07 de julho de 2026
Geral

Casamento

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 8 min

Não é preciso assinar nenhum documento. Basta viver por algum tempo com uma pessoa sob o mesmo teto e com ela dividir, além de sonhos e sentimentos, lucros e despesas, para se considerar casado e até ter direito a uma divisão de bens caso a relação termine litigiosamente. Apesar dessa aparente facilidade, a maioria das pessoas sonha em um dia estar numa igreja ao lado da sua cara-metade fazendo juras de amor eterno perante uma autoridade religiosa.

Ao contrário do que pensam algumas pessoas, o casamento, atualmente, não tem um caráter menos sério do que tinha no começo do século, por exemplo. A diferença é que hoje a idéia de um casamento desfeito, por um engano de alguma das partes envolvidas, é muito mais aceita do que antigamente, o que faz com que a instituição do matrimônio pareça fraca ou em decadência. O que é um engano. A busca por um parceiro ideal não acaba. O casamento é uma proposta ainda vigente, porque quando duas pessoas estão envolvidas, apaixonadas, querem ficar juntas para sempre, afirma a psicóloga Regina Furigo. Segundo ela, uma prova de que a instituição não é uma coisa falida ou fora de moda, é o fato de que a maioria das pessoas que se separam, volta a se casar novamente. Elas não entendem o casamento como sendo o problema. A culpa do fracasso é de como eles levaram a situação, explica.

Não tenho medo de que o meu casamento não dure, acredito que ele vai ser para sempre, sim, diz Viviana Andrade, que deve se casar em fevereiro de 2002 com Alessandro Dutra Garnero. Para ela, a cerimônia não é uma obrigação, mas parte de um ritual pelo qual todas as pessoas querem passar. Ana Maria Fraile Filha, que deve se casar em maio com Eliel Simões de Barros, também acredita que a instituição do matrimônio seja ainda muito atual. Fui criada aprendendo que o casamento é uma coisa séria, que deve ser para sempre e uma vez só, conta. O fato de pensar assim, não quer dizer que ela acredite que ao se casar vai entrar num mar de rosas. Não acho que vai ser assim sempre, mas vou fazer de tudo para que ele dure para sempre.

O desejo de casar não uma característica feminina, apenas. Os homens também sonham com a união oficializada. Já morei com uma pessoa, mas não considero que foi um casamento, diz João Gilberto Araújo, que está noivo de Laura Gaspar e deve se casar no meio do ano. Ele explica que a união anterior foi como um namoro, embora os dois vivessem juntos na mesma casa. Agora vou me casar na igreja e no civil e acho que é isso que vai valer, diz. O estudante Emiliano Santoro acredita que o casamento é um processo natural pelo qual as pessoas passam. Você encontra uma mulher, se apaixona e automaticamente pensa em se casar com ela um dia, mesmo que não fale isso logo de cara, diz. Sem namorada atualmente, ele diz que sonha um dia em se casar, mas não tem a intenção de se casar na igreja. Acho que o importante é estar com a pessoa que eu estiver amando, justifica. Ao contrário de Santoro, José Elias Santos quer um casamento pomposo e acredita que a igreja é parte fundamental nisso. Vou me casar perante Deus, como meus pais e meus irmãos fizeram, diz.

O casamento e o Código Civil

Na última semana, no dia 24, completaram-se 111 anos desde que o casamento civil foi instituído no Brasil. A lei, o Decreto 181, de autoria de Rui Barbosa, levou para os cartórios a cerimônia que antes era celebrada (e registrada) apenas nas igrejas católicas.

Quando o assunto é lei, o casamento ainda levanta algumas pontos curiosos por conta do Código Civil antigo, ainda vigente no País. Por exemplo: por lei, se um homem descobre que a mulher com quem acabou de se casar não é virgem, pode pedir a anulação do casamento. O mesmo vale para o caso dele descobrir algo desabonador sobre o passado da esposa após terem se casado. São resquícios do machismo da época em que o Código foi redigido, explica a advogada Franciane Teófilo. A anulação também pode ser pedida se um dos dois tiver escondido alguma doença que coloque em risco a saúde do outro.

Por outro lado, a adoção do nome do marido já não é mais uma obrigação, É facultativo, a mulher adota o nome se quiser, diz a advogada. O homem também pode adotar o nome da esposa, se desejar, mas segundo Franciane Teófilo isso é muito raro no Brasil. O machismo ataca de novo.

