10 de julho de 2026
Geral

"Mão caipira" reúne artesãos em Agudos

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

O resgate da culinária caipira e o artesanato estarão no centro das discussões do simpósio que acontece hoje

Agudos - Com o objetivo de resgatar e preservar a cultura caipira, desgastada com o tempo, estará sendo realizado hoje o Simpósio Mão Caipira, na Fazenda São Benedito. O econtro vai reunir artesãos, agentes culturais, artistas, culinaristas, especialistas em conservação de alimentos, em alimentação alternativa e em educação ambiental, vindos de diferentes cidades da região, como de Cabrália Paulista, Santa Cruz do Rio Pardo, Águas de Santa Bárbara, Araçatuba, Gália, Espírito Santo do Turvo, Macatuba, Bauru e da própria cidade de Agudos. O interesse foi tanto que obrigou a coordenação do Simpósio a quase que dobrar o limite de inscrições inicialmente anunciado.

Os participantes estarão discutindo, em primeiro lugar, a organização regional dos artesãos, instrumento necessário que pode possibilitar um incremento de renda e aumento de postos de trabalho e empregos indiretos. Para isso estará sendo discutida a formação de uma cooperativa que, numa primeira sugestão, receberá o nome de Cooperativa de Arte e Cultura Centro-Oeste Paulista - Caco-Pau.

Embora reunindo em sua base um maior número de artesãos, o nome da cooperativa é parte de um movimento que se inicia para recolocar o verdadeiro papel e função social dos artesãos: um agente cultural, na medida em que eles preservam, e mesmo resgatam, o saber fazer, parte do segundo grupo de elementos do patrimônio cultural da humanidade, afirma Ralf Campos, coordenador do Simpósio.

O evento discutirá, também o projeto Mão Caipira, de autoria de Ralf Campos, que tem um objetivo duplo. De um lado, preservar fragmentos da cultura caipira, rica e diversa, que expressa uma sabedoria coletiva e que começou a ter um reconhecimento social. De outro, cria a logomarca Mão Caipira, como forma de incrementar suas vendas, buscando atingir não apenas o mercado brasileiro, mas também, no seu desenvolvimento, o mercado externo, que está, cada vez mais, requisitando o artesanato brasileiro que, dadas suas condições atuais de organização, não possui os meios de alcançá-lo, diz.

O projeto Mão Caipira tem no seu centro o artesanato e a culinária. No entanto, procurando recolocar a importância da cultura caipira e a necessidade de sua preservação, o projeto tem um entorno que abrirá espaço para outras manifestações artísticas dessa cultura, na música, na dança, nas artes plásticas, na poesia, na literatura... Por isso, o lema adotado para este Simpósio é Por uma vida digna com responsabilidade social.

O Simpósio, lembra Ralf, tem como função apontar os caminhos que deverão ser seguidos pelo projeto, tanto para a organização da cooperativa que irá implementá-lo, como também para a busca de apoios para sua implantação. O Simpósio e a cooperativa que dará início, marca um momento fundamental para os artesãos e para a cultura, na medida que permite e se oferece como um instrumento para o desenvolvimento cultural da região, quando se apresenta como um canal para que os trabalhadores dessa área possam, de forma coletiva e organizada, assumir sua condição plena de cidadania, participando das questões que lhes dizem respeito mais diretamente como, de resto, da vida político-administrativa dos municípios, diz Ralf.