O valor das guias de exportação emitidas pela regional de Bauru do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) registrou um crescimento de 153,18%, em 2000, se comparado com o ano anterior, saltando de US$ 8,4 milhões, em 1999, para US$ 21,268 milhões. Segundo José Luiz Miranda Simonelli, diretor regional do Ciesp, os números são considerados parcialmente positivos, pois exportar mais não significa que está havendo um crescimento da indústria. A tendência é de alta nas vendas externas.
De acordo com dados do Ciesp sobre a emissão de certificados de origem (documento exigido para venda no comércio exterior), durante o ano 2000, os números, que são parciais, pois há outros caminhos para registro de exportações, sobre produtos industrializados exportados apurados pelo Ciesp foram superiores, em todos os meses, se comparados com os mesmo meses do ano passado, sendo o maior crescimento verificado em janeiro, com 538,79% e o menor de 8,42%, verificado em novembro.
Simonelli destaca que a alta do dólar favoreceu a competitividade das mercadorias brasileiras no exterior. Além disso, afirmou que a cultura de exportação está ficando mais sedimentada entre os industriais nacionais. Ele diz, porém, que não houve nenhum mérito da equipe econômica do governo, pois não se proporcionou nenhum incentivo à produção, e os resultados foram um esforço puro e simples da comunidade empresarial.
Os setores da região que mais se destacaram no comércio exterior foram o gráfico, de plásticos, de baterias e alimentício.
Para o diretor regional do Ciesp, a tendência, agora, é continuar o crescimento das exportações da região, em razão das restrições impostas pelo mercado interno.
Ele diz, no entanto, que a é necessário ter cuidado com a implantação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Segundo ele, enquanto a competição está no Mercosul, a situação dos exportadores é uma. Mas, quando a Alca for operacionalizada será muito mais difícil, pois os produtos norte-americanos e canadenses tendem a canibalizar os nacionais. Ainda não estamos preparados para encarar a Alca. Isso vai ser o nosso fim, se a equipe econômica do governo não tiver a consciência que o empresariado tem, de que a Alca deve ser muito bem pensada, afirmou.
Para ele, o interesse das empresas em vender no mercado externo vem aumentando. Na análise de Simonelli, grande parte das empresas está preparada para exportar. Porém, algumas ainda precisam se adaptar.
O diretor do Cisp disse que exportar é importante, mas é preciso lembrar que o Brasil tem um mercado enorme e os produtos não estão sendo consumidos internamente porque falta dinheiro para o consumidor. Ele critica, ainda, a taxa de juros de crédito cobrado do consumidor, que é uma das mais altas do mundo.
Crescimento real
O delegado de Bauru do Conselho Regional de Economia (Corecon), Reinaldo César Cafeo, destaca que, por ser registrado em dólar, o crescimento verificado pelo Ciesp é real. Ele afirma que, em termos de desempenho global, a região tem o Mercosul como carro chefe: representava 50% das exportações da região, em 1999, aumentando essa participação para 78% no ano 2000. De acordo com ele, esse crescimento foi em detrimento ao Mercado Comum Europeu e Chile.
Cafeo analisa que todas as regiões apresentaram crescimento no volume sendo a mais expressiva o Chile. Todavia, esse crescimento não é significativo à medida que o Mercosul representava 50% do total, ou seja, um incremento nessa região puxou para cima sua participação.
O delegado diz que é necessário considerar que as exigências, do ponto de vista de qualidade e preços, são menores no Mercosul. Além do mais, apesar se observar um travamento no Mercosul, as facilidades alfandegárias garantem maior rapidez nas negociações.
Cafeo diz que, em termos globais, estimando que as exportações do Brasil devem chegar, em 2000, a US$ 55 bilhões (US$ 50,427 bilhões até novembro), a região participa em 0,039% do total exportado, o que é ainda incipiente. Em 1999, participamos em 0,017%, 121% de crescimento. De qualquer maneira, a conquista do mercado externo garante a manutenção da estrutura fixa das empresas à medida que esse mercado pode ser a alternativa quando há sazonalidade, afirmou.
Ele lembra, porém, que as importações do País cresceram no ano passado, mas não foi possível reduzir as importações. Isso porque, no início do Plano Real, houve a opção de renovar boa parte do parque tecnológico com equipamentos importados. Assim, é necessário repor peças ou renovar esse parque tecnológico.
Cafeo diz que, do ponto de vista prático, é necessário ampliar muito mais as exportações, para garantir o nível de importações. O que aconteceu em nível local é, de certa forma, um reflexo do que vem ocorrendo nacionalmente. É por isso que temos déficit na balança comercial, afirmou.