Apesar do bom resultado trazido pelos dias quentes, os comerciantes reclamam que as vendas são menores do que o previsto
Os dias quentes de verão fazem aumentar o consumo de produtos como sorvetes e sucos. Donos de sorveterias confirmam o crescimento das vendas nessa época. Porém, reclamam de queda no faturamento em relação ao verão anterior (final de 99 e início de 2000). Conseguem melhores resultados os estabelecimentos que comercializam ambos os produtos: suco e sorvete.
Na primeira sorveteria consultada, o proprietário Luiz Carlos Quatrina reclama de queda no consumo de sorvetes em relação ao verão passado. Eu tenho uma clientela fixa que está sempre por aqui. Mas, considerando a época do ano e os dias quentes que têm feito, a sorveteria deveria estar com bem mais movimento. No verão passado foi um pouco melhor. Acredito que isso é um reflexo da situação dos brasileiros, mesmo, que estão evitando gastos. Todos os comerciantes com quem eu mantenho contato estão reclamando, observa Quatrina .
Em outra sorveteria, a proprietária Vilma Viotto Coelho diz que o movimento está bom, desde o final do ano passado. Porém, no verão de 99 para 2000 o faturamento foi maior, observa a comerciante. O movimento está bom desde o final do ano, todos os dias. Nos finais de semana, a sorveteria tem ficado bem cheia. Mas, no verão passado, o consumo era maior. Acho que as pessoas estão fazendo contenção de gastos, mesmo, observa.
De acordo com Vilma, num dia bom o consumo de sucos gira em torno de 100 litros. Durante a semana, a venda de sucos é maior do que a de sorvetes. Nos finais de semana, as vendas se equilibram entre os dois produtos, segundo Vilma.
O sócio-proprietário de outra sorveteria consultada, Edgar Ferrari, diz que houve uma queda de aproximadamente 60% nas vendas durante os primeiros doze dias do mês, em relação a dezembro. O movimento de dezembro foi ótimo. No início desse mês, tive uma queda em torno de 60% nas vendas. Mas, agora já está havendo uma recuperação com esses dias mais quentes, conta. Mesmo satisfeito, o comerciante diz que, no ano passado, as vendas estavam bem melhores.
De acordo com Ferrari, os carrinhos da sorveteria que ficam circulando pelas ruas da cidade, voltam vazios. Cada carrinho sai da sorveteria com uma média de 90 unidades e a maioria dos vendedores vendem tudo, segundo Ferrari.
Durante o verão, essa sorveteria produz, diariamente, três mil picolés, com exceção dos sorvetes de massa. Para se ter uma idéia, a conta de energia elétrica da sorveteria chega a R$ 2 mil por mês durante o verão, segundo conta Edgar Ferrari. No inverno, os sorvetes são fabricados somente uma vez por semana e a conta de energia cai para cerca de R$ 300,00. Rodrigo Leme da Silva, que trabalha na rua com um carrinho de sorvetes, diz que as vendas estão boas. Segundo ele, tem vendido uma média de 15 picolés por dia, além de algumas unidades dos sorvetes mais caros, como os de Itu.
Gumercindo Martins, que costuma ficar no cruzamento das avenidas Nações Unidas e Rodrigues Alves vendendo sucos de laranja e maracujá, diz que, no ano passado, as vendas estavam melhores. Cada garrafinha de 500 ml ele comercializa por R$ 1,00. Ontem, das 9h30 até as 16 horas, Gumercindo tinha vendido nove garrafas. Essa quantidade não é muito boa. Acho que as pessoas estão sem dinheiro e comprando menos, diz.
Outro vendedor de sucos, Aristides Alves Firmo, disse que, ontem, vendeu 20 garrafas entre meio-dia e 16h15. O movimento está razoável mas não dá para tirar uma média de vendas. Tem dias que eu vendo 30 garrafinhas. Em outros, vendo só 15. Por enquanto, está razoável, mas já foi melhor, diz Firmo.
Júlio Fuentes Fernandes Filho, que é sócio em uma barraca de venda de água de coco, diz que está satisfeito com o movimento. Segundo ele, por dia, estão sendo comercializados de 70 a 80 cocos, este mês. Em dezembro, quando a cidade tinha um grande número de pessoas de fora passando as festas de final de ano, ele chegou a vender uma média de 150 cocos por dia.