Quando foi editada a Medida Provisória n.º 2.088, que pretendia multar os dignos promotores públicos, logo posicionei-me totalmente contra.
Porque no Brasil, como em muitos outros países, impera o grave problema da pobreza, das desigualdades, da fome, da miséria, péssimo atendimento à saúde, educação para os pobres e aliados a uma fraca capacidade de geração de poupança predominante na América Latina, em especial no Brasil, que reduz investimentos na área social que, necessariamente, devem ser compensados com investimentos externos.
Essa triste situação dos pobres fere frontalmente os princípios de liberdade tão bem explicados pelo economista Amartya Sen em seu livro (Prêmio Nobel de Economia), onde tudo se relaciona à liberdade, liberdade política, social, econômica etc. Uma pessoa que não consegue estudar porque é pobre está com a liberdade educacional cerceada e assim por diante, votar, trabalhar etc.
Essa situação dos pobres persiste massacrando as classes menos favorecidas (não falo em aumentar os recursos dos pobres prejudicando os riscos honestos e produtivos).
A pobreza existe, persiste e vem aumentando, qual a sua causa? A causa está nos desfalques, desmandos, roubalheira desenfreada, obras faraônicas inúteis, desperdício (toneladas de alimentos apodrecendo), verbas vultuosas desviadas que nunca chegam ao seu destino e tantas outras coisas que estamos cansados de ver diariamente.
Mas sempre resta uma esperança para coibir esses abusos, prender, tentar recuperar o que foi roubado e, acima de tudo, punir os culpados dos danos causados ao patrimônio da União, que certamente faltará aos pobres.
Essa esperança que poderá amenizar essa situação dos pobres reside exatamente no Ministério Público, respeitável, altamente idôneo e confiável, apoiado pela informatização dos serviços que, quando trabalha no exercício de suas funções, está defendendo os recursos da União que, com toda certeza, poderão amenizar essa pobreza generalizada que aumenta, preocupa e se transforma em violência.
Recentemente, em São Paulo, tivemos uma grande mostra do trabalho dos jovens e brilhantes promotores (máfia dos fiscais). O dinheiro roubado da Previdência não prejudica os ricos e sim os pobres aposentados.
Nenhum homem de mediana inteligência ou de simples bom senso ousaria negar a extraordinária ação do Ministério Público. Recebam minha total solidariedade e a minha expressão da mais alta consideração. (Blasco Peres Rego - OAB 17.461)