08 de julho de 2026
Geral

Eadi movimentou US$ 65 mi em 2000

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 5 min

A Estação Aduaneira Interior (Eadi) de Bauru recebeu, em 2000, um volume de cargas, entre exportação e importação, de 29,174 mil toneladas, o que gerou uma movimentação financeira de US$ 64,963 milhões. Segundo Wilson Batista Souto, presidente da Companhia Paulista de Armazéns Gerais Aduaneiros Exportação e Importação (Cipagem), que administra a Eadi, o resultado pode ser considerado ótimo, apesar de financeiramente ainda não ter sido o ideal, pois as receitas ainda não cobriram as despesas. Porém, o grande crescimento obtido pela Eadi, que movimentou mais de R$ 69 milhões, partindo do zero, é considerado o ponto positivo.

Souto destaca que o mercado da região está sendo prospectado. A projeção para 2001 é de triplicar o valor movimentado no ano passado. De acordo com ele, a parceria com a Ferropasa (holding que controla a Ferroban e a Novoeste) para extensão de um ramal ferroviário até dentro da unidade aduaneira deve ser responsável por um incremento de cargas que hoje utilizam outros caminhos.

O presidente da Cipagem destaca que o ramal ferroviário vai permitir que as cargas sejam enviadas ou recebidas da Eadi. A vantagem é a redução de custo no transporte, que deve ficar em torno de 50%, e está sendo negociada pelo diretor comercial Antônio Grillo Netto, ex-superintendente regional da antiga Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA).

O novo aeroporto regional, que está sendo construído na rodovia Bauru-Iacanga deverá trazer um bom volume de cargas para a Eadi. Para Souto, o aeroporto de Bauru deverá se tornar uma opção para os aeroportos de Viracopos, em Campinas, e Cumbica, em Guarulhos, que operam com sobrecarga.

O executivo lembra que o maior mercado consumidor brasileiro é a região da Grande São Paulo e o segundo é o Interior do Estado. Com isso, muitas empresas devem se utilizar do aeroporto de Bauru para fugir do congestionamento dos atuais.

Outros fatores que deve aumentar o volume de carga da Eadi-Bauru são duas Instruções Normativas da Receita Federal: 55 e 56, que vão possibilitar que empresas instalem montadoras dentro da área da Eadi, como forma de importar peças e exportar mercadorias prontas, sem pagar os impostos brasileiros, na chamada operação drawback.

Até agora, esse tipo de operação tinha uma limitação de 40%, ou seja, somente esse percentual poderia ser descontado nas importações de componentes para montar aparelhos que seriam exportados. Com a nova sistemática, a montadora poderá fazer drawback de 100%.

Porém, essas empresas terão que funcionar dentro da Eadi. A de Bauru está instalada em uma área de 75 mil metros quadrados, que podem ser usados para a construção de novas instalações para essas empresas. As empresas vão ganhar dinheiro sem dispor do dinheiro antes, em razão do sistema que pode ser implantado, no qual se paga o tributo apenas no momento da nacionalização (venda), o que é uma grande vantagem, afirmou.

Souto destaca que a cultura de utilização do Eadi pelas empresas ainda está se consolidando. Porém, as importações que passam pela Eadi, em valor movimentado, ainda são maiores que as exportações, que têm maior volume de peso, ou seja, as mercadorias importadas pela região têm maior valor do que as exportadas.

Para se ter uma idéia, em 2000, as exportações que passaram pela Eadi-Bauru totalizaram 16,103 mil toneladas, num total de US$ 25,811 milhões. Enquanto isso, o volume importado foi de 13,070 mil toneladas, num valor de US$ 39,153 milhões.

As maiores empresas exportadoras da região são a Tilibra, a Volvo e a Bel Produtos Alimentícios de Marília. Em relação às importações, a ordem se inverte, figurando a Volvo em primeiro, seguida por Tilibra, Grupo Jacto, de Pompéia, e a J. Shayeb.

O presidente da Cipagem acredita que menos de 10% das importações e exportações da região estão passando por Bauru. Ele estima que, para que a unidade passe a dar lucro será necessário que movimente US$ 300 milhões. Esse valor deve ser atingido quando a Eadi-Bauru estiver em atividade plena e 20% a 30% das importações e exportações estiverem passando pela unidade. Pelas projeções da empresa, isso deve ocorrer no final deste ano. Os investimentos na instalação da Estação Aduaneira chegaram a R$ 2,7 milhões.

Trabalho da Receita facilita para o cliente

Wilson Batista Souto, presidente da Companhia Paulista de Armazéns Gerais Aduaneiros Exportação e Importação (Cipagem), que administra a Eadi, disse que o trabalho realizado pela Delegacia da Receita Federal de Bauru facilita a vida dos usuários da Estação, à medida que é bem feito.

De acordo com Souto, os fiscais da Receita que atuam na Eadi são eficazes no que fazem e realizam, de forma rápida, o trabalho. Numa Eadi onde a fiscalização não funciona, ela não funciona. O mérito está nos fiscais que estão trabalhando aqui, com vontade e coordenados pelo delegado Celso Pegoraro, afirmou.

Redex em Marília pode ser obstáculo

O titular da Delegacia da Receita Federal, em Bauru, Celso Gomes Pegoraro, acredita que o crescimento dos números de exportação da Eadi-Bauru possa ter alguns obstáculos, como a criação de um Recinto de Exportação (Redex) em Marília, que pode captar parte das exportações que passariam pela Estação.

O Redex tem um fiscal da Receita que faz a liberação das cargas. Na região, já existe um no frigorífico Bertin, que exporta cerca de 30 conteiners por dia. O Ciesp de Marília é que está tentando a instalação do Redex.

Pegoraro diz que as Eadis, em geral, não estão tendo o movimento que previam, em razão, talvez, de uma mudança de postura dos portos e aeroportos, aliada a uma confiança mútua entre empresas e despachantes aduaneiros, que fazem com que as cargas permaneçam nos antigos locais.

O delegado destaca que o aeroporto de Ribeirão Preto deve ganhar o status de internacional, o que deve promover um incremento no volume de cargas que passam pela Eadi daquela cidade. Quando sair o aeroporto internacional em Bauru, pode ser que a Eadi também tenha um incremento na quantidade de cargas, afirmou.