Para especialista em genética, a colaboração entre diferentes países proporciona incontáveis avanços à medicina
O especialista em genética das anomalias craniofaciais, Maximiliano Muenke, do Instituto Nacional de Pesquisas sobre o Genoma Humano, dos Estados Unidos, está em Bauru ministrando palestras sobre a sua especialidade e e estudando casos de pacientes do Centrinho. Ele acredita que as colaborações entre especialistas de diferentes países têm proporcionado grandes avanços à medicina.
Muenke esteve em Bauru em 1993 e 1994 pela primeira vez. Na ocasião, analisou 50 pacientes, cujo estudo o permitiu encontrar as causas de seus problemas genéticos. Agora, estou aqui para ver mais pacientes e trabalhar sobre a genética de seus problemas, afirma Muenke.
Durante todo o dia do último sábado foram realizadas, no Centrinho, palestras sobre genética das anomalias craniofaciais. Estiveram presentes estudantes e especialistas da USP - Bauru e da Unesp - Botucatu. Na sexta-feira, participou da banca examinadora de uma pesquisadora do Centrinho, Ana Carolina Braga, cujo trabalho tratava de fissura de palato.
O especialista falou ao Jornal da Cidade sobre a importância do mapeamento do genoma humano, desvendado em 2000. Agora, será muito mais fácil encontrar as causas das doenças genéticas. E faz uso de metáfora para explicar o avanço. O que antes nós procurávamos em um livro de centenas de páginas, agora encontramos em apenas 10. Agora, as coisas estão mais fáceis que há cinco anos atrás.
Ele acrescentou que será possível, não somente diagnosticar, mas tratar as doenças antes do nascimento do bebê. Caso uma criança nasça com o problema, nós poderemos dizer aos pais que eles não terão outra criança com o mesmo problema.
Sobre a possibilidade de cura de doenças antes do nascimento, o norte-americano acredita que isso deve acontecer em aproximadamente 20 anos. O que pode ser feito, por enquanto é a prevenção. A mãe, antes de ter o bebê, pode tomar específicas vitaminas, como vitaminas B, que atuarão especificamente no material genético e ajudarão na prevenção das doenças de lábio-leporino.
As colaborações entre países, na opinião do médico, são bastante saudáveis. As colaborações são melhores quanto mais os especialistas de diferentes áreas trabalharem juntos. Eu ministrava palestras semelhantes há sete anos e, há sete anos, nós sabíamos apenas sobre um gene. Agora, já posso falar sobre 10 ou 15 genes. Eu não imaginava que isso ocorreria tão rapidamente.