08 de julho de 2026
Geral

Insensatez juvenil eleva o número de mortes no trânsito

André Tomazela
| Tempo de leitura: 4 min

Dirigir alcoolizado e em alta velocidade, assim como os famosos rachas, teriam, segundo a PM, elevado o número de acidentes com vítimas fatais. As estatísticas mostram que a grande maioria dos envolvidos é de jovens de 17 a 25 anos

Domingo à tarde. Getúlio Vargas, a avenida utilizada pelos jovens e afins de Bauru para passear de carro, de bicicleta ou a pé. Muito utilizada para caminhadas.

Este repórter estava passeando de bicicleta no domingo passado, pelo local, quando pôde presenciar uma cena reveladora do comportamento dos jovens no trânsito bauruense. Por volta de 16 horas mais ou menos, um Ford Ka preto veio em aceleração constante, próximo ao final da pista do aeroporto e proporcionou um belo, se não fosse irresponsável, cavalo de pau, no meio da avenida. Eram dois adolescentes naquele Ford Ka. E nem era noite. O repórter assustado, olhou para a frente e viu uma viatura da Polícia Militar, a menos de 100 metros de distância. Os jovens, após rodopiar o veículo, saíram desafiadores, soltando gritos de virilidade juvenil. Conseguiram, desta vez, sair ilesos. Poderiam ter provocado um estúpido e grave acidente.

Estatísticas divulgadas pela Polícia Militar de Trânsito e pela Emdurb revelam que o número de acidentes com vítimas fatais no trânsito de Bauru cresceu em 2000, com relação a 1999. Esse número passou de 22, em 1999, para 29, em 2000, um aumento de 31,8%. A importância desse aumento é agravada quando o dado é confrontado com outros números do trânsito da cidade.

Todos os outros índices de acidentes no trânsito caíram em 2000, com relação a 1999. O de vítimas fatais foi o único que subiu.

Analisando os gráficos publicados nesta página, verificamos que o número total de acidentes caiu de 7.437 em 1999 para 6.859 em 2000. Essa queda pode ser atribuída, segundo a Polícia Militar de Trânsito, a duas ações inauguradas em 2000. A primeira é a instalação dos radares eletrônicos em alguns pontos da cidade. A outra é justamente a implantação e execução dos programas de educação para o trânsito que, com o desenvolvimento de uma série de projetos voltados para públicos diversos, proporcionou uma participação mais interativa dos policiais de trânsito na comunidade, divulgando ações e formas de melhorar a vida dos condutores de veículos e pedestres.

Os projetos foram todos desenvolvidos e executados em parcerias da Polícia Militar com a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), e com universidades como a Unesp (que participou promovendo curso para preparação de policiais educadores) e a USC, na execução de um dos projetos. Está prevista para esse ano a continuidade do programa .

Outro número mais específico que apresentou queda foi o de acidentes com vítimas, que em 1999 foi de 1.500 e, em 2000, caiu para 1.419. O número de acidentes sem vítimas caiu ainda mais. Em 1999 o número foi de 5.591 e caiu para 5.177 em 2000. Um queda de quase 8%.

De um modo geral, de acordo com informações da Polícia Militar, os acidentes caíram numa média de 10% no ano passado, com relação ao ano de 1999. A única exceção ficou no índice de vítimas fatais. O que significa esta contradição nos números? Quais as causas que levaram a esse aumento do índice de mortes no trânsito? A Polícia Militar tem a resposta.

Insensatez juvenil

Ao analisar as estatísticas referentes ao número de acidentes com vítimas fatais em 2000, a Polícia Militar de Trânsito pôde constatar que, na maioria deles, houve mais de uma vítima fatal no mesmo acidente, com o envolvimento de jovens de 17 a 25 anos. Em grande parte dos acidentes foram, ainda, constatados indícios de alcoolismo e excesso de velocidade, bem como a prática do racha, comum entre os jovens bauruenses.

Para tentar coibir as práticas irresponsáveis dos jovens de Bauru, que fizeram o número de mortes aumentar em 2000, a Polícia de Trânsito está, desde o mês de janeiro deste ano, realizando comandos de trânsito em horários e locais de maior concentração de jovens da cidade.

Madrugada e zona Sul são, respectivamente, o horário e local de ação dos policiais. De acordo com o tenente Jorge Luís Dias, da 4ª. Cia da PM, responsável pelo policiamento de trânsito, quinzenalmente a equipe de policiais está fazendo uma blitz noturna no período da madrugada, entre as 22 horas e as quatro horas da manhã. Até uma hora da manhã, nós pegamos uma região mais problemática da cidade que não seja a Sul, onde existe a maior concentração de jovens, e fazemos um bloqueio com grande número de policiais e com a utilização de radares móveis e bafômetros. Após uma hora da manhã, nós nos concentramos na área Sul da cidade, que engloba a avenida Getúlio Vargas, a rua Joaquim da Silva Marta e a avenida Nações Unidas, comenta. Pretendemos, com os bloqueios, realizar ações preventivas com os jovens para que os acidentes com essa faixa etária diminuam.