08 de julho de 2026
Geral

Associação mais antiga é desativada

Andréia Alevato
| Tempo de leitura: 3 min

A Associação de Moradores da Vila Santa Luzia, a mais antiga de Bauru, criada em 1973, está sendo desativada por falta de integrantes na diretoria

A Associação de Moradores (AM) da Vila Santa Luzia está sendo desativada. Essa foi a primeira organização de bairro criada em Bauru que se tem registro.

Criada em 1973, a Associação de Moradores da Vila Santa Luzia está sendo desativada por falta de integrantes em sua diretoria, segundo o seu atual presidente, José Raul Franco Canheti.

Ele contou que a atual diretoria não se reúne mais e que novas eleições foram convocadas, mas nenhum morador do bairro manifestou interesse em assumir a presidência da Associação de Moradores.

Não adianta ter um exército de um homem só. Ninguém quer fazer parte da Associação de Moradores da Vila Santa Luzia. E eu não quero representar o bairro sozinho, por isso estou desativando-a, disse Canheti.

Para o atual presidente da entidade, o desinteresse dos moradores em participar ativamente da associação acontece porque o bairro tem uma boa infra-estrutura, como saneamento básico, asfalto, escolas, creches e até ginásio de esportes, e por isso, não há muitas coisas para reivindicar. De acordo com Canheti, a Vila Santa Luzia precisa de manutenção de equipamentos, como a capinação constante de praças.

Nosso bairro tem toda infra-estrutura básica necessária. As nossas reivindicações são pequenas, apenas algumas capinações de terrenos e praças. Então, ninguém quer assumir a presidência da Associação de Moradores, porque moramos num bairro em que não é preciso reivindicar nada, afirmou o presidente da AM.

Canheti afirmou que na década de 80, quando as associações de moradores de Bauru foram regulamentadas pela Prefeitura, e até meados dos anos 90, era mais fácil conseguir a manutenção dos equipamentos do bairro.

Com um telefonema a gente conseguia que viessem capinar a praça ou um terreno. Agora, todos os pedidos devem ser feitos por escrito e protocolados. Isso faz com que os serviços relativamente pequenos, se comparado com pedidos de outros bairros, como pavimentação, atrasem. Hoje, conseguir uma capinação de praça com um simples telefonema é bem mais difícil, reclamou.

A Associação de Moradores da Vila Santa Luzia, apesar de antiga, não tem sede própria. A diretoria se reunia no Salão Paroquial da Igreja Santa Luzia.

Mais respeito

Canheti contou, também, que as associações de moradores da cidade eram mais engajadas e trabalhavam mais pelos próprios bairros nos anos 80, quando a Secretaria de Projetos Comunitários (Seprocom), criada na administração Tuga Angerami, estimulava a criação de associações de bairros e apoiava o seu funcionamento. Para ele, os representantes de bairros na época eram melhor atendidos e tratados com mais respeito.

Na época da Seprocom, nós, integrantes de associação de moradores, tínhamos um respeito e um respaldo muito maior por parte da Administração Municipal. Hoje não temos isso. A Prefeitura só sabe fazer reuniões vagas, que não determinam nada e, se determinam alguma coisa, na maioria das vezes não é cumprida. E o prefeito nem comparece nessas reuniões, reclamou Canheti.

Nova associação

Canheti afirmou, ainda, que não desanimou em lutar por melhorias em bairros, por isso irá se associar à Sociedade de Amigos pela Cidadania e Meio Ambiente, entidade que irá reunir moradores de diversos bairros da Zona Leste da cidade, entre eles a Vila Santa Luzia, e que terá como principal objetivo conseguir melhorias para o meio ambiente da região.

Temos uma mata com um córrego (Barreirinho) em nossa região que poderiam se tornar um bosque para a comunidade. Posso estar saindo da Associação de Moradores da Vila Santa Luzia, mas não vou deixar de pleitear melhorias para nossa região. Como a Sociedade de Amigos pela Cidadania e Meio Ambiente reunirá mais integrantes, não estarei sozinho e, por isso, acredito que desenvolverei um trabalho ainda melhor, concluiu Canheti.