09 de julho de 2026
Geral

50% dos novos cidadãos são migrantes

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 3 min

Ondas de migração em Bauru são motivadas pelo fato da cidade ser pólo universitário e comercial da região

Nos últimos 10 anos, Bauru ganhou 56.331 novos habitantes. Desse total, pelo menos 50% chegaram de carona nas ondas migratórias inter-regionais e interestaduais registradas de maneira ininterrupta pelo município desde a sua criação. A informação é feita com base nas pesquisas demográficas realizadas pelo Núcleo de Estudos da População (Nepo) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

A partir de dados fornecidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Nepo constatou que 47,5% dos 37.956 novos habitantes registrados em Bauru no período de 1960 a 1970 eram migrantes. Entre 1970 e 1980, o núcleo verificou a superação desse percentual: dos 28.732 novos moradores da cidade, 52,5% tinham vindo de outras cidades da região e do Estado. Se a média desses percentuais for aplicada nos períodos de 1991 a 1996 e 1996 a 2000, nos quais o IBGE realizou contagens da população, tem-se que 28.165 pessoas chegaram a Bauru como migrantes.

Para Bauru atingir essas somas, muitos municípios da região tiveram subtraídos seus moradores. Esses são os casos de Duartina e Pirajuí, cidades que, segundo pesquisas do IBGE, mais efetuam troca de habitantes com a capital da região Central paulista. Além delas, os migrantes vêm de Piratininga, Pirajuí, Agudos, Arealva, Cabrália Paulista, Iacanga e Lençóis Paulista. As trocas envolvem, também, outras regiões do Estado, caso de Marília, Assis, Ourinhos, Botucatu e Jaú.

De acordo com a geógrafa Línia Maria Bilac Garrone, professora da Universidade do Sagrado Coração (USC), na maioria dos casos, a migração às capitais regionais paulistas é motivada por fatores socioeconômicos, como busca de emprego e melhores condições de vida.

O Interior de São Paulo, a partir dos anos 70, começa a sofrer um processo de industrialização. Há a formação de algumas tecnópoles, como São Carlos e Campinas, de centros agropecuários, como Araçatuba e Presidente Prudente, e de centros comerciais, caso de Bauru e Marília, que têm funções diversas. As cidades vão se especificando, característica que vem também da divisão territorial do trabalho, explica.

Em relação a Bauru, Línia aponta que seu papel de pólo regional deveu-se ao entroncamento rodoferroviário e à expressiva concentração de estabelecimentos comerciais e de prestação de serviço. Como centro comercial e universitário, Bauru atende a demanda de seu entorno, complementa.

Essa demanda é tanto por suprir as necessidades de consumo quanto por realizar as expectativas profissionais. Como resultado, Bauru acaba por se tornar um pólo de referência em várias áreas, caso da saúde. Levantamento realizado pela subsede bauruense da Associação Paulista de Medicina (APM) indica que apenas 27% do total de seus médicos associados são nascidos em Bauru. O restante (342 pessoas) vem de cidades da região.

Esse é o caso da endocrinologista Luciana Colnago Gonçalves. Original de Marília e formada pela Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu, a médica optou por Bauru quando soube que a cidade tinha carência de profissionais em sua área de especialidade.

Há três anos morando em Bauru, a endocrinologista acredita que a sua escolha profissional foi acertada. A cidade tem um astral legal. Não é grande, mas tem opções para sair. Para mim, foi muito bom ter vindo para cá. Em termos profissionais tem sido ótimo porque o retorno foi mais rápido do que imaginava, afirma Luciana.

Como é feita a contagem

De acordo com conceitos do IBGE, é considerado migrante a pessoa residente no domicílio, nascida há igual ou mais anos de idade em relação à realização da última pesquisa demográfica e que não residia no município onde foi realizada a entrevista.

O corte no perfil do entrevistado permite avaliar o movimento migratório registrado no intervalo entre os levantamentos demográficos. Em 1999, por exemplo, o IBGE constatou que, no total da população brasileira, 39,3% não era natural do município em que residia. Dos entrevistados, 15,8% não tinham nascido na unidade da Federação em que moravam.