08 de julho de 2026
Geral

Grupo invade banco e acaba preso

Marta Julião - Especial para o JC
| Tempo de leitura: 6 min

Quadrilha invadiu agência em Gavião Peixoto, mas foi descoberta pela polícia que montou um cerco e prendeu quatro

Gavião Peixoto - Quatro homens foram presos, ontem, depois de uma tentativa de assalto ao posto bancário do Banespa, em Gavião Peixoto. Outros quatro assaltantes que davam cobertura ao grupo, fugiram.

Cerca de 10 pessoas estavam no banco, localizado na rua Marechal Dias Lopes, no Centro, no final da manhã, quando quatro, dois oito homens entraram na agência armados. Eles renderam o vigia, o gerente e os clientes e exigiram o dinheiro do cofre.

A polícia cercou o local para impedir a fuga da quadrilha e começou a negociar a libertação dos reféns. Uma hora depois início do assalto, os quatro homens se entregaram.

Marco Antonio Lobo Cerqueira, de 25 anos, Josimar Rodrigues de Souza, de 29, Abel Pacheco de Andrade, de 26 e Alexandre de Lima Alves, de 27 anos foram interrogados na delegacia de Gavião Peixoto. No começo da noite deveriam ser transferidos para a Cadeia Pública de Araraquara.

Com a quadrilha, foram apreendidos dois revólveres, duas pistolas e uma submetralhadora alemão KMK 9 milímetros. Durante a negociação, ocorreram três disparos acidentais. Os estilhaços de um deles atingiram a perna de uma das reféns, que foi socorrida em seguida por uma ambulância.

A quadrilha também tinha dois carros, uma Monza com placas de Araraquara e um Pálio com placas de São Paulo, cuja origem será investigada. Um terceiro automóvel, modelo Pálio de cor branca, com placas de Mogi Guaçu, pode ter sido usado na fuga.

Para os policiais civis que acompanharam a negociação, a prisão e o interrogatório dos assaltantes, o roubo foi uma ação planejada. Eles apuraram que um dos automóveis utilizados pela quadrilha estava estacionado desde o dia anterior na rua de cima do banco. O automóvel estaria sendo conduzido por uma mulher, cuja identidade deverá ser investigada.

Os assaltantes presos também confirmaram que passaram a noite num sítio da região, onde aguardaram o momento de praticar o delito. A maior parte da quadrilha veio de São Paulo, mas há suspeitas de que um dos elementos envolvidos seja de Araraquara.

Segundo o vigia Djalma Laurentino dos Santos, eles entraram na agência normalmente, pouco antes do meio-dia. Um dos homens chegou a parar algum tempo na fila antes de empunhar a arma e anunciar o assalto.

O delegado Gustavo Maia, responsável pela delegacia de Gavião Peixoto, comandou a negociação para libertação dos reféns. As tentativas de acordo forma acompanhadas pelo capitão da PM João Batista de Souza Júnior e pelo tenente Luís Roberto Moreira Filho.

Durante cerca de uma hora os policias tentaram convencer os assaltantes a libertar os reféns. O bando concordou em libertar 4 reféns, mas manteve outros 4 sob a mira das armas até concordarem com a rendição.

Durante a negociação, os reféns chegaram a ser ameaçados. O gerente do banco, José Luís Borghi, afirmou que os assaltantes disseram que o matariam se não conseguissem abrir o cofre. Disse que não tinha como abrir antes do horário, contou. No momento do roubo, o posto tinha cerca de R$ 5,8 mil.

O lavrador José Carlos Matiassi e a filha Ingrid, de apenas 13 anos, também tiveram medo de morrer. A menina foi a primeira a ser libertada. Eles diziam que matariam todo mundo, desabafou o pai depois do susto.

