Bairros que ficam em partes altas da cidade são alvos mais fáceis dos raios. A Zona Sul tem a vantagem de ter vários pára-raios em prédios
Não existem pesquisas que mostram quais bairros em Bauru são mais atingidos por raios, mas, sabe-se que as regiões altas são as que mais recebem as descargas elétricas. Em Bauru, os bairros mais propensos a queda de raios são o Jardim TV (Zono Noroeste), que já teve diversas ocorrências de queda de raios, e os bairros da Zona Sul.
Não existem estudos de quais são os bairros mais atingidos por raios em Bauru, mas a incidência maior de queda de raios são os lugares altos e com pontos altos ou locais descampados. Um pasto com uma única árvore: esse é o ponto mais propício para ser atingido por um raio. Na cidade, os alvos são os bairros mais altos. O Jardim TV é um dos bairros mais propensos a ser atingido por raios, disse o físico Denilson de Assis Quintão, técnico de eletrônica do lançamento de balões do Instituto de Pesquisas Meteorológicas da Unesp de Bauru (IPMet) e estudioso de raios.
Porém, a Zona Sul tem uma vantagem sobre o Jardim TV: o grande número de edifícios protegidos por pára-raios, o que assegura, de certa forma, as casas vizinhas.
A Zona Sul tem a vantagem de ter vários pára-raios, devido ao número de prédios. Mas isso não quer dizer que a região está 100% protegida, porque não há local totalmente protegido da queda de raios, afirmou Quintão.
Verão: tempo de raios
O verão é a época do ano em que há mais formação de raios. Essas descargas atmosféricas são comuns em países tropicais, e o Brasil concentra grande parte dos raios que caem no mundo.
Segundo dados do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), aproximadamente 100 milhões de raios atingem o Brasil por ano, causando prejuízos estimados em US$ 500 milhões e a morte de 200 pessoas. Só no Interior de São Paulo, as tempestades produzem, em média, dez milhões de descargas elétricas. Cerca de 70% dos raios que incidem sobre o mundo são no Brasil.
Segundo informações do Instituto Tecnológico - Simepar, do Paraná, cerca de 340 raios caem, em média, durante uma tempestade de oito horas. Mas nem só as grandes tempestades geram raios. As erupções de vulcões também provocam raios.
Cuidados no caso de tempestade
O que fazer dentro de casa
Não tome banho durante as tempestades.Não use chuveiro ou torneira elétrica.Evite contato com qualquer objeto que possua estrutura metálica, como fogões, geladeiras, torneiras e canos.Evite ligar aparelhos e motores elétricos para não queimar os equipamentos.Afaste-se das tomadas e evite usar o telefone. Tire da tomada telefones sem fio, fax ou secretária eletrônica. Desconecte das tomadas os aparelhos eletrônicos.Desconecte a televisão ou outro aparelho do cabo da antena e o computador da linha telefônica e de energia elétrica. Espelhos não atraem raios. Por isso, a pessoa pode se olhar no espelho quando está chovendo.Permaneça dentro de casa até a tempestade terminar.
O que fazer fora de casa
Evite contato com cercas de arame, varais metálicos, grades, tubos metálicos, linhas telefônicas e de energia elétrica ou qualquer outro objeto de estrutura metálica.Afaste-se de tratores ou outras máquinas agrícolas, motocicletas, bicicletas e carroças. Não fique em campos abertos, pastos, campos de futebol, piscinas, lagos, lagoas, praias, árvores isoladas, postes, mastros e locais elevados.Se possível, permaneça dentro de um veículo caso ele tenha teto de estrutura metálica. A carcaça do carro protege, como se fosse uma gaiola. Não ficar debaixo de árvores. A árvore tem seivas que atraem os raios. Se não tiver lugar para ficar, fique abaixado, de cócoras, com os dois pés juntos. Quando o raio atinge o chão, ele se espalha e se desloca de um ponto a outro. Se a pessoa estiver com os pés afastados e próxima da área atingida, a distância entre eles apresenta alta voltagem. Se os pés estiverem unidos, como se fossem um único ponto, não existirá essa voltagem.
A história dos raios
Os raios sempre assustaram os humanos. Na mitologia, a origem dos raios e trovões sempre foi cercada por mistérios. Os gregos acreditavam que Zeus enviava os raios à Terra para despejar sua ira. Os Vikings achavam que os raios eram produzidos quando o deus Tor batia seu martelo. Índios norte-americanos acreditavam que um pássaro gigante produzia os raios e trovões quando batia suas asas.
Mas foi Benjamin Franklin quem demonstrou, pela primeira vez, que o relâmpago é um fenômeno elétrico, com sua famosa experiência com uma pipa (papagaio). Ao empinar a pipa num dia de tempestade, ele conseguiu obter efeitos elétricos através da linha e percebeu, então, que o relâmpago resultava do desequilíbrio elétrico entre a nuvem e o solo. A partir dessa experiência, Franklin produziu o primeiro pára-raios.
No final do século XVIII, importantes descobrimentos no estudo das cargas estacionárias foram conseguidos com os trabalhos de Joseph Priestley, Lord Henry Cavendish, Charles-Augustin de Coulomb e Siméon-Denis Poisson. Os caminhos estavam abertos e em poucos anos os avanços dessa ciência foram espetaculares.