmente, foi assim no final do ano, no orçamento e em vários projetos importantes. Então, nós não estamos preocupados com isso. O PSDB está preocupado em se preparar para 2002, em abrir o partido, em dar consistência e musculatura aonde há fragilidade, e Bauru é uma cidade onde isso acontece, desconversa.

Apesar do ótimo relacionamento que a direção estadual mantém com o parlamentar pedetista, Edson Aparecido garantiu que não convidou Tobias a integrar o PSDB. Esse convite deve partir do diretório municipal, mas é claro que seria ótimo termos o deputado em nossos quadros, afirma.

Edson Aparecido negou ainda que não tenha atendido telefonemas de Spíndola. Em matéria publicada na edição de ontem, o presidente municipal tucano disse que o parlamentar não estaria respondendo seus telefonemas desde o término das eleições municipais. Não é verdade, ele sequer me ligou. Não sei de onde ele tirou isso. No ano passado, estive em Bauru por seis vezes. Além disso, converso diariamente com vários presidentes do partido de cidades paulistas, retrucou.