Fisgar a irmãzinha do dourado requer paciência e habilidade. A tabarana é uma espécie que, mesmo ameaçada de desaparecer de nossos rios, teima, resiste e traz muita emoção aos pescadores esportivos.
Habitante de vários rios de água corrente do País, a tabarana é uma espécie que tem atraído o pescador por sua esportividade. Da mesma família do rei do rio, o dourado, o peixe não apresenta a mesma fome predadora, porém traz a mesma agilidade em águas correntes e uma beleza encantadora. Com uma coloração prateada, a tabarana oferece um show à parte em seus saltos, quando fisgada. A espécie, luta, briga e salta para ver-se livre do anzol.
Na região de Bauru, a tabarana pode ser encontrada no rio Jacaré-pepira, em Brotas, que há quatro anos temeu pela sua extinção. Hoje, a espécie sobrevive, porém é preciso ter em mente que o seu meio deve ser preservado e sua pesca controlada. Soltar corretamente o peixe após a sua captura, é um dos principais fatores para contribuir para a sua sobrevivência.
Cuidar para que a briga não ultrapasse os limites do peixe é muito importante. Equipamentos levíssimos aumentam a esportividade, porém, em alguns casos, esgotam as energias do peixe, impedindo-o de sobreviver. Use um equipamento leve, porém não exija demais. Isso vale para todas as espécies, principalmente as de fundo, que têm maior dificuldade em sobreviver após longa batalha.
É necessário permitir que o peixe se recupere devolvendo-o com a boca contra a correnteza, sem a necessidade de vai-e-vem. Assim ele pode retirar da água a oxigenação que necessita. Evite estressar o peixe.
A tabarana é uma espécie que pode ser capturada de diversas maneiras. O pescador Natanael Diz, 39 anos, é de Jaú e já teve a oportunidade de pescá-la com iscas vivas, artificiais e no fly. No rio Jacaré-pepira, é possível encontrar exemplares de até 1,5 Kg, que oferecem uma boa briga. Porém, a maioria pesa entre 300 e 500 gramas, comenta o pescador.
Na isca viva, Natanael sugere o lambari, que é um dos pratos preferidos da tabarana. Ela, como o dourado, gosta de pegar os peixinhos que vêm dos afluentes. Os poços sob a água corrente também são excelentes locais para encontrá-las. Em suas aventuras com iscas artificiais e fly, o pescador prefere ficar dentro do rio, procurando bater onde o peixe está.
As iscas artificiais têm um bom resultado, principalmente as de meia água, quando bem trabalhadas. O fly exige um pouco mais do pescador. É necessário fazer a leitura do rio, observar o que poderia ser o principal alimento da espécie naquela região e buscar uma mosca semelhante. Depois vem a perseverança do pescador, que não deve desanimar nos primeiros momentos. Quando as águas estão mais claras é um bom sinal para pescador. A tabarana prefere águas correntes e oxigenadas.
Natanael Diz também pesca tabaranas de rodada. Principalmente quando uso iscas naturais, desligo o motor e procuro ir nos pontos onde ela se esconde. Ele lembra que a hora mais emocionante da pesca é quando a tabarana ataca. Ela vem decidida, com uma pancada firme, seca. Ao ser fisgada, salta e dá um verdadeiro show. Mas nem sempre a pescaria traz troféus, há momentos que o rio não está para peixe, aí vale aproveitar também a beleza local, ar puro, paz, tranquilidade. Coisas que todo pescador sabe que faz bem.
Saiba mais...
Nome popular: Tabarana
Nome científico: Salminus hilarii
Habitat: Vive em águas rápidas e encachoeiradas próximo aos grandes poços dos rios. Estão presentes em grande parte do território brasileiro sendo mais pescadas nos Estados de São Paulo e Paraná.
Técnicas de pesca: Podem ser pescadas tanto com iscas naturais como com iscas artificiais. Deve-se utilizar equipamento de ação média/leve.
Dica: Ao sentir o ataque do peixe, fisgue com força, pois a boca dura da tabarana dificulta a fixação do anzol.
Melhores épocas: No meses de verão, quando a água estiver limpa.
A tabarana tem o formato bastante semelhante aos dourados de água doce, porém com a cor integralmente prateada. A tabarana possui dentes afiados, portanto é necessário uma certa cautela no seu manuseio e no tipo de material de pesca utilizado.
Peixe de extrema esportividade, geralmente dá saltos espetaculares quando capturada. É uma espécie com risco de extinção, portanto recomenda-se a prática do pesque e solte.
Isca viva: lambaris e até tuviras.
Iscas artificiais: preferência pelas de meia-água.
No fly - streamers e equipamentos classe 5 ou 6.