08 de julho de 2026
Geral

Lixo alimenta comércio no Santa Fé

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Catadores afirmam que sobrevivem de vendas de objetos que são despejados. Emdurb diz que é impossível fiscalizar

Um grande acúmulo de lixo localizado na rua Sargento Leôncio Ferreira dos Santos, que fica no bairro Santa Fé e dá acesso à rodovia Bauru-Marília (SP-294), tem atraído insetos ao local, além de moradores do próprio bairro e vizinhos, como do Parque Roosevelt e Fortunato Rocha Lima (Desfavelamento), que alimentam um comércio informal baseado na venda de papéis, latinhas e outros objetos que são abandonados às margens da via.

Restos de alimentos, folhas de jornal, notas fiscais rasgadas, animais mortos, cadernos, sofás e cacos de vidro são alguns dos elementos que compõem o cenário da rua, o caminho mais curto para chegar até o centro da cidade, segundo moradores.

Alguns dos catadores afirmam sobreviver do dinheiro da venda de objetos encontrados no local. É o caso de Conceição Barros de Carvalho, que todos os dias aguarda a chegada dos caminhões e automóveis que descarregam lixo. Estou desempregada e ultimamente sobrevivo disso. Às vezes, espero para pegar jornal, latinha e papelão para vender. Eu já peguei até cama e estofado que eu uso até hoje, conta ela.

A catadora acredita que grande parte do lixo é despejado no local por caminhões de empresas. Sexta-feira, sábado e domingo são os dias em que mais aparece lixo aqui. Em alguns dias, há disputa entre umas 20 pessoas para pegar as coisas que são deixadas.

No entanto, ela confessa que o lixo prejudica os moradores dos bairros vizinhos. Isso gera barata, escorpião e muito mosquito. Às vezes, tem até cavalo e cabrito mortos que ficam até que os urubus comam e a gente tenha que colocar fogo. Um dia, eu já cheguei a contar 11 cachorros mortos. Fica um cheiro terrível, principalmente à noite, declarou.

Algumas propostas que visam melhorar a situação são levantadas pelos catadores. Eu acho que tinha que ter um lugar específico para isso, mas com acesso, para que possamos tirar as coisas de lá para o nosso salário, sugere Conceição.

Além do mau cheiro e da proliferação de insetos, a fumaça provocada por pessoas que queimam parte do lixo deixado no local compromete a saúde de pessoas que moram nas proximidades. Minha filha, que tem bronquite, sempre vai para o Pronto-Socorro quando eles resolvem queimar pneu, disse a catadora.

O correto mesmo seria asfaltar isso aqui. Aí sim eu acho que eles parariam de jogar lixo, sugeriu outro catador que preferiu não ser identificado.

A assessoria de comunicação da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), alega que a coleta de lixo atende àquela região todas as segundas, quartas e sextas-feiras, no período da manhã. No entanto, lembra que o lixo deve estar embalado em sacos plásticos. Ontem à tarde, funcionários da Diretoria de Limpeza Pública da empresa visitaram o local para observar de perto a situação. De acordo com informações da assessoria, foi constatado que 99% do material despejado no local são entulhos. O restante é proveniente de um supermercado da região, que foi comunicado do fato e recebeu um prazo até as 18 horas de ontem para retirar o lixo que depositou na área. O órgão de comunicação da Emdurb explicou que, caso o estabelecimento não cumpra o prazo, a Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) é quem vai cuidar do problema, podendo até autuar os responsáveis pelo supermercado. Em relação ao entulho, a assessoria de imprensa lembra que comunicou a Secretaria das Administrações Regionais (Sear) sobre o caso.

Quanto à fiscalização do lixo que é abandonado no local, a Regional Bela Vista informou que a cada dois meses são realizadas limpezas com máquinas e caminhões. No entanto, afirmam que empresas aproveitam-se dos sábados e domingos, em que não há fiscalizações pela Prefeitura, para descarregar o lixo. Não há como manter a fiscalização ali, disse Antônio José Schiavo, diretor da Regional Bela Vista.

Ele acrescentou que ontem foi realizada uma reunião com representantes da Sear, ds Seplan e da Secretaria Municipal de Saúde, que discutiram as fiscalizações do lixo na cidade. A partir de hoje, serão intensificadas as fiscalizações, garantiu.