Há mais de cinco anos se discute a criação da Alca (Área de Livre Comércio das Américas). É a tentativa de se estabelecer uma integração comercial em todo o hemisfério. Mas a coisa não é tão simples assim. Envolvem inúmeros interesses e dúvidas sobre sua eficácia prática.
Os nacionalistas entendem que o Brasil, por exemplo, ficará refém dos Estados Unidos. Já os liberais entendem que é uma maneira de colocarmos nossos produtos de forma mais intensa em todos os países envolvidos. Na verdade, cada segmento tem sua razão.
Os EUA querem encerrar a discussão até 2003 e colocar em prática em 2005. Fica a dúvida: o que fazer? Continuar o debate. Falta-nos experiência na atuação em bloco. O próprio Mercosul não deslanchou como era esperado.
Temos que avaliar que o mercado americano é imenso, mas também devemos considerar que seu domínio comercial é evidente. Além do mais para um país que se diz liberal, os EUA protegem demasiadamente seu mercado interno.
Enfim, o mundo dá claras demonstrações de que a saída é atuação em bloco, com cooperação. Temos a União Européia, os Tigres Asiáticos, entre outros. O que não podemos fazer é simplesmente fugir ao debate.
Somos, atualmente, muito desiguais para um acordo justo, todavia, devemos trilhar um caminho que nos indique como afinar acordos que pratiquem o ganha ganha. Neste momento, prevalece a desconfiança que será um ganha perde.
(*) Reinaldo Cafeo é economista, diretor-presidente do website www.economiaonline.com.br cafeo@economiaonline.com.br