08 de julho de 2026
Geral

Menor morre em troca de tiros com PM

Rita C. Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

O adolescente morava no Parque Jaraguá e, segundo a PM, começou a atirar ao perceber que estava cercado

O adolescente H.R.S., 16 anos, foi morto em uma troca de tiros entre policiais militares, ontem pela manhã, no Parque Jaraguá. Os policiais apreenderam um revólver cano longo, calibre 22, seis polegadas, numeração raspada, que estaria com a vítima.

A troca de tiros aconteceu por volta das 9h30, na quadra 18 da rua 4, próximo de onde o adolescente morava. Segundo a polícia, uma informação ao Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) dizia que um fugitivo da Febem estava exibindo uma arma nas imediações.

Uma equipe da Base Comunitária Noroeste foi para o local e constatou que dois rapazes, um deles armado, caminhavam pela rua 4. Ao avistarem os policiais, eles tentaram a fuga. Foram perseguidos e o adolescente H.R.S. entrou em um matagal que faz fundos com uma casa desocupada. O outro rapaz conseguiu fugir sem ser identificado.

H.R.S. subiu no telhado da casa 5-38 da rua 3 e teria atirado contra os policiais, que revidaram, versão contestada pela família (leia mais nesta página). A telha de amianto quebrou e ele teve que pular para uma área em frente à casa. Assim que pulou no terreno, H.R.S. teria observado que estava cercado e começado a atirar. Os tiros foram revidados.

O adolescente foi alvejado quando estava no terreno e socorrido pela própria viatura policial ao Pronto-Socorro Central, onde morreu. O revólver encontrado com o adolescente estava com quatro cápsulas deflagradas e era de procedência duvidosa. Tinha a numeração raspada.

Segundo o comandante interino da 1.ª Cia., tenente Flávio Jun Kitazume, o adolescente era suspeito de ter participado de vários roubos, o que também é contestado pela família. Ele é acusado de ter molestado uma menina e estar envolvido em três ou quatro roubos, disse.

Diferente da informação passada ao Copom, H.R.S. não era fugitivo da Febem. Até o final da tarde de ontem, a polícia não tinha confirmação de que o adolescente estava envolvido em algum delito. Ainda ontem, o delegado do 1.º Distrito Policial, Ronaldo Divino, instaurou inquérito para apurar as circunstâncias da morte do menor.

O comandante da Base Noroeste, tenente Renato Ramos, não divulgou os nomes dos policiais que participaram da ocorrência. Vamos instaurar um inquérito policial militar, a fim de apurar as circunstâncias que ocorreram os tiros, disse. Ele acredita que os policiais agiram em legítima defesa.

Lei do silêncio

Embora, a troca de tiros tenha chamado a atenção dos moradores do Parque Jaraguá, a lei do silêncio mais uma vez predominou. Ninguém sabia quem era a vítima e nem onde morava. A polícia só identificou o adolescente horas depois dele ter morrido.

Até para conseguir testemunhas a polícia teve dificuldades. O local ficou repleto de gente. Todos queriam saber e ver o que tinha acontecido. A polícia cercou a casa e não permitiu a entrada.