09 de julho de 2026
Geral

Paciente denuncia descaso no Hospital Manoel de Abreu

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

Um paciente que esteve internado desde a semana passada no Hospital Manoel de Abreu assinou sua própria e fez várias reclamações contra o tratamento dispensado pela unidade. HIV positivo e, no momento, vítima de uma pneumonia, Florisvaldo Matos de Souza, 48 anos, acusou o hospital de dificultar o fornecimento de documentos indispensáveis para o saque de benefícios junto à Caixa Econômica Federal (CEF).

Desde que assinou o termo de responsabilidade pelo abandono do leito, Souza permaneceu do lado fora do hospital e demonstrava comportamento agitado. Vai lá e pede o papel para mim, porque eu preciso receber, repetia insistentemente. A tal documentação, que ele dizia tratar-se do prontuário de internação e do exame que atesta sua condição de portador do vírus da aids, só poderia ser expedida pela médica que o atendeu, que, segundo informou o hospital, estaria em férias. Souza alega que tem cerca de R$ 500,00 para receber e que necessita do dinheiro para comprar miudezas pessoais e fazer a compra do mês.

Enquanto Souza esbravejava pelo pouco caso do Manoel de Abreu em lhe fornecer a papelada, sua irmã, Olga de Souza Campos, criticava o hospital por outro motivo. Ela estava inconformada com o fato de os atendentes terem permitido que o paciente deixasse o local. A própria médica (cujo primeiro nome é Cibele) disse que ele necessita de tratamento intensivo, que ele pode morrer se o rim piorar. Além disso, olha o estado dele (apontou, mostrando a tosse e escarradas que Souza dava por conta da pneumonia). Como um hospital sério pode permitir que um paciente neste estado saia da cama?, indignava-se.

Tão logo ficou sabendo que o irmão deixara o hospital, Olga foi até o local tentar reconduzi-lo novamente à internação. Os atendentes, porém, informaram-na que seria impossível aceitar Souza. Vou ter que levar meu irmão novamente até o Pronto-Socorro e fazer aquele monte de exames para conseguir uma nova internação. Será que eles pensam que a gente não tem mais o que fazer? Que burocracia é essa? Além do mais, apesar do meu irmão ter assinado aquele termo, acho uma irresponsabilidade do hospital deixar um paciente nesse estado, que até está variando, sair por aí, classificou, prometendo registrar o fato em boletim de ocorrência.

AHB responde

A Associação Hospitalar de Bauru (AHB), mantenedora do Manoel de Abreu, informou, através de seu assessor Zarcillo Barbosa, que não pode obrigar quaisquer de seus pacientes a permanecer contrariados no hospital. Desde que maior de idade, o paciente pode sair se assinar um termo responsabilizando-se pela atitude de abandonar o tratamento. A pessoa vai embora mesmo sem ter alta, porque seria uma contravenção penal (cárcere privado) mantê-la internada contra sua vontade, explicou, informando que esta foi a terceira vez que Souza abandonou o hospital.

Barbosa ainda disse que o paciente possui comportamento agressivo e agitado, ao ponto de virar o prato de comida e arrancar com violência os tubos de soro do próprio corpo. O assessor ainda confirmou a impossibilidade de readmissão imediata de Souza. A porta de entrada do Hospital Manoel de Abreu é o Pronto-Socorro e ele terá que passar por lá novamente. Os funcionários não podem internar. Uma vez registrada a saída, uma nova internação só pode ser feita mediante solicitação de um profissional médico. Quanto aos tais documentos, eu desconheço, mas acredito que eles podem ser obtidos através de um médico, também no Pronto-Socorro, orientou.