08 de julho de 2026
Geral

Quando deixamos de querer, temos todas as coisas

(*) Ercília Pollice
| Tempo de leitura: 2 min

Ansiedades, angústia, estresse, desejos não realizados, incertezas... Todas essas coisas, fazem parte do viver diário do homem do nosso tempo.

Os acontecimentos do mundo vão nos levando, sem que nos demos conta. A mídia nos induz. A vida nos conduz.

No entanto, começo a perceber, não sei se a tempo, ou fora do tempo, que o mundo com datas ou sem datas, com cometas ou sem eles, com passagem de século ou de milênio, vai rodando do mesmo jeito, e seguindo sua rota, e nos fazendo parte desse movimento sem que isso modifique um segundo sequer nosso percurso interior.

Mas... sempre há um mas, imaginemos que vivêssemos sem essa expectativa, sem esperar por nada...

Que vida horizontal, linear, chata, boring (como dizem os americanos), seria esta nossa vida de cada dia, e de todos os dias. Experimente tirar os penduricalhos da vida, e veja o que nos resta:- aporrinhação e chatice, apenas!

Por isso é que a pior agressão que se pode cometer contra o ser humano é o tirar-lhe a esperança. Sem ilusões, sem sonhos, sem a alegria do recomeço, nossa alma perece.

Portanto, vamos esperar que o novo ano, a nova era, possa reverter todas as coisas em nossas vidas, que ansiamos ver restauradas ou mudadas.

Para vencermos o tranco do viver diário, precisamos crer que de repente tudo irá dar certo, tudo poderá mudar.

O crer em dias melhores, nos fará pelo menos melhores. No mínimo melhores sonhadores, portanto menos amargos.

Então, não é a mudança de século ou de milênio que fará mudar nossas vidas, mas nossas vidas esperançosas buscando ser feliz, é que vestirão o Novo Ano de roupa nova, trazendo-nos mudanças.

Diz o sábio chinês: Quando deixamos de querer, temos todas as coisas. Eu, o que posso dizer, é que posso deixar de querer tudo, mas não quero jamais, deixar de querer ter sonhos.

O sonho nos torna a alma leve, o coração alegre, nos dá brilho ao olhar, portanto nos aformoseia o rosto.

A vitória é daquele que crê.

Não são palavras minhas, mas do mestre dos mestres.

O sábio chinês que me perdoe. Estou com Cristo e não abro.

Quero trazer à memória, o que me pode dar esperança. (Romanos - 15,13)

(*) Ercília Ferraz de Arruda Pollice é escritora, poetisa, membro da Academia Bauruense de Letras e Colaboradora do Ju Machado-Escritório de Arte.