09 de julho de 2026
Geral

Projetos assistenciais buscam a cidadania

Andréia Alevato
| Tempo de leitura: 4 min

Polícia Militar e grupo católico oferecem programas de alfabetização e recreação para adultos e crianças, visando a cidadania

Os moradores do Ferradura Mirim contam com dois projetos assistenciais desenvolvidos já há bastante tempo no bairro e que visam o resgate da cidadania. O primeiro é o Programa de Apoio Comunitário para Educação e Cidadania (Pacec) da Polícia Militar, que trabalha basicamente com adultos. E o segundo é a Associação Comunitária Caná, ligada à Família Marianista do Brasil, que trabalha com crianças.

O Pacec funciona há dois anos no Ferradura Mirim. Além de ser um projeto social, é também uma modalidade de policiamento. O projeto aproxima mais o policial da comunidade, disse o sargento Edvaldo Francisco Minhano, um dos voluntários do programa. No espaço, uma chácara cedida por um empresário da cidade e que fica em frente ao Mosteiro Imaculada Conceição São José, funcionam três salas de aula, para alfabetização de adultos. Lá, os alunos, todos maiores de 14 anos, participam dos cursos de 1.ª a 4.ª séries do ensino fundamental, e do Telecurso 2000, de 5.ª a 8.ª séries também do ensino fundamental. O sargento Minhano e o soldado José Roberto da Silva são os professores voluntários dos cursos. Este ano, os policiais esperam a participação de 120 alunos. As aulas são ministradas de segunda à sexta-feira, sempre à noite.

Projetos como o Pacec ajudam no policiamento. Quando há apenas o patrulhamento, a população não confia na polícia. Quando o policial está mais próximo da população, há uma confiança maior e o policiamento funciona melhor, afirmou o sargento Minhano.

Esse ano, o sargento Minhano pretende implantar os cursos de Telecurso 2000 do ensino médio (antigo colegial). Para isso, é preciso que mais voluntários participem do projeto. A instalação de uma cooperativa de trabalho é outra meta do programa. Esse programa de geração de renda deve ter início em março.

Boa parte dos moradores do Ferradura Mirim vive da venda de latinhas de alumínio. Estamos contatando a indústria que faz a reciclagem dessas latinhas para eliminar os atravessadores e, conseqüentemente, aumentar a renda dessas pessoas, explicou o sargento. O próximo passo do Pacec é implantar cursos profissionalizantes.

Queremos contato com toda a família. De noite, queremos trabalhar com os pais e de dia, com as crianças, completou o policial voluntário.

Já a Associação Comunitária Caná desenvolve um trabalho com aproximadamente 300 crianças, com idades entre 3 e 16 anos, todas moradoras do Ferradura Mirim. Durante os finais de semana, essas crianças recebem acompanhamento e reforço escolar. Além de educação, as crianças do programa dividem o tempo em momentos de brincadeiras e oração. O pároco que acompanha o projeto, Francisco Jose Del Barrio Tosantos, explicou que o programa visa aumentar o relacionamento e a cidadania entre as crianças. Aos poucos, conseguimos mostrar para as crianças que é possível se relacionar de forma mais amável com as outras pessoas. E conseguimos perceber isso claramente. Quando estão no grupo, as crianças são mais carinhosas, disse o pároco Francisco.

Para incentivar a freqüência das crianças à escola, todas recebem material escolar. Pequenas cestas básicas também são distribuídas para as famílias, como forma de incentivo.

No início, enfrentamos o preconceito de escolas que não aceitavam crianças do Ferradura Mirim, contou Sílvio Carlos de Lima Pereira, um dos voluntários do programa.

A Associação Comunitária Caná trabalhava desde 1983 com os moradores das chácaras da região do Ferradura, como o Tangarás. Em 1994, depois do surgimento dos primeiros barracos, começaram a trabalhar com as crianças da favela que se instalou no local. O Ferradura Mirim nos escolheu, brincou Pereira.

Para o pároco Francisco, projetos sociais ajudam a sociedade a diminuir o preconceito em relação às pessoas que moram em bairros menos favorecidos. Quando iniciamos o trabalho com as crianças, enfrentamos preconceito até de escolas que não queriam matricular essas crianças. Hoje isso diminuiu muito. E os projetos assistenciais desenvolvidos no bairro contribuem para isso. Por isso, temos um projeto amplo, para unir todos os projetos sociais que trabalham no Ferradura, os religiosos e também os que não são ligados a religiões. Queremos tentar unir os esforços para valorizar e resgatar ainda mais a cidadania das pessoas que moram nesse bairro, ressaltou o pároco Francisco.

Pereira disse, também, que a Associação Comunitária Caná pretende reimplantar os projetos com adultos do Ferradura Mirim. No início, tínhamos vários projetos, principalmente com mulheres. Mas depois precisamos escolher entre as crianças e os adultos. Mas queremos retomar isso, disse Pereira.