10 de julho de 2026
Geral

Lima Verde vai propor revisão do acordo de retenção de café

Ricardo Polettini
| Tempo de leitura: 4 min

O vice-presidente da Federação de Agricultura do Estado de São Paulo, Maurício Lima Verde, juntamente com membros do Conselho Deliberativo de Política Cafeeira no Brasil, estarão se reunindo, na próxima quarta-feira, para discutir aspectos internos, de interesses nacionais e estaduais, sobre a crise do mundial do café.

A reunião visa levantar propostas para serem levadas a Londres, no próximo dia 26 de janeiro, quando membros da Associação dos Países Produtores de Café (APPC) rediscutirão o plano de retenção do produto. O plano, determinado em maio do ano passado, propunha que os países da APPC retivessem 20% de sua produção em estoque, a fim de que o preço do café fosse alavancado no mercado internacional.

Segundo Lima Verde, embora o Brasil e a Colômbia - os dois maiores produtores mundiais - tenham aderido à proposta do acordo internacional, outros países com produção menor, como o Vietnã e a Indonésia, não estariam cumprindo a determinação do plano, prejudicando suas metas iniciais.

Para ele, essa é a principal causa da redução do preço da saca do café no mercado internacional. Acredito que a retenção da produção ainda é o melhor caminho para reverter a crise. Mas essa questão terá que ser reavaliada, pois alguns países não cumpriram com o acordo assinado, o que fez com que o preço caísse ainda mais, afirma.

Pior momento

De acordo com Lima Verde, o café no Brasil está com seu preço mais baixo dos últimos 10 anos, cerca de US$ 50,00 a saca, enquanto o preço de produção chega perto dos US$ 130,00. A situação está muito complicada para o produtor brasileiro, confirma.

Analistas econômicos criticam a medida tomada sobre a retenção do café, alegando que o Brasil deixou de ganhar cerca de US$ 500 milhões com a adoção da medida, enquanto que outros países aumentaram suas exportações.

Não existe nenhum fator técnico e climático que possa modificar o preço do café. O problema é que, enquanto há uma produção mundial de 115 milhões de sacas, o consumo só chega a 105 milhões. Por isso defendo que a questão da retenção seja reavaliada e não suspensa, pois a única forma de reverter o excesso de oferta, é não vender o produto, avalia.

Guerra de preços

Para Lima Verde, na situação atual, seria inviável para o Brasil partir para uma guerra de preços com os outros países produtores e abrir mão da retenção no mercado. As últimas colheitas têm sido pequenas e o produtor brasileiro não terá como enfrentar o mercado, a não ser que o governo garanta essa produção financeiramente, ajudando o produtor a permanecer no setor, disse.

Bauru e região

Na região produtora em que Bauru está inserida, alguns municípios têm sua economia baseada em até 95% em cima do café. Isso significa que a crise acaba prejudicando não só os produtores, mas diversos outros que estejam ligados a eles, direta ou indiretamente.

A curto prazo, Lima Verde conseguiu que o Banespa adiasse todos os compromissos com dívidas de produtores de café para março. A medida, considerada pontual, atinge de 60% a 70% dos produtores do Estado de São Paulo.

Utopia

Na última semana, o Brasil, em conjunto com outros países produtores de café da América Latina, decidiram propor um plano para alavancar o consumo do produto em 5% nos próximos cinco anos. Para isso, países como El Salvador, Costa Rica, Colômbia e Brasil investirão melhoria da qualidade do café visando os mercados centrais (EUA e Europa).

Para Maurício Lima Verde, esperar um aumento de consumo para reverter a crise soa um tanto utópico. Pode acontecer de aumentar o consumo no mundo, mas não se sabe quando, pois envolve até mesmo questões culturais de outros países. É um retorno muito lento, que não entra no nosso dia-a-dia. É uma utopia fazer com que o chinês troque o chá pelo café, por exemplo.

Proposta prevê adiamento de dívida de R$ 1 bilhão

Entre os aspectos da crise interna do café, Maurício Lima Verde aponta um estoque de dívida de cerca de R$ 1 bilhão dos produtores brasileiro que estariam vencendo com seus credores. Para ele, essa dívida teria que ter seu prazo ampliado até que o governo tome alguma decisão.

Outra proposta que Lima Verde levará à reunião com o Conselho Deliberativo de Política Cafeeira, nesta semana, será a de o governo se comprometer em comprar 2 milhões de sacas de café para seus estoques.

Ainda dentro das reivindicações, será pedido o aumento de limite de financiamento de R$ 40 mil por ano para R$ 150 mil. A idéia é, se não equiparar, pelo menos chegar próximo ao limite de crédito dos produtores de soja, algodão e milho, perto que é de R$ 200 mil.