08 de julho de 2026
Geral

HB passará a centro de emergência

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 4 min

Proposta foi apresentada pelo coordenador de Saúde do Interior; Hospital Regional atenderia outras áreas médicas

O Hospital de Base (HB) pode ser transformado em hospital para atendimento exclusivo de urgência e emergência. A proposta foi apresentada ontem por Roberto Mauro Borges, coordenador de Saúde do Interior, em reunião com Eliane Fetter Telles Nunes, secretária municipal da Saúde, Afonso Viviani, superintendente da Associação Hospitalar de Base (AHB) e Flávio Badin Marques, diretor da Divisão Regional de Saúde de Bauru (DIR - X).

A proposta está vinculada ao término da construção do Hospital Regional, cujas obras estão paralisadas desde 1995. De acordo com Roberto Mauro Borges, a construção será reiniciada pelo Estado ainda em 2001 e o prédio será concluído e equipado até abril de 2002, resultando em 450 novos leitos para atendimento de moradores de Bauru e região.

Com instalações mais modernas e adequadas, o Hospital Regional desafogaria o HB, que assim poderia ampliar a retaguarda que dá ao Pronto-Socorro Central em casos de urgência e emergência. Hoje, essa demanda está reprimida porque o hospital dispõe de poucos leitos para pacientes encaminhados pelo PS.

Sem vagas, muito pacientes aguardam por horas ou dias, deitados em macas nos corredores da unidade municipal, para serem internados no HB. Esse cenário, na opinião do coordenador de Saúde do Interior, reflete uma deficiência no sistema de urgência e emergência da região e precisa ser equacionado.

Se nós vamos terminar um hospital que vai ter 450 leitos, não podemos permitir que não seja pensado o todo. Por que não implantar um sistema ou um hospital de urgência e emergência no HB? É uma proposta simples e eficiente, muito melhor do que fechar o hospital, opina Roberto Mauro Borges.

Como exemplo positivo, o coordenador cita o caso de Ribeirão Preto, onde foi construído um novo hospital universitário para a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Para não fechar o antigo, o Estado e a universidade optaram por transformar grande parte dele em um centro regional de urgência e emergência. O aumento da demanda de pacientes na região, anos depois, confirmou que a mudança foi a melhor escolha.

Reformulação

A transformação do HB em hospital de urgência e emergência depende da reformulação do sistema de saúde de Bauru. Essa mudança está atrelada ao estudo das plantas arquitetônicas dos hospitais Regional e Base, além da reavaliação das parcerias entre Estado e Município.

Para Borges, o momento é propício para esse debate em razão da aprovação da emenda constitucional que fixa novos tetos de investimento em saúde em todas as esferas governamentais. Até 2004, os municípios terão que utilizar 15% da arrecadação municipal na saúde, o Estado 12% e a União deverá elevar o percentual de acordo com o aumento do PIB, não podendo ser inferior ao ano anterior.

O contexto também é favorável por causa da vigoração de Lei de Responsabilidade Fiscal. Mas o coordenador de Saúde do Interior lembra que a questão financeira não pode ser o único balisador do debate. Os Estados Unidos são um dos países que mais investem em saúde per capita e tem um dos piores sistemas do mundo. É preciso discutir modelos e isso pressupõe pensar a saúde como um todo, argumenta.

Como parte dessa discussão, Borges analisa ser fundamental projetar um sistema que consiga atender o crescimento da demanda por saúde por mais uma década. Ativado, o Hospital Regional terá mais leitos que Bauru inteira, mas é mentira dizer que não haverá filas. Precisamos ter competência para pensar num sistema de saúde para que, no mínimo, daqui 10, 15 anos, esteja funcionando normalmente. Não podemos, neste momento, ser imediatistas e querer acertar alguma coisa que daqui 2 anos dará problema de novo, salienta.

Nesse sentido, o coordenador de Saúde do Interior pensa ser necessário propor uma nova função para o HB. Com 276 leitos, o hospital poderia perfeitamente atender os casos de urgência e emergência de Bauru e região, além de realizar transplantes e ser referência em hemoterapia, em razão da construção no Hemonúcleo.

No Hospital de Base, não há onde mexer mais, de verdade. Não há mais o que ampliar, reformar. Ele está estanque, estrangulado no espaço físico. Poderíamos pensar em fazer uma anexo, mas é uma bobagem. Já se enterrou muito dinheiro no Hospital Regional, quase daria para fazer outro, então, precisamos concluí-lo e fazer seus leitos funcionarem, estudando outra função para os leitos antigos, sustenta.