A taxa básica de juros nos Estados Unidos caiu 0,5 ponto percentual, ficando em 5,5% ao ano. Ficou dentro da expectativa do mercado.
O motivo dessa redução é a desaceleração da economia norte-americana. Por exemplo, o quarto trimestre de 2000 observou um crescimento do PIB menor do que o esperado: 1,4% contra a projeção de 1,9%.
O que os juros têm a ver com isso? Na verdade a taxa de juros é um instrumento de política monetária. A tese é que, se há necessidade de expandir a economia, reduzindo-se a taxa de juros há aumento da liquidez no sistema, ampliando o crédito e desestimulando a aplicação financeira.
Essa expansão no crédito, somada a um provável aumento de demanda, garantem manutenção do nível de atividade econômica ou que a queda seja mais lenta. Além desses aspectos poderemos ter:
- estímulo para aplicações em renda variável, considerando que os juros são menores;
- desconfiança que os EUA possam entrar em forte recessão, portanto, as empresas terão fraco desempenho sendo hora de desfazer das ações (isso se contradiz com a lógica de que juros menores fazem aumentar a demanda por ações);
- menor custo da rolagem da dívida externa brasileira;
- menor custo de captação de recursos estrangeiros;
- espaço para uma redução na taxa Selic (a taxa básica no Brasil);
- atração de investidores estrangeiros;
- menor investimento das empresas americanas sediadas no Brasil;
- redução do preço do barril do petróleo internacionalmente se a economia americana diminuir o ritmo de crescimento.
Veja que alguns aspectos estão diretamente ligados a redução dos juros, e outros ligados a desconfiança na manutenção do bom desempenho da economia americana. Essa desconfiança ficou clara ao ser anunciado o viés de baixa, ou seja, a qualquer momento pode ocorrer nova redução nos juros.
O melhor a fazer é deixar o mercado se acomodar, pois há leituras positivas, indicando que há uma desaceleração, ou leituras pessimistas, indicando que há uma forte recessão pela frente.
Como cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém, vamos aguardar.
(*)Reinaldo Cafeo é economista e colaborador do JCcafeo@economiaonline.com.br