09 de julho de 2026
Geral

Bauru precisa de R$ 170 milhões

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 5 min

Para o secretário de Economia e Finanças, o orçamento do município precisa passar dos atuais R$ 124 milhões por ano para R$ 170 milhões. Só assim seria possível investir mais

O orçamento para atender Bauru da forma que a cidade necessita deveria ser de, pelo menos, R$ 170 milhões. A estimativa é do titular da Secretaria de Economia e Finanças (SEF), economista Raul Gomes Duarte Neto, para quem o município deveria implementar ações para aumentar sua arrecadação, redefinindo o foco de atuação, para atrair novas empresas, traçando o objetivo de onde se quer chegar, com um planejamento estratégico a partir do que se está buscando. Isso seria necessário para a retomada do desenvolvimento da cidade que perdeu muito nos últimos anos, segundo ele.

O secretário disse que, com um Orçamento de R$ 170 milhões, descontando a folha de pagamento dos servidores públicos municipais, seria possível fazer um investimento mensal de R$ 29,10 per capita, em saúde, asfalto, educação, entre outras coisas. Assim mesmo, ainda é uma cifra bem pequena, afirmou, lembrando que, atualmente, o investimento mensal per capita é de aproximadamente R$ 16,90.

Duarte Neto destaca que, pelo que o município necessita para seus 315 mil habitantes, está arrecadando muito pouco. Ele lembra que Araçatuba, que tem 168 mil habitantes, conta com um orçamento de R$ 130 milhões para este ano; Araraquara, que possui 184 mil habitantes, terá um orçamento de R$ 114 milhões. Araçatuba, além de um contingente menor de população, também não é uma cidade industrial. Não é comercial e a agropecuária, também, tem que questionar, pois não tem mais aquela força na pecuária, pois muitos criadores migraram para o Mato Grosso do Sul, onde a terra é mais barata e a produção é mais em conta. Uma cidade do porte de Araçatuba, ainda assim, tem um orçamento acima de Bauru, constata.

Duarte Neto diz que um dos caminhos para elevar o orçamento, sem aumentar tributos, é vender o pólo de tecnologia que a cidade tem, com cinco instituições de ensino superior, para atrair empresas, que possam ajudar no aumento da arrecadação do município.

O secretário defende que Bauru deveria ter uma pessoa, contratada pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), que realizasse um trabalho efetivo de marketing da cidade, se preocupando com a imagem. Não fazer o marketing de realizar filmes e folders, que já foram ações tentadas num passado recente. Acredito que tem que ter um corpo-a-corpo, de visita, de convencimento, de venda de imagem; mostrar a proximidade da matéria-prima para o empresário, destacou.

O secretário destaca que, atualmente, as empresas não estão buscando somente as vantagens comparativas como doação de área e isenção de impostos , apesar de reconhecer que isso agrega, melhorando o resultado financeiro da organização. Porém, diz, isso deixou de ser o principal. O que consegue ser decisivo, ensina, são as vantagens comparativas dinâmicas: facilidade de se obter matéria-prima, proximidade da mão-de-obra, facilidade de recebimento de insumos e de distribuição de produtos, por exemplo.

Para Duarte Neto, é necessário ter uma equipe preparada neste sentido, para tentar atrair para Bauru as empresas que estão saindo de São Paulo por questões de segurança, por exemplo. Segundo ele, é necessário traçar uma estratégia para que o município possa ser escolhido em uma situação como esta, pelas estradas que possui, pela proximidade com a Hidrovia Tietê-Paraná, entre outras vantagens comparativas dinâmicas.

Ele defende, ainda, que se busque uma forma para que Bauru deixe de ser uma cidade exportadora de cérebros, já que os cursos existentes nas cinco universidades formam profissionais competentes, que conseguem empregos em conceituadas empresas, como a Embraer, sem contar que usufruem da estrutura municipal durante quatro ano. Quando estão preparados, prontos para dar retorno à sociedade, acabam indo embora porque não encontram emprego em nossa cidade, lamenta.

Duarte Neto disse que esse é um trabalho a longo prazo e que não existe fórmula mágica. Ele destaca que deve ser consistente e com planejamento, para que, num futuro próximo não se esteja discutindo a mesma coisa. Para o secretário, é necessário redefinir o foco da cidade para atrair novas empresas, traçando os objetivo de onde se quer chegar, com um planejamento estratégico a partir do que se está buscando.

Tradição política

A família do secretário municipal de Finanças, Raul Gomes Duarte Neto, tem tradição política na cidade. O primeiro a se enveredar na área foi seu bisavô, José Gomes Duarte, o capitão Gomes Duarte, que foi prefeito da cidade e morreu assassinado em 1929, na esquina da Casa Lusitana.

O secretário conta que, após esse infortúnio, a família procurou se afastar da política, embora seu avô, Raul Gomes Duarte, tenha sido eleito vereador no final dos anos 40. Hoje, a família continua envolvida na política, mas só que de forma técnica, diz Duarte Neto.

Ele é formado em economia pela Faculdade de Ciências Econômicas da Instituição Toledo de Ensino (ITE), curso que terminou em 1982. Em 1995, o secretário, que também é coordenador do curso de Administração de Empresas da Universidade do Sagrado Coração (USC), foi enviado pela instituição à Universidade da Flórida, Estados Unidos, onde se especializou em administração geral.

Em 96, foi professor palestrante da Universidade de Burgos, Espanha, onde discorreu sobre o tema Economia Latino-americana. Ainda em Burgos, fez um curso sobre mercados derivativos. Em 97, também representando a USC, foi palestrante da Universidade Federal da Costa Rica. Na USC é professor das disciplinas Economia Brasileira, Economia Internacional, Comércio Exterior e Finanças Internacionais.