08 de julho de 2026
Geral

Hepatite gera polêmica em Agudos

Tânia Fonseca
| Tempo de leitura: 4 min

Na opinião de especialista, a falta de saneamento básico eficiente pode estar colocando em risco a saúde da população

Agudos - Não se trata de uma epidemia mas os cinco casos de hepatite oficialmente registrados este ano em Agudos estão causando uma certa polêmica. Apesar de duas moças terem morrido na semana passada, contaminadas pelo tipo B da doença, a grande discussão fica por conta dos casos de hepatite tipo A, aquele teoricamente menos complicado e que é transmitido através de água contaminada e esgoto a céu aberto, enfim problemas de saneamento básico.

O assunto reacendeu uma discussão iniciada há dois anos: a alteração do contrato de concessão do serviço de água e esgoto à Sabesp. O problema é que Agudos ainda não tem esgoto tratado, apesar do assunto constar do cronograma de obras da Sabesp. A grande preocupação, segundo o médico e ex-vereador José Carlos Morandini, é que a falta de um saneamento básico adequado coloca em risco a saúde da população, principalmente daquela parcela economicamente menos favorecida. Ele não descarta a possibilidade do número de pessoas contaminadas pela hepatite A ser maior ainda, já que nessa modalidade, a cura da doença é praticamente espontânea e nem sempre são solicitados exames que registram a existência da doença.

O diretor de Saúde do Município, Jaime Caputti, que é também o vice-prefeito, afirmou ao Jornal da Cidade que o Posto de Saúde registrou apenas esses cinco casos, confirmando que duas moças morreram, contaminadas pelo tipo B. A transmissão do vírus da hepatite tipo B não está relacionada diretamente ao saneamento básico. Ela segue a mesma linha do vírus da aids, com a contaminação podendo ocorrer na gestação, pela relação sexual ou através de ferimentos na pele causados por objetos que tenham sangue contaminado, como seringas, agulhas, bisturis, alicates de cutícula, material dentário e outros.

Na opinião do médico, os casos de hepatite na cidade não chegam a ser alarmantes mas estão um pouco acima da média aceitável. Morandini lembra que ao longo do ano passado, várias crianças foram afastadas temporariamente das aulas por causa da hepatite A, uma situação que poderia ser evitada com a prevenção. E o melhor remédio para previnir o tipo A, lembra ele, ainda é a higiene que quase sempre está relacionada a um eficiente serviço de saneamento básico.

Quanto à Sabesp, o que se questiona, segundo o médico, é o ainda não-cumprimento do item que versa sobre o tratamento de esgoto. Essa questão, aliás, é objeto de investigação por parte do Ministério Público de Agudos, uma vez que alguns meses após a Sabesp assumir o serviço de água no município, foi promovida uma alteração no contrato de concessão que consequentemente alterou o cronograma de obras. O MP quer saber se houve algum tipo de irregularidade por parte da Prefeitura nessa alteração e que supostamente poderia estar causando algum prejuízo ao município.

A Sabesp, por sua vez, informou ontem à reportagem que o tratamento de esgoto está nos planos da empresa sim, conforme prevê o contrato e as obras devem ter início ainda este ano.

Hepatite A

Segundo especialistas, uma doença incômoda, mas relativamente simples de se tratar. Os sintomas: enjôo, vômito, perda de apetite, moleza, urina escura e icterícia (pele e olhos amarelados). Na maioria dos casos, a recuperação é total, e nem é preciso submeter-se a tratamentos muito complicados. Quase sempre o organismo se cura sozinho. A recomendação básica é repouso, boa alimentação, ingestão de pouca gordura e abstenção total de álcool. Quem teve hepatite A pode até doar sangue normalmente, ao contrário dos portadores de hepatite B e C.

O vírus é comum nas creches. A transmissão é fecal-oral, já que o vírus se prolifera nas fezes das pessoas contaminadas. É por isso que a principal via de contaminação são as águas invadidas pelo esgoto. A doença também é muito comum em creches e na pré-escola, já que muitas crianças ainda não têm o hábito de lavar as mãos após ir ao banheiro. Nas creches, a contaminação dos funcionários pode ocorrer, ainda, no ato da troca de fraldas. A comida também pode ser uma via de transmissão, quando preparada por uma pessoa infectada que não lave as mãos direito após evacuar.

A hepatite A não é contraída no ar. Por tudo isso, é lógico imaginar que a doença é mais comum em locais com baixas condições sanitárias. Outra orientação importante é para se consultar um médico, sempre que houver qualquer suspeita, pois só ele saberá diagnosticar quando o problema pode evoluir para um quadro mais grave.