Diretório estadual pede fim dos confrontos entre as lideranças do PSDB de Bauru, sob pena de intervenção
O presidente da Executiva estadual do PSDB, deputado Edson Aparecido, deu um ultimato nas lideranças tucanas de Bauru, em reunião realizada anteontem, em São Paulo. O comando da instância municipal do partido vai ter que se adequar às propostas da Executiva nacional e estadual da legenda, sob pena de ser decretada uma intervenção.
O encontro reuniu o presidente da Executiva municipal do PSDB, Rubens Spíndola, o vice, Natan Chaves, o coordenador regional do partido, Élio Busch, e outros quatro membros do diretório. Foi a primeira vez que a cúpula municipal tucana ficou frente a frente com o deputado Edson Aparecido, após a crise que envolveu as duas instâncias partidárias, que teve como pano de fundo a exoneração da dirigente regional de Ensino, Edinéa Sita Cucci.
O deputado federal Xico Graziano (PSDB) também participou do encontro. Ele é o coordenador da legenda para a região, enquanto membro da Executiva estadual. Edson Aparecido explicou aos tucanos de Bauru que o PSDB vai adotar uma política de abertura a novas filiações como estratégia para disputar as eleições do ano que vem.
Segundo Natan Chaves, o dirigente da Executiva estadual deixou claro que os tucanos de Bauru vão ter que se enquadrar nessa proposta. O presidente disse que o partido não pode se fechar em dogmas de grupos. É o que eu já disse: continuo sendo favorável a trazer o Carlos Braga (deputado estadual pelo PPB), o Tuga (ex-candidato a prefeito pelo PSB) para o partido, defende.
A proposta, que tem o apoio do coordenador regional da legenda, Élio Busch, não é aceita por Spíndola. O PSDB de Bauru vai ter que entrar em sintonia com as executivas nacional e estadual. A legenda está aberta as ex-deputados, deputados, prefeitos e vereadores. Se um grupo não se enquadrar nessa proposta, ficará isolado dentro do partido, avisa o vice-presidente.
Por cima
Natan Chaves avaliou que foi bom o tom da conversa entre as duas instâncias do partido, opinião que também foi dividida por Spíndola. Mas o presidente da Executiva municipal defende que as partes precisam conversar com mais freqüência. O dirigente tucano local conta que Edson Aparecido pediu que os confrontos entre as alas da legenda receba um ponto final. O Edson afirmou que nós precisamos encontrar uma solução.
Spíndola explicou que o partido, em instância municipal, nunca fechou as portas para novas filiações. Esse projeto de abrir o partido nós estamos aplicando há muito tempo. Agora, é preciso cumprir os dispositivos estatutários. Ninguém vai entrar no PSDB às escondidas, garante, provavelmente se referindo ao projeto de Busch e Natan de convidar ex-filiados, como Tuga Angerami e Pedro Tobias.
Segundo ele, a votação que liberou o retorno de ex-correligionários, realizada na última reunião do PSDB, não tem validade. Essa votação, feita às pressas, não tem validade porque a filiação de deputados, ex-deputados, etc., tem que ser submetida, com antecedência, ao diretório nacional do partido. Frisei ao Edson Aparecido que vamos cumprir os dispositivos estatutários.
O futuro do PSDB de Bauru é uma incógnita. Três grupos disputam o controle do partido. Élio Busch e Natan Chaves defendem a mesma proposta: trazer lideranças políticas que já foram filiadas ao partido. Carlos Ladeira também tem a mesma intenção, mas joga a favor da filiação do deputado estadual Pedro Tobias (PDT). Contra todos, está Spíndola.
Irredutível
O cruzeiro marítimo de 20 dias, com direito a paradas em praias paradisíacas do Nordeste, não mudou a conduta do vereador Antonio Garmes (PSDB) em relação a uma provável aliança tucana com o prefeito Nilson Costa (PPS). Mantenho a mesma opinião. Vereador não deve participar de alianças com o prefeito. Se isso ocorrer, ele vai abdicar da obrigação de fiscalizar o Poder Executivo, discursa.
Garmes diz que não acha correto essa simbiose entre o Legislativo e o Executivo. É questão de visão política. Aguardo a convocação da Executiva, que provavelmente discutirá o assunto. O vereador, no entanto, antecipa sua posição e afirma que irá se posicionar contra a proposta de aliança político-partidária com a Administração do prefeito Nilson Costa.
Eu sinto que não estou sozinho no partido. Tenho certeza que muitos pensam como eu e não concordam com essa aliança, avaliou. Em declarações recentes, o tucano disse que não chegou a pensar em deixar a legenda caso se confirme a aliança. Mas também não descartou essa possibilidade.