08 de julho de 2026
Geral

AMs reclamam de burocracia

Andréia Alevato
| Tempo de leitura: 3 min

Para os diretores das associações de moradores, a burocracia e a falta de respostas da Prefeitura barram reivindicações

Preencher papéis e a demora em obter, ou muitas vezes a falta de, uma resposta sobre pedidos feitos para a Prefeitura são as principais reclamações das diretorias de associações de moradores (AMs).

Segundo diversos diretores de associações, os pedidos feitos à Prefeitura devem ser por escrito e protocolados. Depois disso, é preciso paciência, porque a resposta da Prefeitura pode demorar e até não vir. Vivaldo Pereira Martins, presidente da Associação de Moradores do Parque Santa Edwirges, afirmou que protocolou quatro pedidos de topografia em uma das ruas do bairro para que os moradores pudessem fazer calçadas. O Santa Edwirges é um bairro que apresenta problemas de arruamento, porque as ruas são desiguais na largura e muitos postes foram instalados no meio delas, então, os moradores encontram dificuldades quando querem fazer qualquer tipo de obra, como uma simples calçada. Por esse motivo, a Associação de Moradores da Vila Santa Luzia pediu a realização de uma topografia em uma das ruas do bairro. Mas os pedidos não obtiveram resposta e, por isso, os próprios integrantes da associação mediram a rua.

"Protocolamos quatro pedidos para que a Prefeitura fizesse a topografia, mas não tivemos nem resposta. Por isso, nós mesmo medimos a rua. Mas é difícil trabalhar assim. A Prefeitura é burocrática, pede que se preencham papéis quando queremos alguma coisa, mas não responde esses pedidos por escrito. Assim, fica difícil trabalhar", afirmou o presidente da Associação de Moradores do Parque Santa Edwirges.

Para Martins, as administrações municipais, há alguns anos, "deixaram de lado" as associações de moradores e, por isso as entidades trabalham devagar e engavetam projetos.

"Não temos apoio total do Poder Público e, por isso, as associações de moradores trabalham de forma devagar. Temos vários projetos que estão parados justamente por essa falta de apoio. Estamos pleiteando, há meses, o caminhão-palco para realizarmos eventos culturais no bairro e apoio para a realização de eventos esportivos, mas não conseguimos nada", disse Martins.

Burocracia também é a reclamação da Associação de Moradores do Parque Colina Verde.

"Na década de 80 e até a metade dos anos 90, era mais fácil trabalhar. As Administrações Municipais ouviam mais as associações de moradores. Hoje, a burocracia impede a agilização dos serviços. Temos consciência de que outros bairros precisam mais do que o Colina Verde, que tem toda infra-estrutura, mas a manutenção também precisa ser feita. Para limpar uma praça é preciso fazer pedido por escrito. E nem sempre os pedidos são atendidos", reclamou a presidente da Associação de Moradores do Parque Colina Verde, Maria Ivone Carvalho Passos Pandolfi.

Formada em 1974, a diretoria da Associação de Moradores da Vila Ipiranga também reclama da falta de respostas dos pedidos feitos, por escrito, à Prefeitura.

"É mais difícil conseguir trabalhar em Associação de Moradores hoje do que antigamente. A Prefeitura pede que faça o pedido por escrito. É muito papel só para tapar um buraco ou capinar um terreno, porque os pedidos não podem ser feitos num único documento. Cada pedido pede um documento separado", disse Ademar Alves Marques, presidente da Associação de Moradores da Vila Ipiranga, uma das mais antigas da cidade.

Um dos pedidos feitos pela entidade é a ajuda para reformar o Centro Comunitário da Associação. Segundo ele, o prédio, que sempre abrigou cursos e atividades desenvolvidas pela Associação para os moradores do bairro, está precisando passar por uma reforma geral urgente. Algumas paredes têm rachaduras grandes e profundas.

"Precisamos de uma ajuda da Prefeitura para reformar nosso Centro Comunitário e voltar a promover cursos para a comunidade. Não queremos que a Prefeitura faça tudo. Estamos pedindo uma ajuda, mas, às vezes, nem respostas temos", completou Marques.