08 de julho de 2026
Geral

Quem ri, seus males espanta

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 6 min

As pessoas mais risonhas ou bem-humoradas têm saúde melhor. Quem coleciona preocupações e ressentimentos ou convive com alguns sintomas de depressão, como solidão ou irritabilidade, tem maiores chances de adoecer

O Projeto Alegria iniciou-se em setembro de 1999, em Bauru. É um trabalho voluntariado desenvolvido por jovens junto a comunidade, visando a realização de atividades de entretenimento e informações educativas.

Percebemos nos adolescentes e jovens, que a idade reflete em muitas transformações físicas, psicológicas e sociais que são inerentes ao processo de amadurecimento para a fase adulta, disse Wallace Prudenciato, coordenador dos jovens e de iniciativa do Projeto Alegria.

Mas muito pouco tem-se empreendido de fato em permitir, através da prática real, que esse desenvolvimento tenha alicerces na realidade, a fim de facilitar a obtenção de toda uma gama de conhecimentos e ações que a sociedade espera que o jovem obtenha, a fim de alcançar o status de adulto operante.

Se de um lado encontra-se o jovem perdido no meio de toda uma profusão de exigências e expectativas, quer pessoais quer do grupo a que pertence, por outro lado muito pouco a sociedade tem feito, de modo sério e eficaz, para permitir que esse desenvolvimento seja permeado de coerência e endosso do mundo adulto. A fim de que possa esse mesmo jovem vir a ter formação moral, ética e humana suficientes para que, num futuro próximo, quando ocupar ele funções de formador de opinião, possa empregar o que foi aprendido no desenvolvimento de um mundo mais justo e melhor.

Pretendemos nesse trabalho, apresentar propostas de um trabalho voluntário, subsídios a seus integrantes para que possam entender, trabalhar, amadurecer e resolver seus conflitos inerentes à fase de desenvolvimento em que se encontram, a fim de se tornarem adultos mais saudáveis e equilibrados na sociedade atual, explicou.

O principal objetivo do grupo é propiciar aos jovens voluntários, noções de solidariedade, respeito ao próximo, compaixão e cidadania e despertar na comunidade assistida esperança, dignidade e conscientização dos seus direitos.

Além disso, o Projeto Alegria, pretende proporcionar momentos de entretenimento para a comunidade, viabilizar recursos gratuitos aos pacientes necessitados e desenvolver campanhas educativas junto a comunidade.

O Projeto Alegria tem como meta, proporcionar aos pacientes das pediatrias e acompanhantes do Sistema Público de Saúde, melhores condições de assistência médica.

Epidemia de sorrisos

Diariamente, um grupo de cinco pessoas, de um total de 35 voluntários que formam o grupo, passa uma hora, das 19h às 20h, na pediatria do Sistema Único de Saúde (SUS) do Hospital de Base, brincando e fazendo rir as crianças que ali estão internadas. De acordo com o coordenador, Wallace Prudenciato, pelo menos por alguns instantes, as crianças esquecem a dor e se divertem. Levar sorriso e esperança às crianças hospitalizadas faz bem. Quando pensamos que estamos fazendo bem para as pessoas, o retorno que recebemos é muito maior e o bem acaba sendo para nós mesmos, disse.

Prudenciato afirmou que mais do que alegria, o grupo leva afeto e carinho para as crianças internadas. Esse trabalho, com certeza dá muito resultado, disse.

Rafael, de 13 anos, é considerado xodó do grupo de voluntários. Ele estava internado no Hospital de Base e recebeu a visita do Projeto Alegria. Rafael se interessou tanto pelo trabalho desenvolvido no local que quis fazer parte do Projeto. Em pouco tempo, ele se integrou à equipe e começou a divertir seus amigos internados no mesmo hospital. Ele era um menino difícil para se relacionar e, a convivência com a gente fez ele mudar. Hoje, ele é uma criança muito mais amável, explicou Prudenciato.

Operacionalização

No projeto desenvolve-se atividades para amenizar a solidão e a angústia dos pacientes e acompanhantes da pediatria.

Diariamente, realiza-se a distribuição de materiais para as crianças e acompanhantes.

As crianças recebem desenhos para pintura com lápis de cor e giz de cera. Para as mães, são distribuídas revistas para leitura, proporcionando entretenimento e informações educativas.

