A família de Izabel Aparecida Ferreira, 29 anos, passou uma semana de desespero. Ela sumiu do Pronto-Socorro Central, onde foi internada no último dia 8, com convulsões, e só foi reencontrada ontem à noite, internada com outro nome na Sociedade Beneficente Cristã (antigo Paiva).
Izabel mora no Jardim Redentor com uma irmã, tem dois filhos e sofre de epilepsia (doença que causa perda dos sentidos e convulsões) e de disritmia (disfunção do ritmo cardíaco, cerebral, etc). Ivanilce Aparecida Ferreira, irmã de Izabel, registrou dois boletins de ocorrência relatando o desaparecimento e está questionando a responsabilidade do Pronto-Socorro.
A informação obtida por Ivanilce no PS, no dia seguinte ao da internação de Izabel, foi de que sua irmã teve alta e por isso deixou a unidade de saúde. Como Izabel não apareceu, Ivanilce retornou ao PS e foi informada de que sua irmã havia abandonado a unidade de saúde.
Sem saber o que realmente ocorreu com sua irmã, Ivanilce ficou muito preocupada. Ela contou que Izabel toma remédios de uso controlado, incluindo Gardenal, diariamente. Na falta desses remédios, ela passa a ter convulsões e perde a memória, não sabendo dizer nem o seu próprio nome.
A diretoria do Departamento de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde, Marília Simões Garcia, após consultar a ficha de Izabel, disse ao JC que a paciente realmente abandonou o PS. A última anotação sobre Izabel feita pela equipe médica foi às 6h50 do dia 9.
Marília ressaltou que a família tem direito a uma cópia da ficha de internação da paciente e era só solicitá-la para saber exatamente o que ocorreu. Segundo ela, na ficha não foi anotado que Izabel tinha qualquer doença mental ou dependia de remédios controlados.
Durante a semana, Ivanilce procurou Izabel em outros hospitais, no Albergue Noturno e na própria Sociedade Beneficente Cristã. O receio dela era que Izabel estivesse na rua, passando necessidades. Izabel foi internada no dia 8 à tarde e às 9 horas do dia 9, quando Ilvanice retornou ao Pronto-Socorro para visitá-la, não mais a encontrou.
De acordo com Ivanilce, na ficha de internação de Izabel constava o seu nome e telefone, exatamente para que fosse informada sobre qualquer coisa envolvendo sua irmã. Marília explicou que há um vigia na porta do PS, mas em função da grande movimentação de pessoas na unidade de saúde, é difícil identificar entre os que saem se alguém é ou não paciente.
Sobre o procedimento do Pronto-Socorro na hora da alta médica, Marília explicou que se o paciente estiver bem de saúde, não há necessidade da presença de um acompanhante. Se o paciente tiver condições de ir embora sozinho, nós liberamos. Só quando é um paciente com seqüelas, não está muito bem ou é idoso que requisitamos um acompanhante para a liberação, disse.
Ivanilce, que cuida de Izabel e seus dois filhos há vários anos, cobra uma explicação do Pronto-Socorro. Acho que é um desrespeito com o ser humano. Nem informação clara nos deram. A minha irmã, sem os remédios, é como uma criança crescida. Ela poderia estar na rua, doente, passando fome, disse.
A filha menor de Izabel, Élida Maria Ferreira, 7 anos, sofreu muito com o desaparecimento da mãe, precisando, inclusive, de atendimento médico. Ontem à noite, Izabel foi encontrada no Paiva, onde estava internada com outro nome.