Mais de oito milhões de brasileiros sofrem de uma doença que a sociedade não conforta, ao contrário, discrimina - o alcoolismo.
Entre esses milhões estão as mulheres, que carregam uma dupla culpa: o álcool e o dedo do preconceito apontado para a sua dependência.
Vexada, flagrada num vício masculino, ela toma a primeira providência no sentido contrário da cura: esconde as garrafas. O Brasil disputa a liderança mundial no consumo de bebidas alcoólicas com uma respeitável marca de 13,5 litros por habitante ano. E isso representa um índice incalculavelmente alto de prejuízos sociais, como por exemplo, elevado número de acidentes de trânsito, grande incidência de invalidez para o serviço, distúrbios sociais ligados à vadiagem e criminalidade, além de baixa produtividade econômica. O problema do alcoolismo tem crescido sensivelmente nos últimos anos. Nos dias atuais, cerca de 60% dos pacientes do sexo masculino internados em hospitais psiquiátricos são provenientes do abuso do álcool (que o diga o INSS!). O problema ainda adquire maior gravidade com a constatação de que cada vez mais rejuvenesce a faixa etária da população viciada no álcool. Isso se deve a uma situação social de liberação e o fato de não haver controle algum sobre o acesso ao álcool e nem tampouco uma proibição de venda para menores (se existe, não é fiscalizada). Outro número assustador: pelas estatísticas do Detran, em 15 acidentes de automóvel, seis são decorrentes do consumo abusivo de bebidas alcoólicas.
Estima-se que haja hoje no Brasil de 9 a 16 milhões de alcoólatras. As conseqüências são a queda da produtividade no trabalho, a queda dos valores morais, o excesso de gastos que prejudicam o bolso e a saúde do brasileiro comum, dentre outras.
A sociedade cada vez mais vê com maus olhos o consumidor das drogas alcoólicas, e talvez, dadas as dimensões dos números levantados, o álcool entre brevemente para o rol das drogas cujo uso a lei rotula como crime... (João Álvares - Da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado de S. Paulo)