A paralisação nacional dos caminhoneiros, cujo início estava previsto para a primeira hora de ontem, não foi percebida nas rodovias que passam por Bauru e cidades vizinhas. O fluxo de caminhões autônomos nas estradas esteve sensivelmente menor no primeiro dia da greve, mas nem mesmo as entidades que representam a categoria sabem estimar o índice de adesão ao movimento. As polícias Militar e Rodoviária armaram um esquema especial para coibir eventuais transtornos no tráfego, mas não precisaram colocar a estratégia em prática.
Os batalhões da Polícia Militar de Bauru, bem como os de todo o Estado, foram convocados a apoiar o policiamento rodoviário. Em cada posto de pedágio, foram disponibilizadas viaturas e efetivo para conter possíveis congestionamentos decorrentes de caminhões encostados ao longo das estradas. Um helicóptero Águia foi deslocado de São Paulo especialmente para realizar o patrulhamento aéreo em toda a região.
Segundo o tenente Daniel Correia de Godoy, relações públicas do CPI-4, a aeronave pousou pela manhã no CPI-4 de Bauru e retornou à Capital pouco depois das 15 horas, após constatar tranqüilidade nas rodovias durante vários sobrevôos. A greve não aconteceu, garantiu. O comando do 2.º Batalhão Rodoviário, responsável pelo patrulhamento de um terço do Estado, confirmou a informação de Godoy, reiterando que nenhum foco da greve foi registrado nas rodovias abrangidas.
O primeiro dia da paralisação dos caminhoneiros, entretanto, mereceu outra interpretação por parte do Sindicato dos Taxistas, Caminhoneiros e Transportadores Autônomos de Bauru e Região. O presidente da entidade, Waldir Faria Freitas, vinculou a aparente fraca adesão ao fato de a categoria ter sido orientada a permanecer fora das estradas. O movimento não tem a intenção de trazer transtornos aos usuários das rodovias, iguais aos verificados na última greve. Os que estavam carregados, foram aconselhados a cumprir a viagem e retornar para casa. Quem não tinha frete, foi orientado a permanecer parado, disse, numa possível justificativa à redução dos caminhões autônomos e à não-ocorrência de focos grevistas nas estradas. Queremos uma paralisação ordeira, acrescentou.
Outra razão para o propalado esvaziamento da greve é a indecisão dos caminhoneiros responsáveis pelo transporte de combustíveis. Até a tarde de ontem, o comando do movimento ainda não havia conseguido a adesão desse grupo, considerado indispensável para o êxito da paralisação. O sucesso do movimento depende muito do apoio dos postos de combustíveis e das refinarias. Se não há diesel para o abastecimento, não há como manter o transporte, ponderou Freitas. A postura antigreve pode estar vinculada a possíveis acordos internos, sobre os quais Freitas, apesar das suspeitas, não tem conhecimento.
A greve nacional dos caminhoneiros autônomos busca a conquista de ganhos mais justos, hoje prejudicados pelos infindáveis pedágios. A principal reivindicação da categoria é pelo custo zero do pedágio ou, ao menos, R$ 1,00 por eixo. Atualmente, os caminhoneiros pagam R$ 5,00 em média por eixo. Resultado: ou embutem os gastos no custo do frete ou continuam amargando uma mínima margem de lucro.