Cerca de 15 funcionários da Associação dos Despachantes de Bauru que trabalhavam na 5.ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran), cedidos pela instituição, tiveram seus afastamentos decretados, a partir da última segunda-feira. A decisão foi tomada pela própria Associação em razão de rompimento da parceria com a Ciretran.
De acordo com o diretor do Sindicato dos Despachantes e ex-presidente da Associação dos Despachantes de Bauru, José Pereira Bicudo Júnior, o rompimento da parceria foi decidido em reunião da diretoria em função da morosidade e da burocracia acentuada, um excesso de zelo que, às vezes, parece até abuso de poder por parte do diretor da Ciretran, disse ele.
O diretor da Ciretran, a quem se refere Bicudo Júnior, é o delegado Abel Fernando Paes de Barros Cortez, que está há três meses na função. Segundo Bicudo Júnior, que falou ao JC na posição de associado, a Associação dos Despachantes de Bauru existe há mais de 20 anos e nesse período a instituição sempre procurou interagir com a Ciretran. Nós sempre fornecemos para a Ciretran funcionários, equipamentos, desde computador e impressoras, material para a manutenção dessas máquinas, até materiais básicos, como água, café, açúcar, grampos e grampeadores. Nós sempre tentamos oferecer à Ciretran uma estrutura que, infelizmente, o Estado não fornece, comenta.
Bicudo Júnior acha que, apesar de toda a estrutura cedida, a Ciretran não estaria oferecendo atendimento diferenciado à Associação. Nós, despachantes credenciados na Associação, estávamos sendo atendidos, na Ciretran, pelos nossos próprios funcionários, com o mesmo tratamento que o público em comum recebe, comenta.
Segundo Bicudo Júnior, com a nova direção, houveram algumas mudanças na Ciretran, que não teriam sido benéficas para o quesito agilidade. Para ele, hoje é inadmissível que se implante algum tipo de sistemática de trabalho que torne inviável ou moroso qualquer procedimento.
A Associação estaria sempre tentando o contato com o diretor da Ciretran para discutir algum meio de minimizar a burocracia, de modo que os documentos ficassem prontos em tempo mais hábil, mas o diretor não teria aceitado discutir a questão. Então, não havia porque se manter toda a estrutura da Associação na Ciretran, comenta Bicudo Júnior.
De acordo com ele, um processo que chega na Ciretran, atualmente, passa primeiro pela conferência do Estado, depois é impresso, processo que é realizado no mesmo dia. O processo fica, então, parado na mesa do diretor por quatro ou cinco dias, porque ele quer reconferir tudo. Isso é inaceitável, afirma.
Embora os funcionários já estejam afastados da Ciretran, a solução ainda não está totalmente definida. À primeira vista, os funcionários foram somente afastados, numa espécie de férias coletivas para verificarmos se vai haver uma consideração ou um consenso por parte das autoridades, porque o prejudicado final vai ser o usuário, afirma Bicudo Júnior.