A crise do PSDB poderá se agravar nos próximos dias com abaixo-assinado que pede a dissolução do diretório
A crise entre as correntes que dominam o PSDB de Bauru ganhou novos contornos ontem. O presidente da executiva municipal da legenda, Rubens Spíndola, denunciou que está sendo articulado um golpe para destituí-lo do comando do partido, que terá como conseqüência a dissolução do diretório local.
Segundo ele, o golpe estaria sendo preparado pelo coordenador regional do PSDB, Élio Busch, que teria se aliado a Carlos Ladeira para conseguir seu objetivo. Os dois seriam os autores de um abaixo-assinado que está correndo entre os 39 membros do diretório municipal pedindo sua dissolução. Para dissolver a instância política, é preciso que 50% de seus integrantes concordem com a proposta.
Segundo informações de bastidores, Busch e Ladeira estariam bem próximos de conseguir o número mínimo de assinaturas necessário para derrubar Spíndola da presidência da executiva tucana.
Spíndola avisa a seus inimigos que vai resistir a trama. Como não estou atendendo aos interesses particulares da família Busch, querem me derrubar, afirma. O presidente tucano diz que, por convicção, é contra a prática do nepotismo, dando a entender que Élio Busch se beneficia das funções político-partidárias que ocupa para empregar familiares em cargos comissionados do governo do Estado.
Ele entende que qualquer movimentação visando sua destituição do comando da legenda antes de outubro próximo, pode ser classificada de golpe. Os tucanos marcaram para outubro a convenção municipal que elegerá o novo diretório do partido. Acho que querem me afastar por querer cumprir o estatuto do PSDB, comenta.
Spíndola é contra o retorno de ex-tucanos ao partido, entre os quais o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) e o ex-deputado federal Tuga Angerami (PSB). Ele diz que se a dupla for convidada a retornar, as propostas de filiação terão que passar pela executiva nacional do PSDB, conforme determina o estatuto em seu artigo 7.º, parágrafo 8.º.
Sempre vesti a camisa do partido. Fui contra a aliança com o Pedro Tobias e lutei por uma candidatura própria à Prefeitura. E deu no que deu. Cometeram um grande erro, avalia. O tucano afirma que até mesmo o governador em exercício, Geraldo Alckmin, achou estranho o PSDB de Bauru não ter candidatura própria ao Executivo.
Spíndola diz que desconhece o que Busch e Ladeira deverão alegar para destituição do diretório. O PSDB de Bauru está organizado e em dia com suas obrigações eleitorais. Só se for porque defendo demais os interesses do partido, ironiza. O presidente da legenda acredita que, se a direção estadual tiver bom senso, não aceitará a proposta de dissolução.
Aliança fisiológica
O vice-presidente da executiva municipal do PSDB, Natan Chaves, reagiu com virulência ao tomar conhecimento das articulações internas que têm por objetivo dissolver o diretório tucano. Essa é uma aliança fisiológica, disse, referindo-se ao provável acordo firmado entre Élio Busch e Carlos Ladeira.
Ele lembrou que os dois eram inimigos e defendiam situações opostas na última eleição municipal. Com essa manobra, eles mesmo se autoproclamam incompetentes para administrar o diretório, mas se acham competentes para provocar a intervenção no partido. Busch e Ladeira também são membros do diretório municipal tucano.
Chaves afirma que se sente traído na sua confiança e diz que Busch não sabe lidar com os opostos e com a democracia. O PSDB em Bauru é uma sigla que quer dizer Partido Só Do Busch. Discordou dele (Busch), virou inimigo. O vice-presidente tucano lembra que, num passado recente, segurou muitos pedidos de tucanos que queriam a cabeça de Busch. Na época, eu servi a seus interesses, agora ele quer aplicar um golpe no diretório.
A reportagem do Jornal da Cidade tentou localizar Élio Busch e Carlos Ladeira para se manifestarem sobre o assunto, mas a informação na sede da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), onde trabalham, era de que os dois estavam em viagem de serviço a Duartina. As ligações não foram retornadas.