09 de julho de 2026
Geral

Ex-presidente da OAB solicita informações sobre denúncias

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

O advogado Henrique Crivelli Alvarez, presidente por duas vezes da Subseção-Bauru da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), protocolou três pedidos de esclarecimentos a respeito de recém-lançadas denúncias contra a gestão de Gérson Moraes Filho, que deixou a presidência da entidade em dezembro de 2000. Ele está cobrando da atual diretoria, presidida por Édson Reis, informações quanto às providências tomadas para averiguar as virtuais irregularidades. Também encaminhou ofícios à Caixa de Assistência dos Advogados de São Paulo (Caasp) e à Seccional da OAB no intuito de checar as acusações.

A existência de irregularidades foi comunicada internamente por conta de cobranças de benfeitorias feitas à diretoria recém-empossada. Esta, através de ofício, informou ter encontrado a entidade com um enorme déficit, além de anunciar a suspensão dos atendimentos via Caasp e o sumiço de livros contábeis. Considerando grave a situação, Alvarez quer saber quais providências a Subseção vem tomando para esclarecer tais fatos. Requerimento nesse sentido foi protocolado por ele na última segunda-feira, mas sem resposta até o momento.

Ontem, mais dois pedidos de esclarecimento foram protocolados. Junto à Caasp, Alvarez quer confirmar a suspensão dos atendimentos, seu motivo e o valor do eventual débito. Consta que as faturas não foram pagas devidamente e que a assistência estaria sendo feita de forma provisória pela Subseção de Pederneiras. Dentre outros benefícios, a Caasp fornece medicamentos aos advogados associados a preços subsidiados. O remédio é encaminhado via São Paulo e o pagamento feito pelo usuário na subseção local, que tem a obrigação de remeter os valores recebidos.

O terceiro requerimento foi endereçado à Seccional de São Paulo, a quem as subseções devem prestar contas. Se a diretoria anterior deixou o déficit, quero saber de quanto e sua origem. Afinal de contas, a Seccional tem por responsabilidade deliberar a respeito das contas apresentadas, justificou.

Alvarez não parece surpreso com as alegadas irregularidades, até porque denunciara o uso da máquina por parte do ex-presidente durante a campanha eleitoral de sucessão interna, em novembro passado. Talvez se tivessem tratado as denúncias com menos parcialidade, já teríamos descoberto a real situação da entidade, comentou.

De dívidas da subseção -Bauru comprovadas até o momento, sabe-se apenas de um montante de R$ 2.689,00 em títulos protestados.

Providências

Localizado em Brasília na tarde de ontem, durante o evento de posse do Conselho Federal da OAB, o conselheiro estadual e também ex-presidente da Subseção-Bauru Ailton Gimenez disse que a atual diretoria, a qual apoiou durante as eleições, tem conhecimento sobre a existência de alguns problemas e que já está tomando as providências cabíveis. Segundo ele, foram instaladas sindicância e auditoria para averiguar responsabilidades e possíveis irregularidades.

Gimenez ainda informou que, por falta de tempo hábil, o pedido de informações feito por Henrique Crivelli Alvarez ainda não foi respondido, mas que o será o mais breve possível. O conselheiro falou em nome do presidente da subseção, Édson Reis, que durante o contato telefônico encontrava-se em reunião.

Desconhecimento

Gérson Moraes Filho, presidente da Subseção-Bauru na gestão passada, alegou deconhecimento sobre as irregularidades apontadas pela diretoria que o sucedeu. "Sobre a Caasp, realmente sei de alguns poblemas, mas quanto às demais colocações, deconheço todas". Moraes Filho disse que estava fora da cidade e não soube dos comentários em torno da questão. "Vou me inteirar do que está acontecendo para depois me manifestar", disse.