Países desenvolvidos como a França, Alemanha, Estados Unidos e Japão optaram pelo transporte ferroviário como uma alternativa barata, segura e eficiente. Os trens são modernos, confortáveis e velozes, chegando a atingir 250, 300 km/h. Os Estados Unidos, por exemplo, têm mais de 600.000 km de ferrovias que cortam o país de costa a costa em quatro direções. Já o Brasil tem menos de 30.000 km de estradas de ferro e ainda assim de 70 a 80 por cento estão em péssimo estado de conservação. Como se vê, estamos na contramão da história ao optarmos basicamente pelo transporte rodoviário não só em detrimento das ferrovias, mas também às hidrovias que ainda são pouco exploradas. A malha oeste da Rede Ferroviária Federal, na qual Bauru está incluída, foi arrendada por um grupo norte-americano em 1996, por 62 milhões de dólares, surgindo aí a Novoeste. Mas em 98 a empresa se mudou para Campinas e abandonou a estação ferroviária da cidade que hoje está toda depredada e serve apenas como moradia para mendigos e desocupados.
Qual será a solução? O professor e historiador João Francisco Tidei de Lima sonha com a volta dos bons tempos da Noroeste, Sorocabana e Paulista, quando 28 trens de passageiros circulavam diariamente pela estação de Bauru transportando 18 mil pessoas; o sindicalista Roque Ferreira sugere o aproveitamento dos trilhos para implantação de trens suburbanos; já o prefeito Nilson Costa quer a cessão do prédio em comodato para instalar ali a Prefeitura Municipal e algumas secretarias para, quem sabe, revitalizar as imediações da praça Machado de Mello. Entretanto, a Rede Ferroviária só admite vender o prédio por 3 milhões e 800 mil reais, valor que o prefeito considera fora de cogitação. Enquanto isso, um patrimônio gigantesco que já foi considerado o maior entroncamento ferroviário da América Latina vai se transformando em ruínas... (Ademir Elias - Mtb 23.322)