Atividades teatrais, de canto, de mágica, leitura de obras infantis ou de interesse do grupo assistido, atividades com jogos, gincanas e música, são desenvolvidas pelo grupo diariamente. As pessoas envolvidas no projeto realizam reuniões preparatórias para cada atividade desenvolvida, proporcionando um delineamento das estratégias necessárias para que os objetivos do projeto sejam alcançados, eficazmente.

Após a realização das atividades, os voluntários reúnem-se para troca de experiência e anotações necessárias.

A finalidade do Projeto Alegria, junto às crianças atendidas é de promover através destas atividades, o conforto momentâneo perante situações difíceis de dor física e/ou emocional, que podem elas estar passando circunstancial ou indefinidamente no período de internação.

As atividades junto às mães (ou acompanhantes) das crianças internadas tem como objetivo, aliviar momentaneamente as situações de ansiedade, angústia ou de desconforto físico, que elas certamente se submetem pelo acompanhamento direto de todo o tratamento das crianças.

Os voluntários do Projeto Alegria são jovens de 15 anos a 25 anos, desenvolvendo atividades previamente estabelecidas e obedecendo rigidamente as normas preestabelecidas pelas entidades.

Os grupos são formados por jovens voluntários, acompanhados de um coordenador adulto em todas as atividades nas entidades, com a finalidade de direcionar o desenvolvimento do trabalho de forma sistemática para o bom desenvolvimento das atividades voluntárias.

O Projeto Alegria, em parceria com a Travelnet estará, em breve, lançando um site na Internet. Há um projeto, também, de espansão de atendimento para outros hospitais e, dependendo das possibilidades, para outras cidades da região.

Requisitos para ser voluntário:

Para ser voluntário, exige-se habilidades necessárias para desenvolver aptidões artísticas e condições emocionais equilibrada, para lidar com situações humanas adversas, não importando a profissão, credo, sexo, etc... Exige-se apenas que todas as atividades sejam desenvolvidas sempre em clima de respeito, alegria, caridade e compaixão entre si e com o próximo.

Todo voluntário interessado em atuar nesse projeto, passa por um processo inicial de seleção, por um período de preparo e acompanhamento. O voluntário é informado e esclarecido a respeito dos aspectos teóricos e práticos implícitos no projeto.

O processo de seleção, é realizado por adultos responsáveis pela equipe.

De bem com a vida

O professor de yoga e tai chi, Fernando Campos Lima, 44 anos, é uma pessoa de bem com a vida. Para ele, o simples fato de viver é motivo para rir sempre e enfrentar os pequenos problemas do dia-a-dia sem dificuldades.

Minha natureza se formou a aprtir de conceitos da yoga e do tai chi. Todo mundo é um ser contente, mas a vida em sociedade anula o estado normal que bloqueia o contentamento e as pessoas acabam precisando de motivos para estarem felizes ou infelizes, explicou.

Para ele, por pior que pareça o problema, sempre há um motivo para estar contente. O que importa na vida de Lima é o fato de viver, todo o resto é mutável.

Ele disse que quando o problema que está enfrentando não tem solução, ele ri. Se não há como resolver, então você ri. Vai fazer o quê?, disse.

Ele explicou que o riso acelera o processo do sorriso porque libera substâncias químicas relaxantes do organismo. Quanto mais relaxado o indivíduo estiver, mais ele é capaz de rir. A tensão, obviamente, dificulta o sorriso, porque os músculos nem sempre obedecem os comandos. Quando se libera a tensão, aparece o sorriso espontâneo, sinal de que tudo está bem.

Para ele, a criança sorri mais porque é autêntica. A criança expressa mais seus sentimentos ela pode chorar e rir logo em seguida. Isso é a autenticidade que o indivíduo perde quando se torna adulto.

Lima explicou que a gargalhada é um exercício físico que fortalece o sistema cardiovascular e quando a pessoa está debilitada pode morrer de tanto rir, literalmente. Quem sabe sorrir e é capaz de dar gargalhadas, fortalece os músculos, mantém a elasticidade da pele e envelhece menos, disse.

Lima finalizou: a seriedade é uma doença e o sorriso é uma cura.