08 de julho de 2026
Geral

RESOLUÇÕES PARA O ANO QUE VEM

Marcelo Henrique de Lima
| Tempo de leitura: 4 min

O final de ano, para todos nós, significa fim de um ciclo e início de outro. É o período da esperança de que tudo vai ser diferente e melhor.

Para além do balanço do que aconteceu durante o ano que se despede, sempre temos em mente a possibilidade de transformar nossa vida, a partir de erros e acertos, em alguma coisa que nos faça ser melhores do que já somos. Tudo tende a mudança de comportamento. As tais Resoluções de Ano Novo se configuram como crença de que podemos galgar mais degraus em nossa evolução individual, superando limites que sabemos sempre atravancar nossos caminhos ensolarados.

Se encararmos o fato de que o fluxo da vida sempre ruma para a mudança, para a abertura de espaço para o novo, poderemos ter a certeza de que nossa atitude perante a existência, no interior do tempo, possui relação simples e direta com a construção de um mundo melhor para todos. Vivemos um período privilegiado na história da vida humana neste planeta.

Embora nossa natureza humana esteja em descompasso com o avanço tecnológico, desgraçadamente acelerado a partir da Revolução Industrial, ainda temos a capacidade de adaptação aos inóspitos que nos são oferecidos nesse final de milênio.

Revelando um pouco da inquietação que motiva essa reflexão, é sentimento compartilhado por muitos de que o caminho que foi trilhado pela humanidade até agora aponta para uma desumanização generalizada. Pode-se dizer que perdemos o equilíbrio quase que por completo de nossa vida na Terra.

Conseguimos criar um monstro durante a história dessa civilização que já não temos como domá-lo.

A estrutura social que se apresenta nessa contemporaneidade faz de todos nós parte de uma engrenagem que nos expurga dia-a-dia da possibilidade de sermos plenos.

Nossa relação com o tempo já não é mais natural. Vivemos em função de... Não somos mais os Sujeitos da História. Só acreditamos que sim por ser mais cômodo fechar os olhos ante a evidência. Sendo assim, nossa sociedade tendo valorizado a construção de um mundo baseado na exterioridade em detrimento da interioridade, onde a matéria suplanta o espírito, está nos levando a auto-destruição. O maior inimigo do nosso planeta somos nós mesmos.

Estamos gradativamente perdendo raízes e aos poucos gravitando na esfera do que se convencionou ser chamado de Mercado. As relações humanas estão cada vez mais comerciais. A busca de saídas para a construção de um mundo melhor estão cada vez mais difícil. Alguns acham que é a política, mas que nunca foi sinônimo de solução para todos, outros acham que é assim mesmo e seguem vivendo a mediocridade que não vai além do próprio umbigo. Têm aqueles que se protegem, quase que esmagados pelos infortúnios da vida, em âncoras milagrosas, que se revelam como verdadeiras ralés espirituais vampirizando a desgraça alheia como modo de vida.

Aqueles que esperam ajuda extra vinda do céu estão mais querendo ir do que ficar.

Os que vivem bem são detentores de saberes específicos ou múltiplos, de poder econômico e/ou político, mafiosos públicos e privados, contraventores de top, alienados de sonhos acanhados e inibidos, pastores de ovelhas desorientadas, entre outros tantos que cuidam de alimentar lícita ou ilicitamente seus respectivos feudos. A base desses bons vivans é o cultivo do egocentrismo básico e exacerbado com o tempo e o benefício notório de uma estrutura social generosa em perpetuar vícios de conduta cultural.

Nesse caos social, onde a violência ganhou status de cidadania, crescendo em escala geométrica e atingindo também e aos poucos as bundas preservadas das classes mais abastadas, uma tendência que se mostra cada vez mais aguda nos últimos tempos é a mulher como luz no fim do túnel.

O homem sempre alimentou seu complexo de superioridade (lógico), legitimado pela mulher que sempre o deixou acreditar nisso, e também sempre fez da força física um trunfo incontestável. Porém, isso não bastou para criar um mundo de felicidade e harmônico. Ao que parece, as mulheres estão dispostas a tomar as rédeas, como fazem em casa, por exemplo, e tentar não deixar que tudo vá a perder. Depois que saíram do castelo, as mulheres perceberam que não é tão difícil assim matar o dragão. Elas (mulheres) estão cada vez mais caminhando para tomar conta da situação.

Quem sabe seja esse o caminho de transformação de nossa sociedade. De qualquer forma, para que nosso mundo seja melhor precisamos, homens e mulheres melhorarmos cada vez mais como seres humanos. (Marcelo Henrique de Lima - R.G. 18.819.085-5)