Além de uma forma de expressão do amor entre duas pessoas, o casamento é também uma festa sagrada há muito tempo. Desde tempos imemoriais que se realizam festas de casamento, que representam um dos principais acontecimentos comunitários, presente em todas as culturas e civilizações. Os casamentos constituem uma festa coletiva de exaltação da família através da união entre os esposos que são afinal os perpetuadores da espécie. É uma celebração de vida, com uma contribuição fundamental para o futuro e para o progresso físico e espiritual da sociedade.

Chamado por muitos de instituição falida, o casamento, base da estrutura familiar, continua sendo uma etapa fundamental na vida da maioria das pessoas, sem distinção de raça ou credo. E uma etapa muito popular a julgar pelas agendas de grande parte das igrejas e dos buffets da cidade que têm muitas datas marcadas. Todo mundo sonha em se casar um dia, encontrar a pessoa perfeita, explica a enfermeira Elaine Jacinto, noiva há sete meses, que pretende se casar em dezembro.

Curiosidades

A cerimônia atual

A cerimônia de casamento nasceu na Roma antiga. Todo esse ritual da noiva se vestir especialmente para a cerimônia, veio de lá e virou uma tradição. Foi em Roma ainda que aconteceram as primeiras uniões de direito e a liberdade da mulher casar por sua livre vontade.

Lua-de-mel

A palavra lua-de-mel tem sua origem nos casamentos por captura. Era assim: um homem apaixonava-se por uma mulher, capturava a amada (muitas vezes contra a sua vontade) e a escondia por um mês (de uma lua cheia até a outra) em algum lugar afastado. Durante esse período, eles bebiam uma mistura afrodisíaca, adocicada com muito mel, até que ela se rendesse à sua sorte. Daí o nome lua-de-mel.

Buquês e seus significados

Os primeiros buquês de noivas incluiam não apenas flores, mas também ervas e temperos. Os mais populares, geralmente com cheiro mais forte, como os alhos eram usados para espantar os maus espíritos. As flores tinham, cada uma, seu significado : hera representava fidelidade; lírio a pureza; rosas vermelhas o amor; violetas a modéstia; não-te-esqueças-de-mim era o símbolo de amor verdadeiro; flores de laranja davam fertilidade e alegria ao casal.

Padrinhos guarda-costas

A tradição da escolha de um padrinho é na realidade, um costume que remonta à antigüidade quando se escolhia um bom amigo, na maioria das vezes um guerreiro tribal, para ajudar a proteger a noiva de possíveis raptores, conhecidos por rondarem o local da cerimônia.

Posição da noiva e noivo

A razão da noiva ficar sempre do lado esquerdo do seu noivo tem sua origem entre os anglo-saxões. O noivo, temendo um ataque dos dragões e outras ameaças, deixava sempre o braço direito livre para sacar a sua espada.

Aliança

O uso da aliança de casamento vem da tradição cristã, desde o século XI, e que era colocada no 3º dedo da mão esquerda, pois acreditavam que nesse dedo havia uma veia que ia direto para o coração. Ainda hoje, esse costume é praticado nos casamentos islâmicos.

Vestido de noiva

A tradição do vestido branco para o casamento, que foi adotada em todo mundo, veio da Inglaterra, através da rainha Vitória em sua união com o primo, príncipe Albert. Foi a rainha quem o pediu em casamento. Naquela época não era permitido fazer um pedido desses a uma rainha, então, a rainha não teve outra alternativa, a não ser ela mesma pedir o príncipe em casamento. O mais romântico da história da rainha Vitória e do príncipe Albert é que ela o pediu em casamento porque o amava, o que não era costume na época, onde os casamentos eram sempre arranjados pelas famílias e o amor era o que menos importava.

Véu de noiva

O uso do véu da noiva era um costume da antiga Grécia e que foi criado para proteger a noiva de mau olhado e também dos seus possíveis admiradores.

Flores no caminho

Os antigos romanos tinham o costume de atirar flores no trajeto da noiva, acreditando que as pétalas fariam a noiva ter sorte e dar carinho ao marido.

Símbolo da felicidade

Os italianos acreditam que as amêndoas trazem felicidade aos noivos e que na Itália, é tradição os familiares comerem as amêndoas às vésperas do casamento dos filhos. Aqui no Brasil, os italianos ou seus descendentes, oferecem as amêndoas no final da cerimônia, ou enfeitada na forma de lembrancinha.

Chuva de arroz

Na China Antiga, a mais de 2000 anos antes de Cristo, o arroz já era tido como símbolo de fartura. O hábito de atirar alguns grãos de arroz sobre os noivos, após a cerimônia nupcial, data da Antigüidade. A tradição teve origem na China, onde um Mandarim poderoso quis dar prova de vida farta, e fez com que o casamento de sua filha se realizasse sob uma chuva de arroz.