08 de julho de 2026
Geral

Desemprego aumenta trabalho informal

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Um dos maiores reflexos da necessidade de aumentar a renda familiar é o aumento significativo do número de trabalhadores na economia informal. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Economia Informal de Bauru (Sinteib), Mário Augusto dos Santos, atualmente existem cerca de 33 mil pessoas atuando nesse setor, na cidade.

A explosão, desde o início do Plano Real, da quantidade de pessoas que encontraram na economia informal uma forma alternativa de aumentar a sua renda, é incrível. Segundo Santos, em 1994, existiam 60 ambulantes em Bauru (sendo 33 com barracas na Praça Machado de Mello e 27 espalhados pela área central). No ano passado, o levantamento do sindicato foi encerrado com 386 ambulantes e permissionários atuando na área central da cidade, sem contar com as pessoas que ficam nos bairros afastados do centro. Isso significa um aumento de 543,3%.

O Plano Real fez com que muitas pessoas tivessem que buscar uma forma de renda alternativa. Por isso, o setor da economia informal cresceu tanto. Existem, nessa área, pessoas com nível universitário que perderam o emprego e encontraram uma saída na economia informal. Costumo dizer que o sonho de estabilidade que os brasileiros tiveram no início do Plano Real, terminou em pesadelo, observa Mário dos Santos.

Na cidade de São Paulo, atualmente existem mais de 30 mil camelôs e 1,46 milhão de profissionais autônomos. O índice dos que não conseguem carteira assinada cresceu 85% na década de 90, na Capital paulista. O trabalho informal explodiu devido ao desemprego, que, em 1990, tinha um índice de 9,7% e, nove anos depois, passou para 17,9%.

O mercado informal explodiu nos últimos anos e, em contrapartida, o governo está apertando o máximo que pode em termos de tributação. Os tributos federais, no ano passado, giraram em torno de R$ 176 bilhões, um recorde. O governo faz isso porque sabe que muita gente está passando do formal para o informal, tanto o empregado, quanto o empregador. O patrão prefere contratar alguém que não precise ser registrado. É uma situação que o próprio Governo criou com o Plano Real, para deixar a inflação baixa, mas, acaba desajustando todo o sistema econômico. Tudo em nome de uma inflação fictícia, diz Said Yusuf.

O cálculo da inflação, segundo o economista, depende muito do método utilizado, já que existem diversos métodos e vários institutos que calculam a inflação, apontando índices sempre diferentes. Se você tomar como base uma família de classe média para fazer o cálculo da inflação de um período para o outro, será possível constatar que ficará muito além daquilo que o governo coloca como sendo oficial. A inflação oficial apontada aos brasileiros é falsa. O governo mente descaradamente para a sociedade, aponta Said Yusuf.

Para o economista Wagner Ismanhoto, conseguir chegar a um indíce inflacionário é uma prática muito subjetiva. Falar sobre índices de inflação é complicado. Os critérios utilizados são muito subjetivos. Se eu trabalhar como viajante, por exemplo, e você não tiver carro, os reflexos para cada um de nós serão diferentes, porque você não terá gastos com combustível. Na verdade, é possível dizer que cada um tem a sua inflação, observa.