A primeira exigência feita pela quadrilha foi a disponibilização de um automóvel para fuga. Eles também exigiam garantias de vida. A maior preocupação deles era com a preservação da integridade física , relatou Moreira Filho. Em seguida o grupo pediu a presença de um advogado, mas desistiu depois da chegada da imprensa. Os assaltantes exigiram a credencial do fotógrafo dA Tribuna, Sérgio Pierri, antes de permitir que ele se aproximasse do posto bancário. Eles pediram para que o momento da rendição fosse registrado. Eles saíram um a um direto para a viatura da polícia.

Para a polícia, o aparato destacado para atender a ocorrência impressionou os assaltantes e contribuiu para agilizar o acordo. Segundo o comandante interino da 3ª Companhia da PM, Luís Roberto Moreira Filho, cerca de 50 policiais militares das cidades de Gavião Peixoto, Araraquara, Matão e Nova Europa foram mobilizados. A Polícia Civil das principais cidades também acompanharam o caso. Até mesmo o Grupo Especial de Resgate (GER) de Ribeirão Preto foi acionado, mas chegaram quando a situação jã estava resolvida.

Fotógrafo participa das negociações

O fotógrafo Sérgio Pierri, dA Tribuna, jornal líder de mercado em Araraquara, onde o Grupo Cidade tem participação, foi um dos responsáveis pela libertação dos reféns e rendição dos assaltantes que tentaram roubar o Banespa em Gavião Peixoto. Ele foi o único representante da imprensa que teve a permissão dos assaltantes para se aproximar da agência.

A intervenção de Pierri possibilitou a agilidade nas negociações. Ele atendeu ao pedido dos assaltantes para registrar o momento da rendição. O cumprimento do apelo fazia parte das garantias de integridade física dos assaltantes Pierri presenciou o clima dentro da agência e assistiu a um dos disparos acidentais de uma das armas da quadrilha. A presença da imprensa era uma das exigências dos assaltantes para libertar os reféns. Na hora em que foi feito o pedido, apenas a equipe dA Tribuna acompanhava a ocorrência.

Assalto muda rotina de Gavião Peixoto

Os 4 mil moradores de Gavião Peixoto ficaram assustados com o assalto de ontem. A última ocorrência desse tipoda qual os moradores se lembram ocorreu há seis meses. Segundo eles, os assaltantes entraram na agência, pegaram o dinheiro e fugiram sem despertar nenhuma suspeita.

Ontem, depois do roubo, o banco foi fechado, já que os funcionários e o gerente passaram a tarde prestando depoimento na delegacia. Os clientes, que terão que voltar ao banco hoje, disseram estar assustados com o que aconteceu.

A dona-de-casa Lurdes Dal Ri, que mora na cidade há 39 anos, acompanhou o assalto da janela de casa. Foi uma coisa horrível, disse. Ela afirmou que temia pela vida dos reféns, todos conhecidos.

Lurdes disse nunca ter imaginado que esse tipo de coisa pudesse acontecer em Gavião Peixoto. A gente vê em São Paulo, aqui, não, declarou.

O aposentado Benedito Raimundo, estava indo para casa quando viu a movimentação da polícia e resolveu parar num bar, onde também estiveram outros curiosos. Nunca vi coisa igual, disse.

O açougueiro Francisco Porteiro, disse que estava chegando a seu estabelecimento, que fica a poucos metros do banco, quando foi barrado pela polícia. Ele disse que, em 35 anos, não viu ocorrência parecida. Aqui só tem rolo de pingaiada, disse.

No assalto anterior, o filho do açougueiro, de apenas 9 anos, estava no posto bancário durante o roubo. Ele foi trocar uma nota de R$ 50 a meu pedido e nem percebeu nada, disse.

Na padaria, o roubo também foi o assunto do dia. Os comerciantes Neiva Luzia Sampaio Fagnani e Arley Fagnani também não se lembram de nenhum fato que tivesse chamado tanto a atenção para o município. Há muito tempo a farmácia foi assaltada e foi só, recordou Neiva.

A quantidade de viaturas e de policiais armados nas ruas despertou a atenção, dos adultos e, sobretudo, das crianças. A rua da delegacia precisou ser isolada para garantir que o trabalho de interrogação de vítimas e testemunhas fosse feito longe dos olhos dos curiosos