Thaíde e Nelson Triunfo estão entre os precursores do movimento hip hop no Brasil. Entre o final da década de 70 e início da década de 80, o movimento ganhou força em algumas regiões da cidade de São Paulo, como o Centro e o Largo São Bento.
Persistentes nesse caminho e explorando os elementos que compõem o hip hop - o rap, o break e o grafite -, os músicos atualmente viajam pelo País divulgando o movimento por meio de palestras, oficinas culturais e debates.
Os dois participaram do projeto Hip Hop - A Linguagem de Rua, promovido esta semana pela Oficina Cultural Regional Glauco Pinto de Moraes. Nessa passagem por Bauru, eles conversaram com a reportagem do JC Cultura.
O rapper Thaíde fez algumas reflexões sobre a mídia e a importância do movimento hip hop.
Para ele, a mídia não é nociva por natureza; é a utilização que dão a ela que determina sua estrutura. Se você não está interessado em ser um produto de consumo, então você não deve se aventurar a fazer música, que depois será vendida. Não precisamos da mídia mentirosa, sensacionalista. Mas eu quero que o meu trabalho seja divulgado pelos meios de comunicação sérios, que as minhas músicas toquem nas rádios.
Sobre o movimento hip hop, Thaíde declara que essa manifestação artística e cultural consegue penetrar na alma das pessoas. O hip hop faz com a gente enxergue coisas que há muito tempo as pessoas não conseguem ver, analisa.
Thaíde e o performer Nelson Triunfo defendem a união das diversas manifestações do movimento. Para eles, essa relação passa pela valorização dos espaços conquistados.
Outra iniciativa relevante defendida pelos dois é que o hip hop tenha uma cara mais nacional. Para Thaíde, o Brasil é um país muito rico em ritmos. Triunfo diz que o rap pode ser cantado como embolada e a embolada, como rap.
Thaíde define o rap como uma música contestadora e de resistência. Nas suas palavras, a música rap veio justamente para incomodar, acordar as pessoas, porque existe muita coisa errada. A denúncia na música rap tem sempre que existir. Ela é uma grande arma de resistência.
Já Nelson Triunfo entende o rap como uma possibilidade de educar as pessoas. Para ele, essa educação só será possível a partir do momento em que a periferia passar a ser respeitada. A periferia precisa de atenção. Ela é violenta porque precisa de atenção, alerta.