08 de julho de 2026
Geral

Anibal prega inovação da produção

Redação
| Tempo de leitura: 5 min

O paulista sabe produzir, tem espírito empreendedor e é capaz de enfrentar desafios. Ele sabe observar tendências e se atualizar. Mas, com a nova economia e com a globalização, o ritmo da mudança é muito mais forte, a capacidade de inovação tem de ser muito maior. A afirmação é do titular da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico, José Anibal, em entrevista à Agência de Notícias do Sebrae, na qual afirmou que, em função desse cenário, a Secretaria começou a perceber que era preciso repensar a relação do setor produtivo do Estado, que recebeu 43% de todo o investimento feito no Brasil, em 99, e tem participação no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 36%, com a inovação tecnológica, com o design, com a qualidade e a competitividade do produto para ajudar o empreendedor a se ajustar à nova economia. Veja a entrevista:

Pergunta - Quais são as principais vantagens do Estado que interessam ao sistema econômico e aos empreendedores? José Aníbal - Em nível de América Latina, dois fatores são cruciais e imbatíveis: a infra-estrutura logística e os recursos humanos. Esses fatores, associados ao espírito empreendedor do paulista dão uma vitalidade impressionante ao sistema econômico de São Paulo. Para se ter uma idéia, o Estado recebeu 43% de todo o investimento feito no Brasil, em 99, sendo que nossa participação no PIB é de 36%.

Pergunta - Manter essa infra-estrutura é uma atribuição também do governo. Como a Secretaria tem agido nesse sentido? José Anibal - Dialogamos permanentemente com o setor produtivo para identificar e agir em suas necessidades. Isso e o investimento na educação profissionalizante, em nível técnico e tecnológico, só foram possíveis porque o governo Covas organizou as finanças do Estado. Nós estamos até anunciando uma Fatec na Zona Leste da Capital, para a qual o governador já autorizou R$ 7,9 milhões.

Pergunta - O que mais é identificado na interlocução com o setor produtivo? José Anibal - Ao longo de um ano e meio, nós conseguimos - com a parceria do Sebrae-SP, do BNDES, Fiesp, Banco do Brasil e várias áreas do governo - avançar num diagnóstico sobre setores produtivos que têm densidade em São Paulo. Nas regiões de menor desenvolvimento, instalamos os Fóruns (Baixada Santista, Vale do Ribeira, Sudoeste, ABC e Pontal do Paranapanema) e realizamos diagnósticos indicando iniciativas de governo que possam significar um acréscimo de possibilidades de desenvolvimento para essas regiões. Esse diagnóstico nos mostrou que, no que se refere à criação de sinergia, temos um grande desafio dentro dessas cadeias produtivas de São Paulo, nos quais é amplamente predominante a presença de micro, pequenas e médias empresas.

Pergunta - O que mais mostram os diagnósticos? José Anibal - Mostram, com muita clareza, o seguinte: o paulista sabe produzir, tem espírito empreendedor e é capaz de enfrentar desafios. Ele sabe observar tendências e se atualizar. Mas, com a nova economia e com a globalização, o ritmo da mudança é muito mais forte, a capacidade de inovação tem de ser muito maior. Em função disso, nós começamos a ver que era preciso repensar a relação do setor produtivo com a inovação tecnológica, com o design, com a qualidade e a competitividade do produto, para ajudar o empreendedor a se ajustar à nova economia. Nesse sentido, o governo criou, por exemplo, o SP-Design.

Pergunta - Que parceiros o governo teve para isso? José Anibal - Nós tivemos um ambiente muito favorável de receptividade a isso na Fapesp, que tem programas que promovem a inovação tecnológica dentro ou fora da empresa, associando pesquisadores e empreendedores. E esse é um caminho que cada vez se amplia mais. Agora mesmo, no que se refere ao setor aeroespacial, a Fapesp definiu um linha de financiamento para estimular os empresários desse setor que nós estamos desenvolvendo tanto em São Paulo, tendo à frente a Embraer.

Pergunta - Ainda há uma resistência à pesquisa tecnológica nas empresas. Como a Secretaria tem agido para reverter esse quadro?José Anibal - Estamos estimulando a criação de uma espécie de consórcio de empresas, atuando por setor. Como o de cerâmica, por exemplo, que agora tem até um centro de pesquisa e inovação tecnológica financiado pela Fapesp, em São Carlos. Nós queremos fazer a mesma coisa no setor calçadista, têxtil, moveleiro e de máquinas e equipamentos. E assim consorciar os empresários e criar um centro inovador, produtor de tecnologia e, claro, desenvolver e disseminar essa cultura. Afinal, hoje não se pode mais copiar. Até que se termine de desenvolver a cópia ela já está absolutamente superada, já tem 20 gerações na frente dela.

Pergunta - Em que medida o Sistema Paula Souza pode apoiar o pequeno empreendedor? José Anibal - Os pequenos empreendedores podem procurar as escolas técnicas em grupo ou individualmente para expor suas necessidades e queremos, cada vez mais, estimular esse relacionamento. As unidades podem desenvolver pesquisas sobre produtos e processos ou capacitar mão-de-obra especializada para atendê-los. Em Limeira, por exemplo, o Paula Souza tem contribuído nesse sentido com o setor de bijuterias, que emprega milhares de pessoas. O Sistema Paula Souza está sintonizado com a seguinte realidade: a cada ano 500 mil jovens saem do 2.º grau e só 150 mil têm acesso às universidades, ao mesmo tempo em que o mercado de trabalho necessita cada vez mais de recurso humano qualificado.

Pergunta - Sua Secretaria está criando os Galpões de Acolhimento. Como funcionam? José Anibal - Estamos construindo as primeiras três unidades em Fernandópolis, Franca e Torrinha, que ficam prontas até o final do ano. Mas já temos outros 150 pedidos. São galpões com 1.000, 2.000 ou 3.000 metros quadrados, com divisórias para abrigar micros e pequenas empresas que, iniciantes, ainda não podem arcar com o aluguel e outras despesas. Os galpões construídos pelo Estado são, depois, transferidos à prefeitura local.