08 de julho de 2026
Geral

Bombeiros apelam para o bom senso

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Apesar dos constantes avisos, banhistas continuam abusando do perigo e morrendo afogados nos rios da região

Iacanga - No último fim-de-semana, quatro pessoas perderam a vida nos rios que banham cidades da região. A velha história volta a se repetir, apesar dos constantes apelos feitos por policiais do Corpo de Bombeiros. Todo verão é a mesma coisa. Algumas pessoas se revestem de uma autoconfiança tão absoluta que acabam menosprezando perigos que muitas vezes tornam-se fatais. Mais uma vez, procurando evitar que novos casos voltem a acontecer, policiais alertam quanto ao perigo e pedem cautela e bom senso aos banhistas que freqüentam as águas ribeirinhas das cidades da região de Bauru.

Além das duas pessoas (Edson Vaz Medeiros, 55 anos, e seu genro, Marcos Sales Ferreira, 20 anos) que morreram em Iacanga, no último domingo, cuja matéria foi veiculada ontem, pelo Jornal da Cidade, outras duas também perderam a vida em Bocaina e Ibitinga. Ambos aconteceram também no último domingo. Na segunda-feira, dia 22, o ajudante de pedreiro Adriano José de Paula, 32 anos, afogou-se na águas do rio Tietê, em Arealva.

Domingo, em Bocaina, o modelador Vágner Ângelo Bento, 35 anos, morador em Ibaté, morreu afogado ao tentar atravessar o rio Jacaré-Pepira em companhia de um irmão e do cunhado. Segundo as testemunhas, Bento afundou de repente e nada pôde ser feito para salvá-lo. O Corpo de Bombeiros de Jaú foi acionado de imediato, mas o corpo do modelador foi encontrado somente ontem, por volta das 13 horas. Bento era casado e tinha dois filhos.

Em Ibitinga, a vítima foi o jovem Rodrigo de Paulo Rita, mais conhecido como Buiú, 21 anos. De acordo com informações da Polícia Militar de Ibitinga, Buiú estava nadando nas águas do rio Jacaré-Guaçu, próximo ao embarcadouro de uma balsa, usada para fazer a travessia de um ponto para outro da cidade. Segundo a polícia, Buiú trabalhava em uma auto-elétrica, era solteiro e provavelmente estaria sozinho no momento em que se afogou, por volta das 9h15. O corpo foi achado às 16h40 por policiais do Corpo de Bombeiros local.

Prudência acima de tudo

Embora estejam devidamente treinados para enfrentar situações de risco que possam resultar em afogamentos, policiais do Corpo de Bombeiros admitem que pouco, ou quase nada, podem fazer para salvar uma pessoa numa situação semelhante. A responsabilidade maior pela preservação da vida cabe única e exclusivamente a cada um. Por isso, a prudência seria o único guarda-vidas realmente eficiente nesses casos, segundo os bombeiros.

O tenente Alexandre Reshe, do Corpo de Bombeiros de Bauru, considera que duas seriam as causas principais de morte por afogamento. Segundo ele, a alimentação inadequada e o excesso de bebida alcoólica formam uma combinação altamente perigosa. Por alimentação inadequada entende-se, na opinião do tenente, comer demais e não esperar o tempo necessário para que o alimento faça uma correta digestão.

Outro ponto considerado agravante, nessas situações, é a busca pela auto-afirmação. Reshe lembra que a maior parte das pessoas que se envolvem nesse tipo de acidente são jovens, e como tal procuram demonstrar coragem e habilidades às garotas e aos amigos.

Ações desesperadas movidas por fortes emoções também devem ser evitadas. O tenente é enfático ao afirmar que raramente uma tentativa de salvamento, nessas condições, é bem-sucedida. O correto é você agarrar a pessoa pelas costas e tentar levá-la para a margem ou algum lugar seguro, recomenda o tenente.

Nunca tente salvar alguém de frente, continuou. Segundo Reshe, se assim for feito esse alguém vai agarrar desesperadamente à pessoa que está próxima. Com isso, toda a ação para um possível salvamento ficaria prejudicada e, fatalmente, os dois afundariam. O ideal, lembra o tenente, é lançar até a pessoa uma bóia, um colete, ou mesmo uma corda.

O risco de afogamento, segundo o tenente, sempre existe. Até mesmo o mais exímio nadador estaria sujeito a uma fatalidade dentro da água. Portanto, avisa o tenente Reshe, todo cuidado é pouco quando se trata de entrar em um rio onde não se sabe com exatidão sua profundidade e os riscos que oferece. Só assim, completa o tenente, mortes como as deste fim-de-semana poderiam ser evitadas.