08 de julho de 2026
Geral

Apenas 10% dos raios caem na terra

Andréia Alevato
| Tempo de leitura: 3 min

Os outros 90% dos raios são entre nuvens. Ao contrário do que diz a crendice popular, os raios podem atingir um lugar mais de uma vez

Quem pensa que todo raio que se forma cai na terra se engana. Apenas 10% dos raios formados caem na superfície terrestre. Os outros 90% são entre nuvens.

O raio, também chamado relâmpago, faísca ou descarga atmosférica, é um fenômeno da natureza perigoso e imprevisível. Por isso, é necessária uma proteção adequada para minimizar seus danos, como o pára-raios. O processo de surgimento do raio começa quando uma nuvem acumula cargas elétricas em sua base. Então, aparece um caminho condutor, chamado de canal ionizado, da nuvem para a terra e através dele surge uma faísca, que é o raio líder descendente. Com isso, a quantidade de cargas elétricas na superfície da terra aumenta gradativamente e dá início a um processo semelhante da terra para a nuvem, chamado de raio líder ascendente, principalmente em objetos salientes e pontiagudos.

Quando um raio líder descendente encontra um líder ascendente ou o próprio solo, inicia-se o processo de neutralização de cargas, através de um intenso impulso de corrente elétrica que percorre o canal ionizado, um condutor aberto entre a nuvem e a terra, que é o raio.

Os raios podem ocorrer no interior de uma nuvem, entre duas nuvens e entre uma nuvem e o ar, que ocorrem em 90% dos casos, ou de uma nuvem para a terra, que são os 10% dos raios formados que caem na terra. Quando acontecem, provocam um clarão, o relâmpago, e, logo em seguida, um barulho, o trovão, devido ao deslocamento de ar. Alguns raios ocorrem com uma repetição do processo inicial, ou seja, o primeiro é seguido de impulsos sucessivos (múltiplas descargas), na maioria das vezes utilizando o mesmo caminho (o canal ionizado condutor) do primeiro impulso de corrente.

Onde cai e como se propaga

Ao procurar um caminho para sua descarga, o raio atinge os pontos altos e mais pontiagudos, onde existe uma maior concentração de cargas elétricas. Assim, ele pode cair em um mesmo lugar várias vezes, contrariando o dito popular que diz: um raio não cai duas vezes no mesmo lugar.

Os raios que provocam danos em uma instalação podem vir através da antena de televisão, de um varal metálico, de uma cerca de arame, das redes telefônicas, das redes elétricas ou até mesmo pelo sistema de aterramento da casa em locais onde o aterramento não seja bem feito. Eles também podem ser conduzidos por varais metálicos e cercas de arame, se estes não forem seccionados e bem aterrados. Os raios podem atingir diretamente prédios e casas por estarem ou serem pontos altos. O mesmo ocorre com igrejas, chaminés, torres de televisão, árvores ou até uma casa em área descampada. Eles atingem a rede elétrica ou suas proximidades, e preferencialmente em lugares descampados e altos. Ao atingirem a rede elétrica, eles causam um aumento de tensão elétrica (voltagem). Ela se propaga na rede até que haja um ponto onde possa ser escoada para a terra.