09 de julho de 2026
Geral

Piolhos provocam infecções secundárias

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 5 min

A pediculose, doença causada por lêndeas e piolhos, se não for bem tratada pode causar infecções secundárias

Os piolhos são insetos sem asas, de coloração escura, tamanho pequeno e que se alimentam exclusivamente de sangue humano. Pertencem a ordem Anoplura e também são chamados de piolhos sugadores. Seus ovos são endurecidos e de coloração branco perolada e são vulgarmente conhecidos por lêndeas. Estas são depositadas no fio de cabelo, próximo ao couro cabeludo, causando a pediculose. Os locais preferidos para postura são no cabelo da região da nuca e próximo das orelhas, porém, as lêndeas podem ser encontradas aderidas aos fios de cabelo de toda a cabeça. Após cinco a quatorze dias da postura dos ovos, nascem as ninfas, que são muito semelhantes aos piolhos adultos. Estas crescem e trocam de pele três vezes, isto é, sofrem três mudas antes de atingirem o estágio adulto. Quando adultas, as fêmeas depositam de 50 a 100 ovos antes de morrer. O ciclo de vida completo de um piolho dura aproximadamente um mês. Os macho morrem após a fecundação.

As ninfas e adultos do piolho alimentam-se diversas vezes ao dia, isto é, sugam o sangue da pessoa infestada. Ao sugarem, injetam saliva dentro da ferida para prevenir a coagulação do sangue, por isso ocasionam a coceira. Porém, esta só se inicia após algumas semanas da picada, indicando que, quando ela ocorre, a pessoa já está com piolhos há pelo menos um mês. Os piolhos não transmitem doenças, são simplesmente um incômodo para a pessoa infestada, mas se não forem bem cuidados podem causar infecções secundárias, porque, ao coçar, a criança machuca o couro cabeludo deixando uma ferida.

É muito comum crianças serem infestadas por piolhos. A infestação ocorre através de contato direto com objetos infestados com piolhos, tais como chapéus, escovas de cabelo, pentes, travesseiros, encostos de cadeiras, assentos de carros ou contato com pessoas com piolho.

O controle convencional se faz pelo uso de shampoos, ou loções próprias para o tratamento de piolhos, que matam tanto as lêndeas quanto os piolhos. Leia com muita atenção as instruções de uso ou consulte um médico antes da utilização de qualquer produto.

Mulheres grávidas não devem utilizar produtos para o controle de piolhos, entretanto, o uso do pente fino para retirar os adultos e a retirada das lêndeas é, ainda, a forma mais eficaz de se controlar esses insetos. Durante e após o tratamento, toda a roupa de cama e toalhas de banho da pessoa infestada devem ser lavados com água bem quente.

Ao notar infestação por piolhos em uma criança, esta deve evitar ir à escola até que o problema esteja resolvido. Crianças devem ser periodicamente vistoriadas para observar a presença de piolhos.

Lesões devem ser avaliadas

Algumas lesões podem surgir no couro cabeludo como micoses e nevos. Sempre que se percebe uma lesão desses tipos deve-se procurar um médico para que o tratamento seja adequado, pois, muitas vezes, as pessoas passam algum remédio ou pomada que não são os indicados para o tipo de lesão e isso pode afetar ainda mais uma possível infecção.

A médica dermatologista especialista em cabelos, Maria Teresa Nakandakari, explicou que os nevos sebácios são os mais comuns existentes e têm que ser retirados porque podem se transformar em malignos. Os nevos sebácios são lesões amareladas que, geralmente, não coçam e não são lisas. Algumas vezes, ao pentear os cabelos, essas lesões, que parecem uma verruga, podem sangrar. "Nós tiramos como prevenção, para não ter risco de virar um carcinoma", disse.

As micoses são muito comuns em crianças. De acordo com Maria Teresa, essas micoses, geralmente são adquiridas de cães e gatos. Essas micoses enfraquecem os fios do cabelo e os quebram, causando falhas no couro cabeludo. "É importante salientar que essas micoses não pegam e, portanto, as pessoas podem conviver normalmente com as crianças que têm micoses", afirmou.

Há também as micoses chamadas "tinhas do couro cabeludo". Essas são mais contaminosas e perigosas e podem passar de uma criança para outra. As feridas são mais salientes e a criança perde muito cabelo. A médica Maria Teresa disse que é comum crianças de orfanato pegarem essas micoses porque convivem juntas o tempo todo. "Há vários tipos de tinhas, dependendo do fungo, a apresentação é diferente. É preciso procurar um médico para aplicar o tratamento específico", explicou.

Ela lembrou, também, que para algumas micoses não basta usar creme, é preciso tomar medicamentos via oral e, para isso, somente com orientação médica.

Caspa

A médica Maria Teresa explicou que a caspa é a descamação do couro cabeludo e a dermatite seborréica é a doença causada. Essa inflamação é causada pelo excesso de óleo e suor que fica no couro cabeludo. Isso, de acordo com a médica, não é uma doença, é uma tendência que piora no inverno, com o estresse etc. "É um aumento dessa irritação, a pele descama mais e causa a caspa que se junta com o suor e agrava o quadro", explicou.

Há a caspa solta, seca e a graxenta, com mais gordura, que gruda no couro cabeludo e é mais difícil de tratar, porque a pessoa coça, machuca e pode causar uma infecção secundária que é transmitida pela unha. "É importante falar que a caspa não pega, pode usar o mesmo pente, conviver com a pessoa que não pega", disse.

O shampoo anti-caspa resolve apenas em alguns casos, mas não em todos disse Maria Teresa. "Depende do grau, só mesmo um tratamento com dermatologista para resolver", afirmou.

Por ser uma tendência, a caspa não tem cura. Quem tem caspa, terá sempre, o que se pode fazer é sempre usar shampoos e realizar tratamento par diminuir, mas em certas épocas do ano é comum aumentar a quantidade de caspa. Há tratamentos para prevenção, disse Maria Teresa.

A médica alertou que, em alguns casos, a pessoa pode confundir caspa com algum tipo de doença. "É preciso procurar um médico para ver o que ocorre no couro cabeludo", afirmou.