08 de julho de 2026
Geral

UMA PUNIÇÃO INJUSTA

Isolina Bresolin Vianna
| Tempo de leitura: 2 min

Vi, pela televisão, uma cena de trabalhadores no campo, numa fazenda do Sul, colhendo batatas, muitos casais com seus filhos. Eles explicavam que vinham aos campos com os filhos, para não deixarem-nos nas ruas, nem sozinhos em casa, sem ter quem os cuidassem. Eram, portanto, pais responsáveis, amorosos, preocupados com seus filhos, os quais preferiam ter perto deles, certamente por amá-los. E contavam com a boa vontade do fazendeiro que os empregavam, que, com certeza por ser também um bom pai de família, permitia que os filhos viessem com eles. Se esses filhos, vendo os pais trabalharem e aprendendo com o exemplo edificante desses bons pais também resolveram, por conta própria, até como distração dos menores, também colher as batatas que afloravam na terra, depois da passagem dos trator com as colhedeiras, não vejo na da mau, nada de errado, ao contrário, tomara todas as crianças pudessem ter pais ao seu lado, ensinando-os a trabalham, suavemente, quase como uma brincadeira, na terra.

Ouvi depois, entre os comentários feitos por pessoas que reprovavam a atitude desses pais e desse fazendeiro, que seriam apenados com uma multa de cento e quarenta reais por criança trabalhando e não acreditei em tamanha falta de bom senso por parte da lei, seja ela qual for, e das autoridades responsáveis pela sua aplicação. Queriam o quê? Que as crianças fossem aprender a mendigar, a cheirar cola, a furtar e mesmo roubar, a danificar automóveis e bens públicos, a pôr fogo na casa ou se machucarem por estarem sozinhas?

Penso que já está mais do que na hora desse pessoal que se preocupa tanto com as leis que protegem menores, entenderem que o problema é de quem as põe no mundo: se é um casal constituído de pai e mãe que as cuida e protege ou se é algum avulso safado que as fabricou num beco ou num motel com qualquer fêmea disponível e irresponsável como ele mesmo. Pais de verdade sabem cuidar de seus filhos e devem ser estimulados por tê-los junto deles e amá-los e não serem apenados, como se culpados fossem. E muito menos se deve apenar o fazendeiro, por ser humano e compreensivo, como um bom pai deve ser. (Isolina Bresolin Vianna - Assoc. Paulista de Imprensa n.º 1333)